Ética

Imagem: Google Imagens

A ética é parte da filosofia que lida com as ações humanas, discutindo quais são melhores, quais são piores. Alguns vão falar em certo e errado. Ética lida com a prática, ela lida com o modo com que as pessoas vão agir. Não está perguntando como as pessoas são, o que as coisas são. Está perguntando como se age, e diante de cada situação, qual é a situação mais adequada.

Como escolhemos o que escolhemos? Como inventamos nossa própria vida? Podemos levar em conta o que nos parece certo, o que aprendemos que é errado, aquilo que nos disseram estar do lado do bem, o que diz a lei. Mas, afinal, o que guia nossas decisões pessoais?

Dilema é quando você tem que escolher entre duas opções e ambas têm qualidades e defeitos, ou ambas têm qualidades. Então não é apenas uma escolha simples, é uma escolha pesada, difícil. Qualquer lado que você vai tomar vai ser muito complicado e você vai ter que abrir mão de pontos importantes, como não deixar alguém morrer e ficar com o dinheiro que é dos outros para cuidar dessa pessoa. O interessante do dilema ético é que é onde não tem mais regra. Você não pode dizer “o certo é isso”.

A ética está no cotidiano das pessoas. Quando você escolhe se passa ou não em um sinal fechado, quando você escolhe se frauda ou não uma conta, você pode estar sendo antiético. A maior parte das pessoas acha que sabe o que é certo ou errado, mas elas entram em dilemas éticos quando são dois valores importantes que se contrapõem.

Não existe ética absoluta. Há valores que foram apresentados por muito tempo, como valores que são para todo mundo. Mas, no correr do século XX, ficou muito difícil manter isso. Se foi percebendo que há uma diversidade muito grande de costumes, de crenças, de convicções. A gente está aprendendo a viver na diferença, a gente está aprendendo a respeitar valores diferentes de outras pessoas. E isso é muito positivo.

Não basta dizer que meus valores são esses ou aqueles. Os valores podem deixar de ser universais, os mesmos para todo mundo. Contudo, há uma palavra-chave para os valores: é a reciprocidade. Os valores que eu escolho têm que ser recíprocos. Isto é, os direitos que reivindico para mim, eu tenho que reconhecer também para meus semelhantes. É eu aceitando a diferença dos outros, como eles aceitam a minha: esta talvez seja a grande novidade do nosso tempo. A ética não pode mais ser da identidade de todos, da unanimidade. É uma ética da busca, da dúvida, da diferença.

Você age mal, você é “castigado por Deus”. Logo, você vai agir bem por medo de ir para o inferno. Acontece que de uns 200, 300 anos pra cá, muita gente não acredita mais no inferno – mesmo cristãos, mesmo católicos. Então começou a surgir a pergunta: e se uma pessoa não acreditar em Deus? Ela vai ser antiética? Só quem acredita em Deus é que respeita os “mandamentos”?

Muita gente pensa que ser ético é não fazer uma série de coisas erradas: não matarás, não furtarás, não cobiçarás. Ser ético não é apenas se abster de fazer o mal, ser ético é fazer coisas positivas. O maior problema hoje, em termos de ética, é as pessoas quererem se isentar da responsabilidade de suas escolhas. Você faz uma escolha, é você. Pode ser seu pai que mandou, pode ser a religião que mandou, mas no fim das contas, quem tomou a decisão, quem agiu foi você. E você é o responsável pela sua ação, não Deus ou seu chefe ou quem quer que seja. Isso é muito difícil de assumir. O que quer que uma pessoa tenha feito com a sua vida, tenha tornado boa, tenha tornado má, a responsável é só ela. Então nós precisamos desenvolver uma idéia de responsabilidade, de que eu respondo pelos meus atos, sejam eles bons, sejam eles maus, me tragam vantagens ou desvantagens, mas que em última análise sou eu que faço a minha vida, eu que construo a minha vida. Quando eu escolho, não estou só escolhendo fazer uma coisa, estou escolhendo quem eu sou. Estou escolhendo a minha identidade. Isso que é importante.

Crise é uma palavra muito interessante: a gente vive há muito tempo no Brasil a sensação de estar em crise, sendo que crise é “uma coisa ruim, da qual se deve sair”. A crise é sempre vista como momento de passagem, mas geralmente como momento de passagem negativo. Só que a palavra crise vem de uma palavra grega, um verbo que quer dizer criar, distinguir, escolher. A crise é o grande momento de escolha. É onde você coloca todos os podres pra fora, e você tem condições de saber o que é correto.

Por isso os dilemas e escolhas se tornam tão importantes, por isso as pregações não resolvem mais as questões éticas. Não adianta mais só repetir o que achamos certo ou errado. Precisamos indagar, perguntar, escolher.

Renato Janine Ribeiro

Parte 1:

Parte 2:

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Um pensamento sobre “Ética

  1. talita queiroz da silva março 28, 2012 às 11:00 pm Reply

    interessant!!

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