100 sites indispensáveis de pesquisa científica e acadêmica

Os principais sites para pesquisas científicas servem como referências de auxílio a pesquisa são essenciais para qualquer pesquisador.

Agradecimentos ao Even3

Referências e ferramentas de auxílio a pesquisa são essenciais para qualquer pesquisador e para quem está realizando trabalhos científicos ou acadêmicos. Portanto, nada melhor do que conhecer os principais sites para pesquisas científicas e as melhores ferramentas para encontrar conteúdo e publicações relacionadas a sua área de pesquisa e deixar seu trabalho ainda mais rico.

Selecionamos abaixo 100 ferramentas, categorizadas nas mais diversas áreas de conhecimento para auxiliar no seu dia a dia de pesquisas, prepare a sua barra de favoritos e deixe salvo as ferramentas para quando for realizar as suas pesquisas! Infelizmente a grande maioria das ferramentas são em inglês, caso conheça alguma ferramenta em português estamos abertos a sugestões nos comentários.

Segue a lista com os 100 principais sites para pesquisas científicas:

Livros e Periódicos

  • Bioline International: para publicações científicas; feita por cientistas de maneira colaborativa.
  • Directory of Open Access Journals: ache textos de alta qualidade em um diretório aberto com mais de 2 milhões de artigos.
  • Google Scholar: Ferramenta do Google específica para trabalhos científicos e acadêmicos. Nada melhor do que ter um dos melhores mecanismos de busca a sua disposição.
  • Google Books: pesquise um índice de livros do mundo inteiro, com várias opções gratuitas.
  • HighBeam Research: pesquise com vários tipos de filtros e ferramentas.
  • Jurn: resultados de pesquisa de mais de 4 mil jornais escolares gratuitos sobre artes e humanidades.
  • SpringerLink: publicações digitais, protocolos e livros sobre todo assunto possível.
  • Online Journals Search Engine: ferramenta de pesquisa científica poderosa em que você pode achar jornais, artigos, reportagens e livros científicos.
  • Open Library: encontre livros clássicos, e-Books e todo tipo de material gratuito. Você pode indicar textos para o site.
  • Scirus: exclusivo para informações científicas. São mais de 460 milhões de materiais da área.
  • Vadlo: repositório de pesquisas científicas.
  • WorldCat: itens de 10 mil bibliotecas como livros, DVDs, CDs e artigos.

Negócios e Economia

  • BPubs: tenha acesso a publicações sobre negócios e mercado em uma ferramenta de busca especializada.
  • Corporate Information: perfeito para empresas de pesquisa.
  • DailyStocks: site para monitorar ações de mercado.
  • EconLit: acesse todo tipo de material de mais de 120 anos de literatura sobre economia mundial de 1886 a 1968.
  • EDGAR Search: sistema de pesquisa eletrônica com documentos e textos sobre investimento.
  • Inomics: economistas vão adorar este site com recursos que incluem empregos, cursos e conferências.
  • National Bureau of Economic Research: tenha acesso a grandes ferramentas na pesquisa sobre economia.
  • Research Papers in Economics: pesquisa em economia e ciências relacionadas. Artigos, livros e até softwares com mais de 1,2 milhões de resultados.
  • Virtual Library Labour History: esta biblioteca oferece conteúdo histórico sobre economia, negócios e muito mais.

História

  • American History Online: encontre coleções de materiais históricos digitais.
  • David Rumsey Historical Map Collection: mais de 30 mil imagens históricas que podem ser buscadas por palavra-chave.
  • Digital History: banco de dados digital histórico da Universidade de Houston com links para textos e todo tipo de material educacional sobre história.
  • Fold3: tenha acesso a um grande arquivo histórico militar com registros originais e memoriais.
  • Genesis: excelentes materiais sobre a história da mulher.
  • History and Politics Out Loud: pesquise registros importantes da história do mundo, principalmente material político em áudio.
  • HistoryBuff: arquivo de jornais históricos online e biblioteca de referência.
  • History Engine: ferramenta colaborativa para educação em que os alunos aprendem história ao pesquisar, escrever e publicar artigos, criando uma grande coleção de textos sobre a história dos EUA que podem ser buscados por outros alunos.
  • Internet Ancient History Sourcebook: bom lugar para pesquisar sobre a origem humana com textos completos sobre antigas civilizações como Mesopotâmia e Roma, além da origem cristã.
  • Internet Modern History Sourcebook: milhares de materiais sobre história moderna.
  • Library of Anglo-American Culture and History: guia histórico da Biblioteca Anglo-Americana de Cultura e História.

