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A sua memória é boa? Não sei, esqueci.

Imagem: Pause do vídeo citado no corpo do post

Imagem: Pause do vídeo citado no corpo do post

André Rabelo escreve no ScienceBlogs há um bom tempo. Acompanho suas postagens aqui e ali e é raro desgostar de alguma. Hoje resolvi replicar um post antigo, mas excelente, diretamente do seu blog.

Texto de André Rabelo em ScienceBlogsBrasil

Você já teve a experiência de lembrar vividamente de um acontecimento, e depois acabou descobrindo que, na verdade, as coisas aconteceram de um jeito diferente do que você lembrava? Ou então uma situação na qual você e outra pessoa passaram por uma mesma experiência (ex: observaram duas pessoas discutindo agressivamente), mas depois vocês discordaram quanto a algum detalhe do que realmente havia acontecido? Ou você já lembrou de ter dito algo que, na verdade, não tinha dito a outra pessoa?

Não importa se você tem uma memória muito boa ou muito ruim, provavelmente você já viveu alguma experiência similar a essas e é sobre esse assunto que o Minutos Psíquicos traz orgulhosamente hoje um vídeo sobre uma das funções cognitivas mais complexas do cérebro e importantes para as nossas vidas – a memória. Veja ele primeiro (abaixo) antes de prosseguir na leitura desse post.

Como esperamos que tenha ficado claro, o fenômeno das falsas memórias demonstra como pode ser imperfeita a nossa capacidade de recuperar informações precisas sobre acontecimentos passados. Em grande parte das vezes, conseguiremos recuperar com considerável precisão informações sobre eventos anteriores, mas diversos detalhes sobre tais eventos podem ser alterados não intencionalmente por nós mesmos ou por outros enquanto tentamos nos lembrar de algo.

Nesse link, você poderá assistir a uma palestra imperdível da própria Elizabeth Loftus, publicada ano passado no TED, falando sobre falsas memórias! Se você assistir esse vídeo no site do TED, existe legenda em Português disponível, mas ela está com um problema de sincronização às vezes. Outra palestra do TED sobre como testemunhas oculares podem incorrer em falsas memórias foi feita pelo professor Scott Fraser.

 Referências

Mlodinow, L. (2012). Subliminar: Como o inconsciente influencia nossas vidas. Rio de Janeiro: Zahar.

No capítulo 3 desse livro, Mlodinow descreve como os estudos sobre falsas memórias surgiram de uma maneira bem mais detalhada do que fizemos aqui, contando casos reais nos quais se provou posteriormente que falsas memórias levaram pessoas inocentes à prisão, vale muito a pena ler! Por sinal, publiquei aqui no blog uma resenha que fiz desse livro.

Stein, L. M. (2010). Falsas memórias: Fundamentos científicos e suas aplicações clínicas e jurídicas. Porto Alegre: Artmed.

Esse é o livro nacional de referência para quem se interessar pelo assunto das falsas memórias. Uma das maiores pesquisadoras das falsas memórias no Brasil, a psicóloga cognitiva Lilian M. Stein traz um panorama sobre a pesquisa científica e as aplicações práticas dos estudos sobre falsas memórias.

A Revista Nature e a ciência brasileira: como estamos?

Imagem: Google Images

Imagem: Google Images

Brasil aparece como o maior produtor de ciência do continente (disparado!), mas o fator de impacto das pesquisas ainda é baixo (menor do que o da Argentina, Chile, Peru e Colômbia).

Texto de Herton Escobar, diretamente no Estadão (original aqui)

“Estrelas da ciência na América do Sul”. Esse é o título de capa da revista Nature desta semana. E o Brasil é a estrela que mais brilha nessa constelação sul-americana — em vários aspectos, mas não em todos.

Aproveitando o gancho da Copa do Mundo de futebol, que começa amanhã, a revista traz como seu maior destaque um raio X da produção de ciência e tecnologia na América do Sul, com uma série de artigos, análises, gráficos e números, que mostram alguns contrastes e semelhanças muito interessantes entre os países do continente, assim como desafios que são compartilhados por eles.

O editorial da revista, por exemplo, chama atenção para o problema da baixa internacionalização da ciência sul-americana, que se relaciona ainda muito pouco com os grandes centros de produção científica no Hemisfério Norte. Segundo o texto, o Brasil enviou menos de 11 mil alunos de graduação e pós-graduação para os Estados Unidos em 2013, por exemplo — menos do que a Turquia e o Vietnã (países que, juntos, têm metade da população do Brasil).

