Arquivo da categoria: Ciência

Pálido ponto azul em nova versão

Você provavelmente se lembra do trecho de Cosmos onde Carl Sagan nos coloca a par de quão pequenos somos no Universo, certo? Caso não lembre ou não tenha assistido, pode clicar aqui (está legendado).

Não é novidade que a famosa fotografia de “um ponto pálido azul”, feita pela sonda Voyager 1 a seis mil milhões de quilômetros da Terra e que inspirou Carl Sagan em um comovente texto segue emocionando como há 25 anos.

Agora uma nova e espetacular versão realizada pelo biotecnólogo e divulgador científico Hashem Al-ghaili, que mantém a voz original do próprio Carl Sagan como narrador, junto à de Charles Chaplin e Malcon X. Um vídeo espetacular.

O texto original foi escrito em 11 de maio de 1996, pelo próprio Sagan.

Post scriptum 16/jun: Você também estava esperando ansioso pela tradução deste trecho? Pois aqui está: trecho “pálido ponto azul”, encerrando a primeira temporada do remake de Cosmos (com o badass Neil Tyson).

 

[Vídeo] Mulheres na ciência

Durante uma conferência de ciência, uma pergunta é feita por um dos convidados e ex-presidente da Universidade de Harvard, que sugere que diferenças genéticas explicariam o fato de haver bem menos mulheres no campo da ciência do que homens. A resposta dada por Neil deGrasse Tyson é no mínimo sensacional.

Por que dar e receber carinho pode ser importante

Imagem: “Afeto”, de Augusto Higa – Museu de Arte do Parlamento de São Paulo

A maioria de nós gosta, desde muito pequeno, de fazer e receber carinho. No entanto, a carícia é importante? Parece que sim.

Sabe-se que nosso organismo conta com entre 6 ou 10 milhões de sensores táteis que recolhem informação tanto do interior quanto do exterior do corpo, sendo o sentido do tato o mais repartido e também o mais duradouro, daí que a pele seja considerada uma espécie de órgão social e o tato um instrumento de grande potencial.

Segundo o pesquisador Francis McGlone, as caricias mostram-se, portanto, como um dos padrões deste sentido e, segundo uma recente pesquisa, estas são transmitidas a partir da pele até o cérebro por meio de nervos cuja velocidade de condução é muito lenta. As fibras nervosas tácteis (CTs), como são denominados aos nervos que respondem às carícias, tem uma limiar perceptivo muito baixo e os receptores que as ativam estão localizadas na pele com presença de pelos. Trata-se de exatamente os mesmos receptores que também conduzem as sensações de dor ao cérebro.

Estes sensores nos fornecem informação desde o princípio de nossa vida, motivo pelo qual – “uma falha no sistema de CT durante o neurodesenvolvimento pode comprometer negativamente no funcionamento do cérebro social e o senso de si mesmo, tal e qual acontece com as pessoas com transtornos do espectro autista, que não processam adequadamente o tato emocional”, afirma Francis McGlone, líder do estudo.

Daí que os pesquisadores concluam que o déficit de carícias durante a vida precoce pode ter efeitos negativos sobre uma série de comportamentos e estados psicológicos na idade adulta, já que, ao não levar estas sensações tácteis ao sistema límbico -encarregado de gerenciar as respostas emocionais-, o desenvolvimento do cérebro é prejudicado.

O estudo (clique para ler), que foi publicado na revista Neuron, também alerta de que “em um mundo onde o tato fica relegado a um segundo plano com o aumento das redes sociais que fomentam a comunicação sem contato, e a diminuição de carícias afetuosas nos bebês por parte de babás e pais devido às pressões econômicas da vida moderna, é cada vez mais importante reconhecer quão vital e importante é uma afetuosa carícia”, termina Francis.

Via Eureka Alert e NDig.

De que modo aprendemos mais?

Quando pequena, meus colegas e eu tínhamos a mesma mania sobre as provas escolares: repetíamos os principais trechos dos textos até decorar, fazíamos a prova e no dia seguinte já não lembrávamos de mais nada. Parei de utilizar este método na terceira ou quarta série, mas encontrei muita gente utilizando-o na Universidade. Afinal, por que ele não funciona? É mais simples do que você pensa: nossos professores foram acostumados a incentivar a leitura, mas não o “assimiliar por si próprio” do conteúdo. Acabamos passivos da informação recebida.