Ciências Sociais

  • Anthropological Index Online: pesquisa em mais de 4 mil periódicos da Biblioteca do Museu de Antropologia Britânico, assim como filmes do Instituto Royal de Antropologia.
  • Anthropology Review Database: banco de dados com resenhas e vários outros materiais sobre antropologia.
  • Behavioral Brain Science Archive: extenso arquivo para pesquisa sobre artigos de ciência do cérebro e psicologia.
  • Encyclopedia of Psychology: informações básicas ou não, traduzidas para o inglês sobre carreiras na psicologia, organizações, publicações, pessoas e história.
  • Ethnologue: pesquise por todo tipo de línguas e linguagens do mundo com enciclopédia de referências de todas as palavras conhecidas dos idiomas ainda existentes.
  • Political Information: ferramenta de busca sobre política com mais de 5 mil sites cuidadosamente escolhidos.
  • Psycline: localizador de artigos e textos sobre psicologia e ciências sociais.
  • Social Sciences Citation Index: site pago, mas que vale a pena devido à riqueza e relevância dos artigos apresentados na pesquisa.
  • Social Science Research Network: grande variedade de artigos sobre ciências sociais de fontes especializadas.
  • SocioSite: site feito pela Universidade de Amsterdã  com material de assunto sociológico incluindo ativismo, cultura, paz e racismo.
  • The SocioWeb: guia para todo tipo de material sociológico que possa ser encontrado na internet.
  • WikiArt: acesso livre a artigos sobre arqueologia.

Ciências

  • Analytical Sciences Digital Library: ache recursos educacionais na área de ciências com uma grande variedade de formatos e aplicações.
  • Athenus: autoridade em ciência e engenharia na web.
  • Biology Browser: encontre pesquisas, recursos e informações na área de Biologia.
  • CERN Document Server: esta organização de pesquisa nuclear disponibiliza um grande diretório com experimentos, arquivos, artigos, livros e apresentações de seu acervo.
  • Chem BioFinder: tudo sobre química, incluindo propriedades e reações.
  • SciCentral: as melhores fontes sobre ciências com pesquisas de literatura, banco de dados e outros recursos para achar o que precisa.
  • Science.gov: neste portal da ciência feito pelo governo norte americano, você pode pesquisas em mais de 50 bancos de dados e 2100 sites selecionados de 12 agências federais.
  • SciSeek: ferramenta de pesquisa científica com o melhor que a internet pode oferecer.
  • Strategian: encontre informações de qualidade em todas as áreas da ciência como livros completos, jornais, revistas e muito mais.
  • WorldWideScience: mostra excelentes resultados na pesquisa de ciências e até em bancos de dados específicos.

Matemática e Tecnologia

  • Citebase: recurso para achar materiais de matemática e tecnologia, entre outros assuntos.
  • CiteSeerX: através deste site você tem acesso à Biblioteca Digital de Pesquisa Científica.
  • Current Index to Statistics: índice bibliográfico com publicações sobre estatística, probabilidade e áreas correlatas.
  • Inspec: banco de dados feito para cientistas e engenheiros pelo Instituto de Engenharia e Tecnologia. São mais de 13 milhões de resultados na busca por física e engenharia.
  • MathGuide: encontre diversas fontes de informação sobre matemática.
  • Math WebSearch: neste site você pode fazer uma busca por números e fórmulas, além de textos.
  • The Collection of Computer Science Bibliographies: mais de 3 milhões de referências em artigos, textos, jornais e relatórios técnicos de ciências.
  • ZMATH Online Database: milhões de resultados de milhares de artigos sobre matemática desde 1826.

