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Não há perguntas imbecis

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Por: Vera Rita da Costa no Ciência Hoje

Educadora discute por que a curiosidade e o interesse por temas científicos diminuem à medida que avança a vida escolar. E aponta, como um dos itens responsáveis, a incapacidade dos adultos de lidar de forma salutar com o questionamento.

Como dizia Carl Sagan, pode haver questões ingênuas, enfadonhas, mal formuladas, mas não há perguntas imbecis: toda pergunta é um grito para compreender o mundo. (foto: Chris Baker/ Sxc.hu)

Como dizia Carl Sagan, pode haver questões ingênuas, enfadonhas, mal formuladas, mas não há perguntas imbecis: toda pergunta é um grito para compreender o mundo. (foto: Chris Baker/ Sxc.hu)

É praticamente uma ideia de senso comum que as crianças são ‘cientistas inatos’. Elas são curiosas, observadoras, perguntadoras e experimentadoras ativas. Qualquer pai ou professor sabe disso. Mas também é notável e reconhecido por muitos o declínio da curiosidade e do interesse pela ciência que vai marcando o passar dos anos na escola.

A ciência (ou a forma de pensar da ciência) é conteúdo indispensável para o desenvolvimento da criticidade e da autonomia
Conforme os estudantes avançam na escolarização, a curiosidade e o interesse pelas coisas e fenômenos do mundo declinam acentuadamente, de tal maneira que, para desespero dos professores de ciências, parece ser possível traçar uma curva descendente que representa a perda do status das disciplinas científicas ao longo dos anos escolares – uma curva que parte da curiosidade extrema da criança da educação infantil, aos 4 e 5 anos, e chega ao tédio e à indiferença, praticamente absolutos, dos adolescentes do ensino médio.

Há, certamente, muitas explicações possíveis para isso e nenhuma delas, por si só, parece dar conta de um processo tão complexo. Isso não invalida, no entanto, refletir sobre elas, sobretudo se formos professores e quisermos interferir nesse declínio do interesse. Também, se formos pais, pois, embora nem sempre se discuta isso, a ciência (ou a forma de pensar da ciência) é conteúdo indispensável para o desenvolvimento da criticidade e da autonomia.

Não faria mal, portanto, se nossos filhos adquirissem um pouco mais de conhecimento científico e, com ele, um pouco mais desses ingredientes, não é mesmo?

Conforme os estudantes avançam na escolarização, a curiosidade e o interesse pelas coisas e fenômenos do mundo declinam acentuadamente, para desespero dos professores de ciências.

Como praticamente tudo em educação (e em termos de comportamento humano), as explicações para o declínio do interesse e da curiosidade pelo mundo ou pela ciência se dividem em dois grupos: há aqueles que consideram ser esse processo motivado por causas biológicas e há os que veem as causas culturais como suas motivadoras. Existe ainda uma terceira possível visão do assunto: a que considera ambos os fatores – biológicos e culturais – como integrados e, portanto, como necessários para explicar o desinteresse gradativo do jovem pelo mundo que o cerca.

Um dos argumentos que sustentam a visão biológica é o fato de a atividade científica envolver muitas habilidades relacionadas à exploração ativa e à obtenção de conhecimentos sobre o mundo (como a observação, o questionamento, a coleta, a classificação e a experimentação), e de essas habilidades serem vantajosas, do ponto de vista da sobrevivência.

Conforme os estudantes avançam na escolarização, a curiosidade e o interesse pelas coisas e fenômenos do mundo declinam acentuadamente, para desespero dos professores de ciências. (foto: Alice Konieczna/ Sxc.hu)

Conforme os estudantes avançam na escolarização, a curiosidade e o interesse pelas coisas e fenômenos do mundo declinam acentuadamente, para desespero dos professores de ciências. (foto: Alice Konieczna/ Sxc.hu)

Como tivemos oportunidade de discutir em outro artigo (clique aqui para ver), o brincar é uma das marcas registradas da infância. Por meio das brincadeiras, a criança explora o entorno (físico e social) e aprende, imitando e antecipando situações que serão vividas de forma real mais adiante em sua vida de jovem e adulto. É interessante, portanto, que na infância as pessoas ajam como ‘pequenos cientistas’, explorando ativamente o mundo em que se encontram. Também é interessante que se perguntem sobre ele, buscando com aqueles que consideram mais experientes (os adultos) respostas para o que lhes inquieta.