Para explicar isso, utilizo aqui de um esquema feito por Edgar Dale (1989), denominado “Pirâmide da aprendizagem”:

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A pirâmide do aprendizado, por Edgar Dale

Viu só? Não adianta virar traça dos livros se você não problematizar o que lê. Vai esquecer rapidinho. Chris Lema também trouxe alguns dados interessantes:

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Infográfico do Mindasks

E um bom exemplo disso é como pensamos, por exemplo, as palavras:

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Olhando, ouvindo, falando e pensando as palavras

E existe todo um processo que acontece com nosso cérebro quando aprendemos algo (clique para ler), que não pode ser desconsiderado. Então se você quer realmente APRENDER algo, pense muito a respeito: O que você entendeu do texto? Quais conceitos você pode utilizar? Como você relaciona estas informações com a sua realidade cotidiana? Tente esquematizar, fazer conexões com a informação.

E se você quiser saber mais sobre a mielina (citada no post que deixei o link), o LifeHacker ajuda a explicar.

Uma música “grudou” na minha cabeça, como me livro dela?

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Imagem: DeviantArt

É só passar o carro que vende gás que eu fico cantarolando o single como se não houvesse amanhã. Ligo a rádio e as propagandas “grudam”. Na TV, a mesma coisa. E o pior é que a lei parece ser a seguinte: quanto mais chata for a música, mais ela gruda. Como é que a gente se livra disso?

A Revista Galileu publicou estes resultados, e podem ajudar você a se livrar daquela música chata. Segundo uma pesquisa da Universidade de Cincinnatti, quase todos nós (98%!) já ficamos com uma música “presa” em nossas mentes. E outro estudo, este feito pela Universidade de Londres, mostrou que essas músicas podem ficar em loop nas nossas consciências por diferentes motivos: stress, tédio, memórias, etc.

As músicas com o potencial de ser a trilha sonora de um fim de semana inteiro podem não ter uma única origem, mas tem algo em comum. De acordo com o neurocientista da Universidade McGill de Montreal, David Levetin, elas tendem a terem a batida e a melodia simples. Por isso muitas vezes o que fica em nossa cabeça não é a canção inteira, mas apenas um trecho. “Nossos circuitos neurais entram em loop e pensamos nisso sem parar”, contou o cientista à CNN.

Mas não entre em pânico. Há várias técnicas que prometem tirar os seus circuitos neurais desse carrossel:

Ouça a música chiclete inteira –  De acordo com o diretor do Centro de Ansiedade e Fobias do White Plains Hospital, Frederic Neuman, você deve enfrentar o inimigo de frente. Ou seja, ouvir a música inteira, cada verso “doloroso”. Quando um comportamento compulsivo não pode ser evitado, é possível torná-lo menos irresistível. Então em vez de se esforçar para parar de pensar na música, a ideia é que você pense nela de uma forma diferente – ou seja, ouvindo a música até o fim. Mas Neuman afirma que ele tirou essa conclusão da experiência pessoal, não de um estudo científico formal.

Você não conhece a música? – Você estava em uma festa, no carro, e ouviu a bendita música. Mas não sabe que música é e agora está só com o refrão na cabeça. Tente usar o Shazam para descobrir a identidade da canção, conferir a letra completa e escutá-la novamente. Assim você sacia os seus neurônios curiosos.

Substitua a música chiclete - Há quem diga que nada funciona melhor para esquecer uma música do que substituí-la por outra. Mas não basta ouvir suas trilhas sonoras favoritas – o negócio é ouvir outra música de batida e melodia simples, com um potencial equivalente para grudar na sua mente. Há sites que podem te ajudar nessa tarefa. O Earwurm e o Unhearit são geradores de músicas chiclete. Mas sempre há a chance de você ficar com outro som igualmente chato na cabeça.

Tente se distrair – O WebMD recomenda passeios e quebra-cabeças para refrescar a sua mente. Em casos extremos ele sugere que você coloque um elástico no pulso e puxe o elástico para trás, soltando-o na pele e produzindo aquele desconforto característico toda vez que você pensar na música chiclete (nós acreditamos que todos os outros métodos tem mais chance de funcionar do que este. Mas se você estiver desesperado, não julgaremos ninguém por tentar).

Como problemas emocionais se transformam em doenças?