Bancos de Dados e Arquivos

  • Archivenet: é um dos principais sites para pesquisas científica, ele é uma iniciativa do Centro Histórico Overijssel, o site facilita a busca de arquivos em holandês.
  • Archives Hub: encontre o melhor do que a Grã-Bretanha tem para oferecer nestes arquivos de mais de 200 instituições britânicas.
  • arXiv e-Print Archive: arquivos da Universidade Cornell e acesso a materiais de matemática, ciências e assuntos relativos.
  • Catalog of U.S. Government Publications: pesquise o catálogo de publicações do governo dos EUA para achar textos históricos e atuais.
  • CIA World Factbook: a agência de inteligência dos EUA oferece muita informação de referência mundial como história, pessoas, governos, economias e muito mais.
  • Library of Congress: acervo da Biblioteca do Congresso norte-americano; acesso a documentos, fotos históricas e incríveis coleções digitais.
  • NASA Historical Archive: explore a história espacial neste arquivo da NASA.
  • National Agricultural Library: serviço do Departamento de Agricultura norte-americano com todo tipo de informação relacionada a agricultura.
  • National Archives: acesse os Arquivos Nacionais e pesquise documentos históricos, com informações do governo e muito mais.
  • OpenDOAR: busque por pesquisas acadêmicas gratuitas.
  • Smithsonian Institution Research Information System: tenha acesso a recursos do Instituto Smithsonian através do exclusivo sistema de pesquisas.
  • State Legislative Websites Directory: use este banco de dados para achar informações de legislaturas sobre todos os estados americanos.
  • The British Library Catalogues & Collections: explore a Biblioteca Britânica e todo seu material catalogado tanto impresso quanto digital.

Geral

  • Academic Index: este diretório foi criado só para estudantes. As indicações deste site são de professores, bibliotecários e profissionais da educação.
  • BUBL LINK: catálogo baseado no Dewey Decimal system.
  • Digital Library of the Commons Repository: encontre literatura do mundo inteiro incluindo acesso gratuito a textos, artigos e dissertações.
  • Dogpile: encontre o melhor das maiores ferramentas de busca com resultados do Google, Yahoo! e and Bing.
  • Google Correlate: permite encontrar pesquisas que se relacionam com dados da vida real.
  • Infomine: ferramenta incrível para encontrar recursos digitais educativos, principalmente em ciências.
  • Internet Public Library: encontre materiais diversos divididos por temas.
  • iSEEK Education: ferramenta de pesquisa destinada a especialmente a estudantes, professores, administradores e tutores.
  • Mamma: a mãe das ferramentas de pesquisa a reunir os melhores recursos da web.
  • MetaCrawler: pesquisa ferramentas de pesquisa com resultados do Google, Yahoo! e Bing.
  • Microsoft Academic Search: oferece acesso a mais de 38 milhões de publicações com imagens, gráficos e outros tipos de recursos.
  • OAIster: ache milhões de recursos digitais de milhares de contribuintes, com acesso livre.
  • RefSeek: mais de 1 bilhão de documentos, sites livros, artigos, jornais sobre qualquer assunto.
  • Virtual LRC: tem uma busca do Google personalizada só com o melhor dos sites acadêmicos. O material é disponibilizado apenas por professores e profissionais da área.
  • Wolfram|Alpha: este site não só acha links, mas responde perguntas, analisa e gera relatórios.

Referências

Outros

  • Artcyclopedia: encontre tudo o que você precisa sobre arte em mais de 160 mil links e quase 3 mil sites.
  • Circumpolar Health Bibliographic Database: banco de dados com mais de 6 mil registros relacionado à saúde humana na região do círculo polar.
  • Education Resources Information Center: registros bibliográficos sobre literatura educativa.
  • Lexis: encontre material confiável e autorizado neste site.
  • MedlinePlus: serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA com ferramenta de busca e dicionário para materiais cuidadosamente escolhidos sobre saúde.
  • PubMed: site da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA onde você encontra textos e artigos completos sobre medicina. São mais de 19 milhões disponíveis.
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Preconceito, estereótipo e discriminação

O que é preconceito, afinal? O termo “preconceito” diz respeito à estrutura geral da atitude (porque ele mesmo é uma atitude) e de seu componente emocional – e embora utilizemos a palavra pejorativamente, há preconceitos positivos e preconceitos negativos. Quer ver? Podemos ter um preconceito contra os gaúchos ou a favor dos gaúchos, contra os nordestinos ou a favor dos nordestinos, contra os palmeirenses ou a favor dos palmeirenses. Dependendo da reação emocional que o estereótipo (gaúcho/nordestino/palmeirense) gera em você, sua resposta poderá ser negativa ou positiva, fazendo com que espere que o sujeito estereotipado se comporte de maneiras peculiares, boas ou ruins.