Porquês necessários
Ou seja, sob o ponto de vista biológico, mesmo aquele perguntar inesgotável que caracteriza a ‘fase dos porquês’ na infância teria uma função importante: adquirir rapidamente informações sobre o mundo, colocando em ação um conjunto valioso de habilidades relacionadas à curiosidade. Entre essas habilidades estão a capacidade de se admirar com o que se encontra no mundo, de se autoquestionar sobre o que é descoberto e buscar ativamente informações a respeito. Habilidades que, como se percebe, são imprescindíveis na ciência.

Ao imaginar, a criança ensaia suas primeiras hipóteses, da mesma forma que, quando experimenta algo novo, testa seus primeiros ‘experimentos’ para comprová-las. O mesmo acontece com suas perguntas: ao fazê-las, ela exercita uma de nossas habilidades mais primorosas – a capacidade de buscar ativamente informações sobre o mundo e registrá-las como aprendizados valiosos.

Entre as habilidades que vão se perdendo, estão a capacidade de se admirar com o que se encontra no mundo, de se autoquestionar sobre o que é descoberto e buscar ativamente informações a respeito.
Mas é aqui justamente que os argumentos biológicos começam a se entrelaçar com os culturais. O que acontece com essas habilidades ao longo da vida? Será que pura e simplesmente elas declinam e desaparecem? Ou começam a ser minadas em nosso processo de socialização e, principalmente, de escolarização?

No que diz respeito à capacidade de perguntar, por exemplo, o que fazem os professores e os pais, assim como outros adultos, diante dos questionamentos insistentes das crianças? Como agem diante desse impulso natural e valioso que envolve o querer saber mais sobre o mundo em que se encontram?

De forma geral, os adultos ficam desconcertados diante das perguntas das crianças, desviam-se delas ou oferecem repostas prontas e banais. Isso, quando não se irritam ou zombam das questões dos pequenos.

Muitos pais e/ou professores não sabem e não gostam de lidar com a dúvida e a incerteza. (foto: S Braswell/ Sxc.hu)

Muitos pais e/ou professores não sabem e não gostam de lidar com a dúvida e a incerteza. (foto: S Braswell/ Sxc.hu)

Certo e errado
O fato é que vivemos em uma sociedade que supervaloriza o saber; na qual é preciso ter respostas e, além disso, respostas corretas. Não saber é vergonhoso. Cometer erros é impensável. Além disso, consideramos que há somente o certo e o errado. Não há meio termo. Não há conhecimento em elaboração. O conhecimento reconhecido e valorizado é aquele que está estabelecido. E, se não sabemos a resposta (certa) para algo, é ‘normal’ que não saibamos como lidar com a pergunta. Essa é a lógica que impera e que nos faz, em geral, desviar, desconsiderar ou desdenhar das perguntas feitas pelas crianças.

Se não sabemos a resposta (certa) para algo, é ‘normal’ que não saibamos como lidar com a pergunta
Como aprendizes supereficientes, as crianças, por sua vez, logo entendem essa lição. Elas reconhecem rapidamente que suas perguntas incomodam, não são consideradas ou recebem respostas triviais. Deixam, assim, gradativamente de perguntar e iniciam sua trajetória rumo à apatia em relação aos fatos e aos fenômenos do mundo que caracteriza a vida de muitos adolescentes e adultos.

Se você é professor de ciências e já deu aulas no início e no final do ensino fundamental, sabe do que estamos falando. Mas, se não viveu essa realidade, há uma descrição do astrônomo Carl Sagan (1934-1997), em seu livro O mundo assombrado pelos demônios – a ciência vista como uma vela no escuro (Companhia das Letras, 2006), que revela essa realidade. Diz Sagan:

“De vez em quando, tenho a sorte de lecionar num jardim de infância ou numa classe de primeiro ano primário. Muitas dessas crianças são cientistas natos [...] São curiosas, intelectualmente vigorosas. Perguntas provocadoras e perspicazes saem delas aos borbotões. Demonstram enorme entusiasmo [...]. Mas, quando falo a estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam ‘fatos’. Porém, de modo geral, a alegria da descoberta, a vida por trás dos fatos, se extinguiu em suas mentes [...] Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas ‘imbecis’; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica inundada de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, se eles têm a aprovação de seus pares.