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Imagem: s/n

Este artigo da Revista Galileu traz uma resposta fácil: Contra uma possível ameaça, o cérebro dispara reações para enfrentá-la ou fugir dela – mas como isso acontece?

A ideia de que fenômenos emocionais levam a alterações físicas é antiga. Em 1628, o anatomista inglês William Harvey (1578-1657) observou que todo mal-estar sentido na mente era direcionado para o coração. Hoje se sabe que o inconsciente interpreta e responde ao que chega ao cérebro por meio das terminações nervosas do corpo. É o que acontece quando levamos um susto, por exemplo.

Contra uma possível ameaça, o cérebro dispara reações para enfrentá-la ou fugir dela. “O coração acelera os batimentos para redistribuir o sangue para os músculos correrem ou lutarem e para o cérebro processar com rapidez toda essa situação. É por isso também que, para oxigená-los, a respiração fica mais rápida. É o chamado estresse, que envolve o sistema nervoso, hormonal e imunológico”, explica Artur Zular, presidente do Comitê Multidisciplinar de Medicina Psicossomática da Associação Paulista de Medicina.

Sem a fonte estressora, o corpo volta ao normal. Mas em caso de estresse permanente as coisas se complicam: os órgãos podem se esgotar, adoecer e o sistema imunológico tem sua ação inibida, facilitando o aparecimento de asma, alergias, gastrite, infecções e problemas cardíacos.

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Você pode clicar na imagem para vê-la em tamanho maior

Fontes: Artur Zular, Presidente do Comitê Multidisciplinar de Medicina Psicossomática da Associação Paulista de Medicina; Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp; e Sérgio Hércules, vice-presidente da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática.

Hey! Por que você pensa que é melhor que todo mundo?

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a aula de anatomia do Dr. Tulp, pintada em 1632, é um dos mais famosos quadros de Rembrandt.

 

O LuisaoCS (créditos) escreveu este post e eu tive que replicá-lo por aqui. De onde tiramos a idéia de que somos melhores que os outros?

A chamada “ilusão de percepção assimétrica” é um preconceito cognitivo que explica por que as pessoas percebem que seu conhecimento dos outros supera o conhecimento que as outras pessoas têm de si mesmas. Quando, por exemplo, lemos um livro porque temos curiosidade intelectual ou algo parecido, e vemos a alguém em frente a nós que está lendo o mesmo livro, muitas vezes pensamos que o mais seguro é que só esteja lendo porque o filme está a ponto de se estrear. Esse tipo de pensamentos é influenciado por esta “ilusão de percepção” que nos faz achar que as outras pessoas são transparentes e que podemos lê-las perfeitamente.

O preconceito parece ser devido a convicção (que todos temos em diferentes graus) de que os comportamentos observados são mais reveladores nos outros, e que os pensamentos e sentimentos são mais reveladores em nós mesmos. O problema é que esta ilusão com frequência vem acompanhada de julgamentos depreciativos, de pensar que nós temos sempre melhores intenções, somos mais inteligentes e fazemos as coisas melhor que os demais.

As pessoas, como sabemos, tem habilidades mistas. Uma pessoa pode ser mais inteligente do que a outra, mas é torpe. Outros sobressaem em sua dedicação ao trabalho pesado, mas falta-lhes inspiração. Mas para você não. Você é bom em tudo… ou ao menos isso é o que dizemos a nós mesmos, graças à ilusão de superioridade.

Um grupo de estudos, realizados por Pronin, Kruger, Stravitsky & Ross, sugeriu que, devido a uma espécie de delírio geral de grandeza, as pessoas tendem a pensar que conhecem muito melhor uma determinada pessoa do que essa mesma pessoa se conheça a si mesma e que tudo o que fazem é por uma razão banal.

O estudo aponta a várias manifestações diferentes da ilusão de percepção assimétrica. No primeiro estudo, os pesquisadores entrevistaram algumas pessoas perguntando-lhes como qualificavam si mesmas como motoristas de automóvel. Ao redor de 93% das pessoas consideraram-se “acima da média”. É impossível que 93% deles sejam condutores de primeira, isso significaria que os 7% restante sejam os piores motoristas do mundo, e estejam provavelmente mortos agora.

Em outra pesquisa perguntaram a professores de universidade que tão bons eram para desempenhar seu trabalho. 94% deles modestamente contestou: “acima da média”.