Embora o preconceito envolva emoções que podem ser negativas ou positivas, tendemos a reservar a palavra para nos referirmos a atitudes negativas a respeito de outras pessoas. De modo geral, o preconceito é representado como uma atitude hostil contra pessoas de determinado grupo, baseando-se unicamente na condição destes como membros do grupo. Um exemplo simples: quando afirmamos que alguém tem preconceito contra os negros, queremos dizer que ele está disposto a comportar-se de maneira hostil em relação a eles. O preconceito é um comportamento emocional/afetivo, parcialmente automático e bastante sensível à estrutura social.

estereótipo, diferentemente, é um componente cognitivo – ou seja, não é necessariamente emocional, positivo ou negativo e fixa-se mais na generalização sobre o grupo todo (e não sobre uma característica específica, como é o caso do preconceito). Enquanto o preconceito é uma atitude positiva ou negativa sobre um grupo com base em suas características, o estereótipo é o ato de atribuir características idênticas a todos os membros de um grupo.

A estereotipagem não é necessariamente emocional ou leva a atos  intencionais de hostilidade. Ao contrário, a estereotipagem é com frequência apenas uma maneira que temos de simplificar a ideia que formamos do mundo – e todos nós fazemos isso. Vamos testar:  concentre-se por alguns segundos e imagine a aparência das seguintes pessoas: 1) líder de torcida, 2) motorista de táxi, 3) músico negro. Pronto? Acredito que não tenha sido uma tarefa difícil, porque todos nós fazemos imagens mentais de “tipos de pessoas”.  Provavelmente você imaginou a líder de torcida como uma moça animada, não-intelectual e bem feminina, o motorista provavelmente era homem e o músico negro dificilmente tocava música clássica. Correto?

O jornalista Walter Lippmann (1922) foi o primeiro a utilizar a palavra “estereótipo” e descreveu a diferença entre eles e o mundo externo. Em cada cultura, agrupamos indivíduos conforme as características mais fortes de seus membros. É óbvio que há líderes de torcida masculinos, motoristas de táxi mulheres e negros que tocam música clássica, mas tendemos a categorizar de acordo com o consideramos a norma estatística. No interior de uma cultura, o que cada um considera norma é sempre muito semelhante ao que consideram os demais, porque essas imagens são divulgadas amplamente pela história oral, artística e mesmo pela mídia desta cultura.

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Imagem: parábola dos cegos – Brueghel

Uma vez formados, os estereótipos são resistentes às mudanças, mesmo que elas sejam baseadas em novas (e confiáveis) informações. Gordon Allport (1954), por exemplo, chama a estereotipagem de “lei do menor esforço”. Conforme ele, o mundo é complexo demais para que criemos atitudes diferenciadas a respeito de cada coisa. Ao invés disso, confiamos em crenças e esquemas simples e generalizantes, considerando nossa capacidade limitada de processar muitas informações ao mesmo tempo. Assim, é normal que tomemos atalhos e adotemos algumas regras na tentativa de compreender outras pessoas (Fiske, 1989; Fiske & Depret, 1996; Jones, 1990; Taylor, 1981; Taylor & Falcone, 1982). Conforme o estereótipo resultante se baseia em experiência e é exato, ele pode ser uma maneira adaptativa de lidar com eventos complexos. De outra forma, quando ele nos deixa desconsiderar as diferenças individuais, nos faz cometer generalizações injustas, virando discriminação (que veremos a seguir).

O outro elemento do preconceito é a ação, que comumente chamamos de discriminação. A discriminação é o ato de utilizarmos o estereótipo para recorrer a uma ação negativa injustificada ou prejudicial contra membros de um grupo.

É bastante comum pensarmos que a discriminação é destinada apenas aos grupos minoritários. Acontece que, mesmo que esse aspecto do preconceito deva ser reconhecido, a discriminação perpassa todos os indivíduos e pode, sim, fluir do grupo minoritário para o majoritário.

Todos somos, fomos ou seremos vítimas potenciais de estereotipagem e discriminação,  graças à nossa simples condição de membro de um grupo qualquer (religioso, de gênero, sexual, etc.).