Entre as habilidades que vão se perdendo, estão a capacidade de se admirar com o que se encontra no mundo, de se autoquestionar sobre o que é descoberto e buscar ativamente informações a respeito. (foto: Jean-Pierre Knapen/ Sxc.hu)

Entre as habilidades que vão se perdendo, estão a capacidade de se admirar com o que se encontra no mundo, de se autoquestionar sobre o que é descoberto e buscar ativamente informações a respeito. (foto: Jean-Pierre Knapen/ Sxc.hu)

Muitos pais e/ou professores não sabem e não gostam de lidar com a dúvida e a incerteza.

É evidente que a puberdade ou outros fatores biológicos, por si só, não explicam o desinteresse por ciências que aos poucos vai tomando conta dos pré-adolescentes e chega ao cume na adolescência.

Para entender esses processos, é preciso somar a essas explicações fatores sociais, entre os quais, como Sagan assinala em seu livro: a desvalorização que nossa sociedade faz das carreiras científicas, a falta de modelos e discussão inteligente sobre ciência e tecnologia, a pressão dos pares sobre aqueles que buscam o caminho intelectual (considerados nerds, chatos e desinteressantes) e, o que nos interessa em particular aqui, a incapacidade dos adultos de lidar de forma salutar com o questionamento.

Apologia da dúvida
Mesmo sendo pais e/ou professores, o fato é que não sabemos e não gostamos de lidar com a dúvida e a incerteza. Consideramos errado admitir que não sabemos alguma coisa e, como diz Sagan, gostamos de “fingir onisciência” para as crianças. Isso, mesmo sabendo que a dúvida e a incerteza são dois dos princípios elementares da ciência.

No livro infantil Ei! Tem alguém aí? (Companhia das Letrinhas, 1997), o filósofo e escritor Josten Gaarden também faz a apologia das perguntas, de sua presença na infância e da importância de sua permanência na vida adulta. Um dos personagens-criança do livro, Mika, curva-se em reverência diante de cada pergunta que recebe, e as reverências de Mika são cada vez mais expressivas, conforme a profundidade da pergunta.

Diante de respostas, no entanto, o mesmo personagem não se curva, porque, como ele próprio explica, “a resposta é sempre um trecho de caminho que está atrás de você. Só uma pergunta pode apontar o caminho para frente”. Em outras palavras, menos poéticas, o personagem poderia ter dito: respostas são conhecimentos consolidados, estabelecidos. Perguntas, por sua vez, representam a chance do novo, do surgimento de novos conhecimentos, de inovação e de mudança.

O personagem criado por Josten Gaarden, como você pode imaginar, não é desse mundo. Nada impede, no entanto, que aprendamos com ele. A cada pergunta, cabe uma reverência. Afinal, como diz Carl Sagan, há perguntas de muitos tipos (profundas, ingênuas, enfadonhas ou mal formuladas). O que não há são perguntas imbecis. Toda pergunta – diz Sagan – é um grito para compreender o mundo.

E se você quiser, pode assistir também ao documentário “Educação Proibida“:

Ciência para crianças: é possível? É sim!

Imagem: O mundo de Beakman

Imagem: O mundo de Beakman

Sempre imaginei como ensinaria ciência, caso tivesse filhos. Aí começaram a surgir as crianças na família: primos, sobrinha, afilhados, e a minha dúvida se dissipou: é possível, sim, ensinar ciência para crianças.

No intuito de auxiliar os que buscam métodos e ferramentas para este ensino, decidi fazer esse post. Você confere aqui algumas dicas, e deve lembrar que crianças são cientistas naturais. Estimule a curiosidade.