Outro desafio é trazer de volta aqueles bons cientistas que vão para o exterior e contribuem para a internacionalização do continente, mas acabam não voltando para casa (a famosa “fuga de cérebros”). “Fãs de futebol na América do Sul estão acostumados a ver seus melhores jogadores se transferindo para o exterior. O esforço para reverter esse fluxo, tanto no esporte quanto na ciência, enfrenta grandes desafios. Mas é um esforço que vale a pena”, diz o editorial.

O pacote completo pode ser acessado neste link: http://migre.me/jLTzw

Em termos de produção científica, o papel do Brasil no cenário geral do continente é carregado de contrastes: O País é a maior potência científica da América do Sul em termos absolutos, inquestionavelmente, mas perde para alguns vizinhos em quesitos qualitativos.

Pontos positivos: O Brasil investe muito mais em pesquisa e desenvolvimento (P&D), tem quase dois terços dos cientistas e produz muito mais trabalhos científicos do que qualquer outro país da América do Sul. Pelas contas da revista, investe quase o dobro em ciência e tecnologia por ano do que investiu na Copa do Mundo: US$ 27 bilhões versus US$ 15 bilhões. Golaço!

Pontos negativos: O impacto internacional dessa produção científica ainda é baixo (menor do que o da Colômbia, Chile, Argentina e Peru, por exemplo — que em muitos casos pegam “carona” no impacto de seus colaboradores americanos e europeus); o grau de internacionalização e o número de patentes registradas pelo país nos EUA estão bem abaixo do esperado para o tamanho dessa produção científica; e o número de cientistas do País é proporcionalmente menor do que o da Argentina, quando se leva em conta o tamanho da população empregada de cada país.

Ou seja, temos muito do que nos orgulhar, mas também temos muito o que melhorar.

Em outra parte do especial, três cientistas brasileiros foram convidados para escrever sobre as políticas de ciência e tecnologia do País. O meteorologista Carlos Nobre, pesquisador do INPE e secretário do MCTI, fala sobre com a ciência aplicada ao desenvolvimento de produtos naturais pode ajudar no combate ao desmatamento da Amazônia. O neurocientista Sidarta Ribeiro, da UFRN, fala sobre o sistema Qualis e o problema da “numerologia” na avaliação de programas e pesquisadores. E o médico-pesquisador Jose Eduardo Krieger, da USP, fala sobre o problema da burocracia e os esforços institucionais que estão sendo feitos para combatê-la: http://migre.me/jLUwv

Em um artigo sobre como “transformar evasão de cérebros em circulação de cérebros”, o presidente emérito da Universidade Rockefeller e prêmio Nobel de Medicina em 1981, Torsten Wiesel, cita o pesquisador brasileiro Dario Zamboni, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, como um dos beneficiados pelo Pew Latin American Fellows Program, que voltou para o Brasil e está desenvolvendo pesquisas de ponta em biomedicina. Zamboni também foi destaque recentemente num especial de 40 anos da revista Cell, no qual falou sobre o problema da burocracia na ciência brasileira: http://migre.me/jLV0A

 

 

Gosta do Carl Sagan? Esta é a Série Sagan – Completa e legendada

Reid Gower resolveu fazer um tributo à NASA e ao – grande! – divulgador científico Carl Sagan. O quê ele fez? Criou uma série realmente muito boa, denominada The Sagan Series, com vídeos de mais ou menos seis minutos cada um. E você pode conferir completa e legendada (em um único vídeo) aqui:

Como bonustrack, Sagan falando sobre o progresso tecnológico em nosso planeta:

E sua última entrevista antes de falecer:

Pálido ponto azul em nova versão

Você provavelmente se lembra do trecho de Cosmos onde Carl Sagan nos coloca a par de quão pequenos somos no Universo, certo? Caso não lembre ou não tenha assistido, pode clicar aqui (está legendado).

Não é novidade que a famosa fotografia de “um ponto pálido azul”, feita pela sonda Voyager 1 a seis mil milhões de quilômetros da Terra e que inspirou Carl Sagan em um comovente texto segue emocionando como há 25 anos.

Agora uma nova e espetacular versão realizada pelo biotecnólogo e divulgador científico Hashem Al-ghaili, que mantém a voz original do próprio Carl Sagan como narrador, junto à de Charles Chaplin e Malcon X. Um vídeo espetacular.

O texto original foi escrito em 11 de maio de 1996, pelo próprio Sagan.