Portanto:

Preconceito: atitude negativa dirigida a um grupo, com base em uma característica desse grupo. É dirigido ao grupo como um todo, ignorando diferenças individuais.

Estereótipo: generalização sobre um grupo, onde características idênticas são dadas a todos os membros de um grupo. Não é necessariamente emocional, positivo ou negativo, e não necessariamente produz discriminação.

Discriminação: uma ação negativa dirigida a um membro de um grupo, simplesmente por sua identificação como membro do grupo.

Natural ou antinatural?

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Imagem: Escher

Esta é certamente uma discussão espinhosa, pois até hoje não existe consenso sobre o preconceito ser  natural ou antinatural.  Aronson, Akert e Wilson (2011) lembram que psicólogos evolutivos tem sugerido que os animais tem uma forte tendência a “se sentirem mais favoráveis em relação a outros geneticamente semelhantes e a expressarem medo e aversão contra organismos geneticamente diferentes, mesmo que estes últimos nunca lhes tenham feito nenhum mal” (estudos podem ser encontrados em Buss & Kenrick, 1998; Rushton, 1989; Trives, 1985). Pensando nisso, o preconceito, poderia ser inato – uma parte essencial do nosso mecanismo biológico de sobrevivência. De outro modo, talvez nossa inclinação natural seja sermos cordiais, abertos e cooperativos. Assim a cultura (os pais, a comunidade, a escola, a mídia) poderia intencionalmente ou não ensinar-nos a atribuir qualidades e atributos negativos a pessoas diferentes de nós (Aronson; Akert; Wilson, 2011).

Neste sentido, a maioria dos psicólogos sociais concorda que os aspectos específicos do preconceito podem ser aprendidos, mas as crianças de pouca idade, embora possam captar os preconceitos dos pais, não necessariamente os retêm até a idade adulta. Em pesquisa, Mega Rohan e Mark Zanna (1996) analisaram a semelhança de atitudes e valores entre os progenitores e seus filhos na idade adulta. O que eles descobriram? Que a transmissão transgeracional funciona mais quando os pais adotavam atitudes e valores igualitários do que quando manifestavam atitudes preconceituosas. Concomitantemente, pode-se dizer que é, sim, possível ensinar preconceitos às crianças, e é o que Elliot (1977) mostra em seu documentário “olhos azuis” (que você pode assistir AQUI).

 

O que causa o preconceito?

A primeira explicação das causas do preconceito dada por Aronson, Akert e Wilson (2011) é a de tratar-se de um subproduto inevitável da maneira como processamos e organizamos as informações. A tendência humana a agrupar informações e categorizá-las, formando esquemas para interpretar informações incomuns ou novas através de atalhos no funcionamento mental, podem certamento levar-nos a formar estereótipos negativos e, através deles, ter ações discriminatórias.

O primeiro passo em qualquer preconceito é a criação de grupos, criando-os com base em certas características. Sobre essa categorização e o ato agrupar os estímulos de acordo com suas semelhanças, constrastando os estímulos segundo suas disparidades, existem diversos estudos na área da psicologia social (Brewer & Brown, 1998; Rosch & Lloyd,  1978; taylo, 1981; Wilder, 1986). O exemplo mais clássico disso é que agrupamos animais e plantas em taxonomias – e o mundo social em sexo, nacionalidade, etnia, escolaridade, classe.  Nos baseamos no que foram os estímulos semelhantes no passado, a fim de reagir aos novos estímulos (Andersen & Klaatzsky, 1987). A categorização é, ao mesmo tempo, útil e necessária.

Mas o que cria esse preconceito intragrupo (destinado a quem pertence ao mesmo grupo que nós)? Para responder a essa questão, o psicólogo britânico Henri Tajfel (1982) descobriu que o grande motivo pode ser a autoestima:  identifica-se com grupos específicos faz com que os indivíduos aumentem sua auto-estima, desde que considerem seu grupo de pertencimento superior aos demais grupos. Para entender o fenômeno, Tajfel e alguns de seus colegas criaram pequenos grupos, que contavam com indivíduos que sequer se conheciam e muito pouco tinham em comum: para separá-los, os participantes eram distribuídos em um ou outro grupo conforme o lançamento de uma moeda. O resultado é que, embora não se conhecessem antes do experimento, o grupo se comportava compartilhando o mesmo estilo, classificando-se como tendo personalidades semelhantes e buscando itens em comum, muitas vezes denegrindo os participantes do outro grupo.