NA TELINHA:

  • Kika e a série “De onde vem?”exemplo aqui É comum nos depararmos com os pequenos perguntando coisas como “De onde vem o arco-íris?”, “De onde vem o papel?”, “De onde eu vim?”. Esta série explica de forma simples as respostas. Você pode encontrar diversos vídeos no Youtube, ou na grade de programação da TV Escola.
  • O mundo de Beakmanexemplo aqui No programa original de Beakman, eram lidas cartas de tele-espectadores reais, dos EUA, porém com a tradução para português e exibição no Brasil foi utilizado nomes fictícios, o que era o gancho para a realização de experiências (que ensinava como reproduzi-las em casa) e a abordagem divertida de conceitos científicos. Ocasionalmente interpretava cientistas já falecidos, como Albert Einstein, Isaac Newton, Bernoulli, Alexander Graham Bell, Charles Darwin e Benjamin Franklin.
  • Castelo Rá Tim Bumexemplo aqui Programa infantil de televisão brasileiro produzido e transmitido pela TV Cultura, TV Brasil e pela TV Rá-Tim-Bum. Voltado para o público infanto-juvenil e seguindo uma abordagem pedagógica, o programa estreou no dia 9 de maio de 1994 até deixar de ser produzido em 1997.
  • Moko: o jovem exploradorexemplo aqui Animação para crianças que mostra histórias vividas por um menino africano com explicações básicas sobre os fenômenos naturais. O episódio de demonstração está em espanhol, mas você encontra em português na grade da TV Escola.
  • O sistema solar para criançasexemplo aqui O sistema solar explicado de forma simples e didática. Este vídeo foi produzido de forma avulsa, não faz parte de série.
  • Sid, o cientistaexemplo aqui O curioso Sid inicia cada episódio com uma pergunta – e a responde com demonstrações junto a seus amigos. Episódios totalmente pedagógicos e informativos.
  • Pequenos cientistasexemplo aqui Os pequenos cientistas investigam as respostas para as perguntas sobre a natureza. Feito pela TV Cultura.
  • Ciência hoje das crianças aqui O canal do CH no Youtube disponibiliza diversas experiências e curiosidades para o público infantil.
  • De volta para o futuroexemplo aqui Além de divertido, sempre ensina uma experiência no final.
  • Donald no país da matemágicaexemplo aqui Embora seja pouco conhecido no Brasil, este episódio é sensacional. Donald encontra o país da matemágica, onde aprende sobre formas, obras de arte, música e atualidades, tudo sob conceitos matemáticos.

NA WEB:

  • Ciência Hoje das crianças –  o site reúne pequenos artigos, vídeos e jogos sobre os mais variados tema: de matemática à história.
  • Pulga na Idéia -Site interessante com notícias para crianças. Pena que está desatualizado.
  • Brincando com Ciência - Iniciativa do Observatório Nacional, bem completo e divertido. Possui uma série de jogos e desafios sobre assuntos ligados à Astronomia, como a Terra, planetas, cometas, galáxias e etc.
  • Ciência para Crianças - A parte de curiosidades é bem interessante. Hospedado no Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ. também desatualizado.
  • Science News for kids -Se lê fluentemente em inglês, esta é uma ótima pedida.
  • Biokids - Espaço criado especialmente para as crianças aprenderem Ciências de uma maneira descontraída, por meio de jogos e ilustrações.

Tem mais? Tem sim!

Banco Internacional de Objetos Educacionais – Este Repositório possui objetos educacionais de acesso público, em vários formatos e para todos os níveis de ensino. Acesse os objetos isoladamente ou em coleções.

Nesse momento o Banco possui 12.139 objetos publicados, 3.072 sendo avaliados ou aguardando autorização dos autores para a publicação e um total de 1.893.343 visitas de 164 países.

TV Escola – A TV Escola é o canal da educação. É a televisão pública do Ministério da Educação destinada aos professores e educadores brasileiros, aos alunos e a todos interessados em aprender. A TV Escola não é um canal de divulgação de políticas públicas da educação. Ela é uma política pública em si, com o objetivo de subsidiar a escola e não substituí-la. E em hipótese alguma, substitui também o professor. A TV Escola não vai “dar aula”, ela é uma ferramenta pedagógica disponível ao professor: seja para complementar sua própria formação, seja para ser utilizada em suas práticas de ensino. Para todos que não são professores, a TV Escola é um canal para quem se interessa e se preocupa com a  educação ou simplesmente quer aprender.

Discovery na Escola – O Discovery Channel na Escola é um projeto que participa das aulas através do sinal da TV por Assinatura, que poderá ser transmitido diretamente à escolas por cabo ou por antena parabólica, e faz parte da programação do Discovery Channel.