É verdade que nem todos nós achamos que somos os melhores em nossa disciplina, mas, sem importar o que façamos, geralmente pensamos que somos um pouco melhores nisso que a maioria das outras pessoas. Tudo isso se deve ao fato de que vivemos neste ciclo particular da ilusão de percepção assimétrica. Não podemos admitir que somos descuidados ou frouxos, ou que temos limitações intelectuais para entender certas coisas. Só sabemos que isso é o que acontece a outras pessoas, e o sabemos porque nossas mentes são superiores. Mas como bem diz o termo, é só uma ilusão. Talvez ao conceitualizar este tipo de comportamento nada mude, mas ao menos podemos tentar recordar o sintoma para encontrar modéstia em nossos julgamentos, e recordar que cada um dos outros tem sua própria ilusão de percepção assimétrica conosco também.

Qual é a explicação científica do déjà vu?

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Imagem: DeviantArt

Sabe aquela sensação estranha de que você já viu aquela pessoa ou aquele lugar, mesmo sem nunca ter estado lá? Pois isso tem nome: déjà vu. Dizem alguns que é sinal de vidas passadas, outros de que você tem uma conexão com aquele lugar. Nada disso, meus caros: existe uma explicação lógico-científica e aí vai ela:

Este texto é da revista Live Science e foi traduzido pela Negócio Digital no segundo semestre do ano passado. O tema é fascinante, mas repleto de mistificações e, por este motivo, resolvo desmistificá-lo por aqui.

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 Déjà vu é literalmente o “já visto”, em francês. O termo foi utilizado pela primeira vez pelo pesquisador parapsicológico Émile Boirac, no início do século XX, mas quase qualquer pessoa à que perguntemos sabe em que consiste: a estranha sensação de viver uma experiência -inclusive a mais anódina e cotidiana- como se já a tivéssemos experimentado antes ou a repetíssemos. Segundo a ciência, “quase qualquer pessoa” é mais ou menos 70% da população.

O fenômeno conhecido formalmente como paramnesia, a sensação de ser testemunha de algo novo como se tivéssemos visto com anterioridade. Alguns outros dados incluídos em um estudo publicado em 2003 afirmam que a ocorrência dos déjà vu tanto faz entre homens e mulheres de diferentes raças, mas que acontece com maior freqüência entre pessoas entre 15 e 25 anos de idade. Isto fez com que os especialistas acreditem que o fenômeno poderia estar relacionado a neurotransmissores como a dopamina, que são mais altos em adolescentes e adultos jovens.

Esta explicação foi bem acolhida por parte da comunidade científica quando souberam o caso de um médico de 39 anos, que ao adoecer de gripe, tomou amantadina e fenilpropanolamina, duas substâncias que aumentam a atividade da dopamina no cérebro. Depois de 24 horas com a medicação, o homem reportou frequentes episódios de déjà vu; a reportagem de 2001 na Journal of Clinical Neuroscience afirmou também que quando o homem deixou de tomar a medicação, os déjà vu também desapareceram.

Ainda outra explicação sobre estes episódios de realidade alterada relaciona os déjà vu com a epilepsia. Há certos tipos de epilepsia que se disparam desde o hipocampo cerebral, uma zona que se encarrega de administrar a memória de curto e longo prazo. Pessoas com epilepsia no lóbulo temporário afirma ter consistentemente experiências de déjà vu bem antes de um ataque, segundo um artigo da revista Neuropsychologia, que relaciona os ataques epilépticos com uma atividade aleatória dos neurônios, que leva a experimentar novas situações com curiosa familiaridade.

Além dos déjà vu, existem algumas outras variações sobre experiências onde a pessoa não pode fixar com certeza as coordenadas de sua realidade, ao menos durante um breve período de tempo. O jamais vu (“nunca visto”), por exemplo, é a sensação de estranheza em frente a algo sumamente familiar, por exemplo: estar em nossa própria casa e sentir que não é nossa; ou o déjà entendu (“já escutado”), que ocorre quando alguém sente que escutou uma palestra ou uma melodia com anterioridade, mas é incapaz de recordar onde.

Os déjà vu, no entanto, continuarão assombrando-nos e sugerindo novas formas de fissurar nosso contínuo de consciência; assim como os sonhos e seu envolvimento de estado fronteiriço entre realidades, os déjà vu também podem ser experimentados subjetivamente como a sensação de que o disco da realidade pode estar arranhado, dando a aparência de que a realidade objetiva também está equivocada.