O que se observou com esses resultados: que ainda que as razões sejam mínimas para uma diferenciação gritante, ser parte de um grupo leva os participantes a quererem “ser superiores” aos outros grupos (item também salientado por Robert Cialdini e colegas, 1976). Trata-se de uma polarização entre “nós” e “eles”. E é extremamente difícil fazer um preconceituoso mudar de opinião. Por quê? Podemos elencar alguns motivos a seguir:

  1. O preconceito é componente afetivo e não racional
  2. Argumentos lógicos não conseguem neutralizar emoções
  3. Acabamos ficando emocionalmente condicionados a reagir de modo preconceituoso
  4. Pode haver correlação ilusória (tendência de se ver relações onde elas não existem)
  5. Ameaça de estereótipo (impacto da curva do Sino: Murray, 1995), apreensão causada pelo pertencimento a um grupo de minoria (“Será que minha resposta vai confirmar o estereótipo?)
  6. Conformidade ao grupo (experimento de Asch, que você pode ver AQUI)

 

Não está disposto a ler toooodo esse post? Tudo bem, você pode assistir a um resumão AQUI.

O que significa sermos livres para tomar decisões, se nosso comportamento não faz senão seguir as leis da natureza?

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Imagem: s/n

“Existe uma questão em particular, em relação a nós mesmos, que muitas vezes nos deixa perplexos: o que significa sermos livres para tomar decisões, se nosso comportamento não faz senão seguir as leis da natureza? Será que não há contradição entre nossa sensação de liberdade e a lógica com a qual já compreendemos que se desenvolvem as coisas do mundo? Será que existe em nós alguma coisa que escapa às regularidades da natureza, e nos permite distorcê-las e desviá-las com nosso pensamento livre?

Não, não há nada em nós que escape aos padrões da natureza. Se algo em nós violasse os padrões da natureza, já o teríamos descoberto há tempos. Não há nada em nós que viole o comportamento natural das coisas. Toda a ciência moderna, da física à química, da biologia à neurociência, não faz senão reforçar essa observação.

A solução do equívoco é outra: quando dizemos que somos livres, e é verdade que podemos sê-lo, isso significa que nossos comportamentos são determinados por aquilo que acontece dentro de nós mesmos, no cérebro, e não são induzidos de fora. Ser livre não significa que nossos comportamentos não sejam determinados pelas leis da natureza. Significa que eles são determinados pelas leis da natureza que agem no nosso cérebro. Nossas decisões livres são livremente determinadas pelos resultados das interações fugazes e riquíssimas entre os bilhões de neurônios do nosso cérebro: são livres quando é a interação desses neurônios que as determina.

 Isso significa que, quando decido, sou “eu” a decidir? Sim, claro, porque seria absurdo perguntar se “eu” posso fazer algo diferente daquilo que o complexo dos meus neurônios decide fazer: as duas coisas, como havia compreendido com maravilhosa lucidez, no século XVII, o filósofo holandês Baruch Spinoza, são a mesma coisa. Não existem “eu” e “os neurônios do meu cérebro”. Trata-se da mesma coisa. Um indivíduo é um processo, complexo, mas estreitamente integrado.

Quando dizemos que o comportamento humano é imprevisível, dizemos a verdade, porque ele é complexo demais para ser previsto, sobretudo por nós mesmos. Nossa intensa sensação de liberdade interior, como Spinoza havia visto de forma perspicaz, vem do fato de que a ideia e as imagens que temos de nós mesmos são extremamente mais toscas e imprecisas do que o detalhe da complexidade daquilo que ocorre dentro de nós. Ficamos espantados conosco. Temos centenas de bilhões de neurônios em nosso cérebro, tantos quantas são as estrelas de uma galáxia, e um número ainda mais astronômico de ligações e combinações em que eles podem se encontrar. De tudo isso, não estamos conscientes. “Nós” somos o processo formado por essa complexidade, não aquele pouco de que estamos conscientes.