Instituto Ciência Hoje – O Instituto Ciência Hoje (ICH) é uma organização social de interesse público sem fins lucrativos vinculada à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). É responsável por projetos de divulgação científica, por meio de uma série de publicações: o ICH publica a revista Ciência Hoje desde 1982, a Ciência Hoje das Crianças desde 1986 e os livros da série Ciência Hoje na Escola desde 1996. Desde 1997, o Instituto mantém também um portal de divulgação científica na internet: a Ciência Hoje On-line.

Revista Nova Escola – Site da revista Nova Escola de divulgação pedagógica da Editora Abril.

National Geographic Channel – Site do canal por assinatura, National Geograpic, rico em vídeos e imagens da natureza, da ciência e do mundo. Site importante para pesquisa de imagem e documentários.

BBC Brasil – Ciência e Saúde – Seção de Ciência e Saúde do Site da BBC Brasil. Boa fonte de notícias científicas para a produção de podcast e busca de vídeos com inovações do mundo da ciência e da tecnologia.

Domínio Público – O “Portal Domínio Público”, lançado em novembro de 2004 (com um acervo inicial de 500 obras), propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime, colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores – Internet – uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral.

Este portal constitui-se em um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal.

Wiki Aves – Site de conteúdo interativo, direcionado à comunidade brasileira de observadores de aves, com o objetivo de apoiar, divulgar e promover a atividade de observação de aves, fornecendo gratuitamente ferramentas avançadas para controle de fotos, sons, textos, identificação de espécies, comunicação entre observadores, entre outras.

Vídeos para o Ensino da Física e da Química – Blog português que apresenta uma grande quantidade de vídeos educativos recolhidos sobre temas de física, química de modo a promover a alfabetização científica.

Issuu – Tenha a disposição um mundo de publicações de pessoas e editores. Revistas, livros, trabalhos acadêmicos, artigos, enfim, um grande acervo colaborativo em todas as áreas do conhecimento.

Filmes para ciências – Lá poderá encontrar filmes com temáticas nas ciências. Em decorrência da vastidão de filmes que podem ser aplicados para o ensino de ciências, esse site estará em constante atualização. Assim, na seção “Comentários” o visitante pode contribuir com sua sugestão de filmes para que possamos adicionar ao site.

PontoCiência – O site mistura experiências, projetos e informações educativas. É fácil de acessar, e conta com uma comunidade de discussões sobre os temas.

Klick Educação – Destinado a alunos, pais e professores. Com material informativo dividido por idades, é rico em discussões.

Outras dicas úteis:

Tem mais alguma dica? Envie por comentário que logo ela será colocada aqui! :D

Afinal, a tecnologia realmente afetou nossos cérebros?

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Imagem: Google Images

Nossos cérebros tem uma habilidade chamada neuroplastia – basicamente, é a capacidade do órgão de se adaptar de acordo com nossas necessidades e experiências. E a ciência conseguiu provar que a nossa forma de vida, dependente da internet e de gadgets, modificou o funcionamento de nossos sistemas nervosos.

Calma. Antes que você pense que vamos discorrer sobre os malefícios da web em relação a nossa capacidade de atenção, ou sobre os benefícios que apps trouxeram para organizar nossas vidas, tópicos ainda controversos, listamos uma série de pesquisas que provam como a tecnologia alterou os nossos cérebros – sejam mudanças boas ou ruins. Confira:

As cores de nossos sonhos mudaram

E isso é culpa da TV. Da mesma forma que, há alguns anos, também era culpa da TV que muita gente tenha passado a sonhar em preto e branco. Explicamos – antes da popularização da telinha, nossa psique era influenciada pelo mundo ‘real’. Quando passamos a dedicar boa parte do dia aos programas da televisão, eles também começaram a deixar impressões em nosso subconsciente. A maior prova é um estudo da Universidade de Duke, que analisou registros de sonhos de dois grupos: adultos acima de 55 anos, que passaram anos de suas vidas vendo TV em preto e branco, e pessoas mais jovens, já nascidas após a era do Technicolor. O primeiro grupo tinha uma tendência maior a ter sonhos em p&b. Já o segundo, tinha sonhos mais coloridos. A Associação de Psicologia Americana reproduziu o experimento e comprovou seus resultados.