Via  Live Science e NDig

300 anos de ciência em 3 minutos

Afinal, o que é ciência? Certamente você já pensou nisso. Pois encontrei – felizmente – navegando pelo Youtube um ótimo vídeo a respeito: são 300 anos de ciência em apenas 3 minutos de vídeo, o tempo de fazer um miojo.

Ainda vamos descobrir muito.
Para a ciência o que importa é o desafio, estamos sempre descobrindo, acrescentando novos conceitos, reformulando novas verdades. Isso é ciência.

Tempo, tempo, mano velho…

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Imagem: Salvador Dalí

O tempo é um tema de estudo recorrente neste blog. Hoje, navegando no Fu2re (um blog que indico imensamente), encontrei o ótimo texto que replico aqui. Todos os créditos de autoria são para o Marcellus, dono do blog citado acima.

Percepção do tempo

Tempo, ah o tempo. Como está o tempo hoje? O que é tempo? Quanto tempo nós temos? Já falei disso antes, Tempo. O tempo de cada um, mas e o tempo que cada um percebe? A percepção do tempo varia de espécie para espécie, entre crianças e velhos e até mesmo de indivíduo para indivíduo. Porquê?

Nossa percepção de tempo não é um sentido tão exato quanto o olfato, a visão ou a audição. A prova são aqueles dias que parecem durar uma eternidade, e em outros momentos pareceu passar tão rápido. Acontece que nosso cérebro recebe todas a informação transmitida por nossos sentidos e as organiza da maneira que ele acha mais conveniente, um jeito que faz sentido pra nós, antes mesmo que a gente repare nas informações recebidas por esses sentidos. O mundo que percebemos é fruto de como nossos sentidos interpretam esse mundo. Quando a informação recebida e processada é familiar ao cérebro, ela é feita muito rapidamente. Informações e estímulos novos, no entanto, demoram mais, e geram a sensação de tempo alongado. Quando recebemos um fluxo muito grande de informações novas, o cérebro demora um tempo para para processá-las. Quando mais tempo ele demorar, mais longo o tempo nos parecerá. E é por isso que meses preenchidos com rotina parecem passar voando, enquanto momentos de stress ou de emoção intensa, na sua memória, tem ares de terem durado minutos, quando não passaram de milésimos de segundos.

Isso explica, inclusive, aquela sensação de que a vida passa mais rápido depois que envelhecemos. É porque, ao crescer, percebemos um mundo novo quase o tempo todo, e isso garante a sensação de que o tempo passou mais devagar.

Tudo isso faz parte de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Trinity College Dublin, Universidade de Edinburgh e Universidade de St. Andrews que explica porque vários animais têm percepções diferentes do tempo. E sugere que em geral, quanto menor o animal, mais devagar o tempo passa. No caso dos animais o fluxo de informações recebidas é muito maior que a nossa por isso temos tanta dificuldade em matar uma simples mosca: o tempo passa mais devagar para elas.

A mosca consegue processar a informação seis vezes mais rápido que nós, e um cão cerca de duas vezes mais, por isso eles veem a TV como flashes e não como percebemos. Isso também está ligado a capacidade de reação, uma tartaruga recebe muito menos informações por isso o tempo passa mais rápido.

Indo para o lado ficcional, o Flash teria que dificuldade de correr tão rápido, pois o cérebro não iria conseguir processar tão rápido as informações. Isso acontece na vida real, como o estudo mencionou, existe uma diferença considerável entre espécies grandes e pequenas. Animais menores do que nós veem o mundo em câmera lenta. Mas no caso do besouro-tigre, ele transmite muito pouca informação, e correr mais rápido do que seus olhos podem perceber. Por isso fazem atacam com paradas para encontrar suas presas, vindo na direção deles, na esperança de que vão bater em alguma coisa. O Flash teria esse problema.

Então o tempo é relativo para cada um e se uma mosca que vive apenas 24 horas terá uma percepção que essas 24 horas duraram muito mais tempo, daí vem o tracadilho infame em inglês sobre o assunto: Time doesn’t fly… If you’re a fly (Tradução livre – O tempo não voa… Se você for uma mosca).

Referencia: Flies live in Matrix time: How the insect sees rolled up newspaper moving in slow motion and buzzes away from danger quickly do DailyMail, em Mail Online.
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