Post scriptum 16/jun: Você também estava esperando ansioso pela tradução deste trecho? Pois aqui está: trecho “pálido ponto azul”, encerrando a primeira temporada do remake de Cosmos (com o badass Neil Tyson).

 

[Vídeo] Mulheres na ciência

Durante uma conferência de ciência, uma pergunta é feita por um dos convidados e ex-presidente da Universidade de Harvard, que sugere que diferenças genéticas explicariam o fato de haver bem menos mulheres no campo da ciência do que homens. A resposta dada por Neil deGrasse Tyson é no mínimo sensacional.

Por que dar e receber carinho pode ser importante

Imagem: “Afeto”, de Augusto Higa – Museu de Arte do Parlamento de São Paulo

A maioria de nós gosta, desde muito pequeno, de fazer e receber carinho. No entanto, a carícia é importante? Parece que sim.

Sabe-se que nosso organismo conta com entre 6 ou 10 milhões de sensores táteis que recolhem informação tanto do interior quanto do exterior do corpo, sendo o sentido do tato o mais repartido e também o mais duradouro, daí que a pele seja considerada uma espécie de órgão social e o tato um instrumento de grande potencial.

Segundo o pesquisador Francis McGlone, as caricias mostram-se, portanto, como um dos padrões deste sentido e, segundo uma recente pesquisa, estas são transmitidas a partir da pele até o cérebro por meio de nervos cuja velocidade de condução é muito lenta. As fibras nervosas tácteis (CTs), como são denominados aos nervos que respondem às carícias, tem uma limiar perceptivo muito baixo e os receptores que as ativam estão localizadas na pele com presença de pelos. Trata-se de exatamente os mesmos receptores que também conduzem as sensações de dor ao cérebro.

Estes sensores nos fornecem informação desde o princípio de nossa vida, motivo pelo qual – “uma falha no sistema de CT durante o neurodesenvolvimento pode comprometer negativamente no funcionamento do cérebro social e o senso de si mesmo, tal e qual acontece com as pessoas com transtornos do espectro autista, que não processam adequadamente o tato emocional”, afirma Francis McGlone, líder do estudo.

Daí que os pesquisadores concluam que o déficit de carícias durante a vida precoce pode ter efeitos negativos sobre uma série de comportamentos e estados psicológicos na idade adulta, já que, ao não levar estas sensações tácteis ao sistema límbico -encarregado de gerenciar as respostas emocionais-, o desenvolvimento do cérebro é prejudicado.

O estudo (clique para ler), que foi publicado na revista Neuron, também alerta de que “em um mundo onde o tato fica relegado a um segundo plano com o aumento das redes sociais que fomentam a comunicação sem contato, e a diminuição de carícias afetuosas nos bebês por parte de babás e pais devido às pressões econômicas da vida moderna, é cada vez mais importante reconhecer quão vital e importante é uma afetuosa carícia”, termina Francis.

Via Eureka Alert e NDig.

De que modo aprendemos mais?

Quando pequena, meus colegas e eu tínhamos a mesma mania sobre as provas escolares: repetíamos os principais trechos dos textos até decorar, fazíamos a prova e no dia seguinte já não lembrávamos de mais nada. Parei de utilizar este método na terceira ou quarta série, mas encontrei muita gente utilizando-o na Universidade. Afinal, por que ele não funciona? É mais simples do que você pensa: nossos professores foram acostumados a incentivar a leitura, mas não o “assimiliar por si próprio” do conteúdo. Acabamos passivos da informação recebida.

Para explicar isso, utilizo aqui de um esquema feito por Edgar Dale (1989), denominado “Pirâmide da aprendizagem”:

A pirâmide do aprendizado

A pirâmide do aprendizado, por Edgar Dale

Viu só? Não adianta virar traça dos livros se você não problematizar o que lê. Vai esquecer rapidinho. Chris Lema também trouxe alguns dados interessantes:

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Infográfico do Mindasks

E um bom exemplo disso é como pensamos, por exemplo, as palavras:

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Olhando, ouvindo, falando e pensando as palavras

E existe todo um processo que acontece com nosso cérebro quando aprendemos algo (clique para ler), que não pode ser desconsiderado. Então se você quer realmente APRENDER algo, pense muito a respeito: O que você entendeu do texto? Quais conceitos você pode utilizar? Como você relaciona estas informações com a sua realidade cotidiana? Tente esquematizar, fazer conexões com a informação.

E se você quiser saber mais sobre a mielina (citada no post que deixei o link), o LifeHacker ajuda a explicar.

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