Sofremos com FOMO

Você certamente já ouviu falar da síndrome chamada de “FOMO” (sigla para Fear of Missing Out, traduzido livremente para algo como ‘medo de ficar por fora’), que afetaria as gerações mais novas, nascidas na era da informação. O New York Times define o FOMO como ‘uma mistura de ansiedade, inadequação e irritação que surge quando se está por fora das mídias sociais’. Basicamente, como você fica ao passar alguns dias sem acessar o Facebook, ou quando esquece o smartphone em casa. Outro ‘sintoma’ é quando estamos em casa, relaxando, vendo alguma série no Netflix e temos aquela urgência de fazer outra coisa, de que deveríamos estar em outro lugar, falando com outras pessoas. Ou mesmo quando estamos em uma festa e sentimos essa angústia que nos informa que ‘podíamos estar gastando nosso tempo de outra forma’. A teoria é que essa sensação é causada por horas e horas olhando nossos contatos fazerem as coisas mais incríveis em imagens e posts no Instagram e no Facebook – e nos esquecemos que momentos de tédio fazem parte da vida.

Vibração fantasma

“Opa, o que é isso? Meu celular vibrou? Será que recebi uma mensagem? Ou um GIF no Relay? Tem alguém me ligando?”. Você tira o celular do bolso/bolsa e percebe que não – o celular não tem nenhuma notificação. O que acontece é que nosso cérebro está programado para achar que os smartphones estão vibrando. Não chega a ser incômodo, mas, se pararmos para pensar, o fenômeno é muito estranho. Um estudo publicado pelo Computers and Human Behavior descobriu que 89% de 290 estudantes universitários sentiam as vibrações fantasma pelo menos uma vez a cada duas semanas.

Temos mais dificuldade de dormir

O que você faz nos minutos que antecedem o sono? Lê um livro no iPad? Assiste à TV? Ou vê Parks and Recreation no Netflix com o notebook no colo? Cientistas acreditam que a exposição às telas durante a noite bagunça o nosso organismo e dificulta o sono. A ideia é que a luz emitida pelos eletrônicos faz com que o nosso corpo ‘acredite’ que ainda estamos sob a luz do dia. Ou seja, ainda não seria a hora de dormir. “E por que isso não acontece desde que lâmpadas foram instaladas nas casas de nossos bisavós e avós?”, você pode se perguntar. A suspeita recai sobre o tipo de luz emitida pelas telas, que é mais azulada e ‘parecida’ com a luz do dia.

Temos mais habilidades visuais

Um estudo de 2013 indicou que games como Halo e Call of Duty (tiro em primeira pessoa), aumentam nossa capacidade de tomar decisões rápidas e estimulam jogadores a verem mais em menos tempo. Isso faz com que esses gamers tenham mais noção de espaço – coisa que pode ser útil não apenas no mundo virtual. Eles também conseguem discernir mais facilmente objetos em situações com pouca iluminação.

Os reis do multitask

Jogos de estratégia como Starcraft aumentam a ‘flexibilidade cognitiva’ do cérebro. Isso quer dizer que conseguimos alternar tarefas mais rapidamente, ou fazer duas (ou mais) coisas ao mesmo tempo com facilidade – a invejada capacidade de multitask. Estudos apontam que o efeito dos games é ainda mais pronunciado em pessoas mais velhas.

Artigo da Revista Galileu, inspirado por esta lista do Mashable.

8 vídeos absolutamente inspiradores sobre o cosmos

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Discursos apaixonados de grandes cientistas dão vida e beleza a conceitos abstratos da ciência

Ciência, filosofia e poesia se misturam na fala de grandes cientistas, em post publicado pela Revista Galileu (visite o site da revista, clicando aqui). Eu já havia publicado neste blog um post de vídeos inesquecíveis sobre ciência (se você não viu, veja).

Quando a ciência se mistura a discursos apaixonados e poéticos, o resultado não poderia deixar de ser uma profunda sensação de inspiração. Caso o assunto abordado e a forma como ele é exposto sejam realmente tocantes, podem provocar até mesmo um senso de reverência para com a natureza e a vida como um todo.