Aquele “eu” que decide é o mesmo “eu” que aquela impressionante estrutura que gerencia informação e constrói representações, que é o nosso cérebro, forma — de um modo que, sem dúvida, ainda não nos é totalmente claro, mas que começamos a vislumbrar — a partir do espelhar-se em si mesma, do autorrepresentar-se no mundo, do reconhecer-se como ponto de vista variável colocado no mundo.

Quando temos a sensação de que “sou eu” a decidir, não há nada mais correto: quem mais? Eu, como queria Spinoza, sou o meu corpo e tudo o que acontece no meu cérebro e no meu coração, ambos com sua ilimitada e, para mim mesmo, inextricável complexidade.

 A imagem científica do mundo, que descrevi nestas páginas, não está, portanto, em contradição com o nosso sentir a nós mesmos. Não está em contradição com o nosso pensar em termos morais, psicológicos, com nossas emoções e nosso sentimento. O mundo é complexo, nós o capturamos com linguagens diversas, apropriadas para os diversos processos que o compõem. Todo processo complexo pode ser encarado e compreendido com linguagens diversas em níveis diversos. As diversas linguagens se entrecruzam, se entrelaçam e se enriquecem mutuamente, como os próprios processos. O estudo da nossa psicologia se refina compreendendo a bioquímica do nosso cérebro. O estudo da física teórica se nutre da paixão e das emoções que nos acompanham pela vida.

Nossos valores morais, nossas emoções, nossos amores não são menos verdadeiros pelo fato de fazerem parte da natureza, de serem compartilhados com o mundo animal ou por haverem crescido e terem sido determinados ao longo dos milhões de anos da evolução de nossa espécie. Ao contrário, são mais verdadeiros por isto: são reais. São a complexa realidade de que somos feitos. Nossa realidade são o pranto e o riso, a gratidão e o altruísmo, a fidelidade e as traições, o passado que nos persegue e a serenidade. Nossa realidade é constituída pelas nossas sociedades, pela emoção da música, pelas ricas redes entrelaçadas do nosso saber comum, que construímos juntos. Tudo isso é parte daquela mesma natureza que descrevemos. Somos parte integrante da natureza, somos natureza, em uma de suas inumeráveis e variadíssimas expressões. É isso que nosso conhecimento crescente das coisas do mundo nos ensina.

Tudo o que é especificamente humano não representa nossa separação da natureza, é a nossa natureza. É uma forma que a natureza assumiu aqui em nosso planeta, no jogo infinito de suas combinações, da influência recíproca e da troca de correlações e informação entre suas partes. Quem sabe quantas e quais outras extraordinárias complexidades, em formas que talvez até nem possamos imaginar, existem nos ilimitados espaços do cosmo… Há tanto espaço lá em cima, que é pueril pensar que neste cantinho periférico de uma galáxia das mais banais exista algo especial. A vida na Terra é apenas uma amostra do que pode suceder no universo.

Somos uma espécie curiosa, a única que restou de um grupo de espécies (o “gênero Homo”) formado por pelo menos uma dúzia de espécies curiosas. As outras espécies do grupo já se extinguiram; algumas, como os neandertais, há pouco: não faz nem 30 mil anos. É um grupo de espécies que evoluiu na África, afim aos chimpanzés hierárquicos e litigiosos, e mais ainda aos bonobos, os pequenos chimpanzés pacíficos, alegremente promíscuos e igualitários. Um grupo de espécies que saiu repetidamente da África para explorar novos mundos e que chegou longe, até a Patagônia, até a Lua. Não somos curiosos contra a natureza: somos curiosos por natureza.

Cem mil anos atrás, nossa espécie partiu da África, talvez impelida justamente por essa curiosidade, aprendendo a olhar cada vez mais à frente. Sobrevoando a África à noite, eu me perguntei se um daqueles nossos longínquos antepassados, erguendo-se e pondo-se a caminho rumo aos espaços abertos do Norte, e olhando o céu, poderia ter imaginado um distante neto seu voando naquele céu, interrogando-se sobre a natureza das coisas, ainda impelido pela sua mesma curiosidade.