Cientistas de muito talento que se dedicam à divulgação científica conseguem, com frequência, obter resultados parecidos com o de grandes filósofos. Eles estimulam, de forma didática, a mente de seus ouvintes para que estes compartilhem da paixão pela ciência e também do maravilhamento pelo cosmos.

Confira abaixo grandes nomes da ciência falando sobre o cosmos, de forma muito inspiradora:

1 – Cosmos, de Carl Sagan
Falar de ciência inspirada é quase que um sinônimo de falar de Carl Sagan. O astrônomo foi talvez o mais popular divulgador de ciência, e seu carisma é contagiante. Com a série Cosmos, lançada em 1980, Sagan inspirou o interesse pela astronomia em milhões de pessoas mundo afora. A série explora profundamente não apenas o cosmos, como também o nosso papel nele.

2 – O átomo e o chimpanzé, com Neil deGrasse Tyson
Com seu jeito irreverente e cativante, Tyson (atual apresentador da continuação da série Cosmos) reflete neste vídeo sobre sermos todos poeira de estrelas. Ele também fala de vida extraterrestre e lança uma provocação: será que somos tão evoluídos como pensamos? Para uma civilização alienígena avançada, talvez não sejamos muito mais do que chimpanzés.

3 – Grandes questões sobre o Universo, com Stephen Hawking
Hawking é, sem dúvida, um dos maiores gênios dos nossos tempos. Suas contribuições no campo da cosmologia são inúmeras. Nesta palestra TED, o físico trata do Big Bang e da evolução do universo, além de refletir sobre a possibilidade de vida em outros planetas.

4 – Do Big Bang aos dias atuais, com Brian Cox
Eis uma síntese notável: quase 14 bilhões de anos em apenas dois minutos. É interessante ver como o físico britânico Brian Cox, autor de diversos programas e documentários, resume a evolução do cosmos, do Big Bang aos dias atuais.

5 – Uma noite com as estrelas, com Brian Cox
Se você gostou da retórica apaixonada de Cox, pode se interessar também por este programa de auditório da BBC apresentado por ele. A figura do diamante é explorada de diversas formas, usada para exemplificar mistérios do universo. Física quântica e outros assuntos são abordados de forma divertida, com a condução de experimentos no palco.

6 – Multiverso e Teoria das Cordas, com Brian Greene
Se interessou pelo conceito de Multiverso? Nesta TED, Brian Greene aprofunda a ideia, relacionando-a de maneira didática e com recursos interativos à elegante e ainda não comprovada Teoria das Cordas. Ela concebe a estrutura mais básica da matéria como sendo um filamento energético que vibra e cria tudo o que podemos ver (e o que não podemos).

7 – Reflexões sobre nós mesmos e a ciência, com Lawrence Krauss
Nesta breve reflexão filosófica, Krauss pensa sobre o fazer científico e sobre a estranheza que assuntos como a mecânica quântica causa ao ser humano. Nós simplesmente não evoluímos para entender conceitos tão abstratos. No entanto, depois de um considerável esforço para compreendê-los, eles proporcionam visões e entendimentos sobre o cosmos absolutamente compensadores.

8 – Symphony of Science
Esta última sugestão sintetiza de maneira excelente o que chamamos aqui de ciência inspirada: através da música. Na série Symphony of Science (Sinfonia da Ciência), John Boswell musicalizou diversos trechos de palestras de renomados cientistas. O resultado é incrível. Com melodias poderosas, as mensagens apaixonadas de muitos dos mestres aqui mencionados fica gravada na cabeça. Confira Carl Sagan e Stephen Hawking em um fantástico dueto cósmico.

[Vídeo] Stephen Hawking simplificado

Sem tempo para ler “Uma Breve História do Tempo” de Stephen Hawking? Suas ideias simplificadas:

[Vídeo] Campanha pede que pais incentivem suas filhas a amarem a ciência

O comercial da operadora Verizon pede que os pais reflitam sobre como estão educando as meninas.

A operadora de telefonia celular, Verizon, lançou um comercial que promete fazer pais de meninas refletirem sobre como estão educando suas filhas. O vídeo mostra sobre como a família tende a eliminar, aos poucos, o interesse das meninas pela ciência e engenharia. Diferente do que acontece na criação dos meninos.