Penso que nossa espécie não durará muito. Ela não parece ter a resistência das tartarugas, que continuaram existindo semelhantes a si mesmas por centenas de milhões de anos, centenas de vezes mais do que nós temos existido. Pertencemos a um tipo de espécie de vida breve. Nossos primos já estão todos extintos. E nós causamos danos. As mudanças climáticas e ambientais que deflagramos foram brutais, e dificilmente nos pouparão. Para a Terra, será um pequeno clique irrelevante, mas penso que não passaremos incólumes por ele; ainda mais quando a opinião pública e a política preferem ignorar os perigos que estamos correndo e enfiar a cabeça na areia. Talvez sejamos sobre a Terra a única espécie consciente da inevitabilidade de nossa morte individual: temo que em breve nos tornaremos também a espécie que conscientemente verá chegar o próprio fim, ou pelo menos o fim da própria civilização.

Assim como sabemos enfrentar, mais ou menos bem, nossa morte individual, também enfrentaremos a ruína da nossa civilização. Não é muito diferente. E, sem dúvida, não será a primeira civilização a desmoronar. Os maias e os cretenses já passaram. Nascemos e morremos como nascem e morrem as estrelas, tanto individual quanto coletivamente. Essa é nossa realidade. Para nós, justamente por sua natureza efêmera, a vida é preciosa. Porque, como escreve Tito Lucrécio, “nosso apetite de vida é voraz, nossa sede de vida, insaciável” (De rerum natura, III, 1084).

Mas, imersos nessa natureza que nos fez e que nos leva, não somos seres sem casa, suspensos entre dois mundos, partes somente em parte da natureza, com a nostalgia de algo mais. Não: estamos em casa.

A natureza é nossa casa e na natureza estamos em casa. Este mundo estranho, diversificado e assombroso que exploramos, onde o espaço se debulha, o tempo não existe e as coisas podem não estar em lugar algum, não é algo que nos afasta de nós: é somente aquilo que nossa natural curiosidade nos mostra da nossa casa. Da trama da qual somos feitos nós mesmos. Somos feitos da mesma poeira de estrelas de que são feitas as coisas, e quer quando estamos imersos na dor, quer quando rimos e a alegria resplandece, não fazemos mais do que ser aquilo que não podemos deixar de ser: uma parte do nosso mundo.

Por natureza, amamos e somos honestos. E, por natureza, queremos saber mais. E continuamos a aprender. Nossa consciência do mundo continua a crescer. Existem fronteiras, nas quais estamos aprendendo, e onde arde nosso desejo de saber. Elas estão nas profundezas mais diminutas da textura do espaço, na origem do cosmo, na natureza do tempo, na existência dos buracos negros e no funcionamento do nosso próprio pensamento.

À beira daquilo que sabemos, em contato com o oceano do desconhecido, reluzem o mistério e a beleza do mundo. E é de tirar o fôlego.”

Carlo Rovelli, em “Sete breves lições de física”

Ponderar evidência e prática

“A fim de haver tolerância no mundo, uma das coisas a ser ensinada nas escolas deve ser o hábito de ponderar a evidência e a prática de não dar total assentimento a proposições em que não haja razão para serem aceitas como verdadeiras. Por exemplo, a arte da leitura de jornais precisa ser ensinada. O professor deve selecionar algum incidente acontecido há muitos anos e que tenha provocado paixões políticas à época. Então, ele deve ler para as crianças o que foi publicado por um jornal de uma corrente política e o que foi mencionado por outros jornais de opinião oposta, e algum relato imparcial do que realmente aconteceu. Ele deve mostrar como, a partir do viés de cada relato, um leitor habituado à leitura pode inferir o que de fato ocorreu, e precisa fazer com que elas entendam que tudo nos jornais é mais ou menos falso. O ceticismo cínico que resultaria desse ensinamento tornaria as crianças mais tarde imunes a apelos de idealismo pelos quais pessoas decentes são induzidas a favorecer os esquemas dos vigaristas.”

Bertrand Russell, 1920

A habilidade específica do político

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Imagem: Bertrand – BBC

“A habilidade específica do político consiste em saber que paixões pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando despertas, que sejam nocivas a ele próprio e aos seus aliados. Na política como na moeda há uma lei de Gresham; o homem que visa a objetivos mais nobres será expulso, exceto naqueles raros momentos (principalmente revoluções) em que o idealismo se conjuga com um poderoso movimento de paixão interesseira.”

Bertrand Russell, in ‘Ensaios Céticos: A Necessidade do Ceticismo Político’