Na campanha, uma menina aparece sendo repreendida pelos pais quando se envolve com trabalhos manuais e brincadeiras que possam “sujar o seu vestido”. E pede para que os pais incentivem suas filhas a pesquisarem e serem brilhantes. O comercial foi criado para divulgar o trabalho da Fundação Verizon, que incentiva meninas a seguirem carreira na ciência. Segundo a entidade, apenas 14% das meninas desejam ser cientistas.

Em sua página, a Verizon explica que apesar de representarem metade da força de trabalho, apenas 25% das mulheres estão inseridas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Abaixo, o vídeo:

Celebrando o mistério

 

Imagem: Google

Imagem: Google

Texto de Marcelo Gleiser,
publicado na Folha de São Paulo
e replicado n’O sorriso do gato de Alice

Mistério parece ser palavra antitética à ciência. Afinal, não é a ciência que nos livra desse tipo de crença, de que a realidade é envolta num véu de mistério? Temos que tomar cuidado com o que significa mistério, e como a ciência lida com o desconhecido.

Mistério não implica algo sobrenatural. Por mistério, quero dizer aquilo que está além do conhecido. A questão essencial é se o que está além do conhecido é conhecível ou não. Ou seja, será que existem aspectos do mundo natural que estão fora do alcance da ciência? Será que existem questões que, apesar de serem científicas, não têm resposta? A resposta, talvez chocante, é um categórico “sim”.

Para entendermos isso, devemos começar do começo, analisando como funciona a ciência. É claro que, nesse espaço, posso apenas esboçar alguns dos argumentos. Mas já é alguma coisa.

A ciência pode ser vista como um processo de amplificação da nossa percepção. Nossos cinco sentidos são como antenas, que captam diferentes aspectos da realidade física à nossa volta: vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos, degustamos. O cérebro é um sistema excepcionalmente complexo de integração, que sintetiza os estímulos que captamos do mundo e cria a noção de realidade.

Por outro lado, sabemos que nossa percepção do mundo é limitada: o que vemos e ouvimos, por exemplo, é mera fração do que existe “lá fora”;. Por isso nossa construção da realidade, baseada nos cinco sentidos, é profundamente limitada. O mundo é muito mais do aquilo que somos capazes de perceber.

Aqui entra a ciência, com seus instrumentos de exploração. São eles que usamos para ampliar nossa percepção do real, vendo mais longe e com mais detalhes, ouvindo o que nossos ouvidos não ouvem, estendendo o mundo muito além do que nossos cérebros captam. Com isso, vemos muito mais da realidade: mundos a bilhões de anos-luz daqui, bactérias e moléculas invisíveis aos olhos, partículas elementares numa dança constante de criação e destruição, fenômenos cósmicos que ocorreram quase que na origem do próprio tempo. Vemos tudo isso, mas não vemos tudo.

Todo instrumento de exploração tem um determinado alcance, uma determinada precisão. Com um bom par de binóculos, podemos ver quase tão bem quanto Galileu viu com seu telescópio em 1609. Vemos crateras e montanhas na Lua, fases em Vênus, as quatro maiores luas de Júpiter etc. Mas não vemos galáxias. Para isso, precisamos de telescópios maiores. E mesmo estes têm os seus limites. Vemos cada vez mais da natureza, mas nunca o suficiente, e certamente nunca veremos tudo. Existe sempre um véu em torno da nossa percepção do mundo.

Fora essa limitação instrumental, a própria natureza oferece barreiras ao conhecimento: a velocidade da luz implica que só podemos conhecer uma parte do Universo, aquela contida no "horizonte", definido como a distância máxima que a luz viajou desde o Big Bang, 4 bilhões de anos atrás. O Universo continua após o horizonte, mas está além da nossa percepção.

Assim como a velocidade da luz, existem outros limites naturais, que confirmam a existência do mistério à nossa volta. Quanto mais cresce a Ilha do Conhecimento, mais cresce a sua periferia, que delimita a dimensão da nossa ignorância, a barreira entre o conhecido e o desconhecido.

—–

Marcelo Gleiser é professor de física e astronomia do Dartmouth College, em Hanover (EUA). É vencedor de dois prêmios Jabuti.

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