Hipátia: uma mulher de coragem

Imagem: detalhe de Hipátia na obra de Raphael

Possivelmente você tenha ouvido ou lido algo sobre Hipátia (ou Hipácia) de Alexandria: matemática e filósofa neoplatônica, nascida em 355 e assassinada em 415. Foi a primeira matemática (mulher) que se tem registro.

Hipátia era filha de Téon, um conhecido astrônomo, matemático e filósofo, professor em Alexandria. Estudou na academia de Alexandria e foi uma famosa solucionadora de problemas. Em parceria com o pai, escreveu um tratado sobre Euclides. Muitos homens vinham de longe (ou lhe escreviam) para aprender com ela um pouco mais sobre o processo de demonstração lógica, sua paixão.

Um dos pensamentos que defendia é o de que o Universo é regido por leis e estas leis podem ser descritas (e até demonstradas) pela linguagem matemática.

Quando questionada sobre o motivo pelo qual nunca se casou, alegava que “já era casada com a Verdade” – e foi esse mesmo relacionamento com a realidade que selou sua morte em 415. Hipátia era pagã e Cirilo foi nomeado Patriarca de Alexandria. Era um cristão fervoroso, que defendia a ortodoxia da Igreja e combatia as heresias, sobretudo o Nestorianismo, que negava a Divindade de Jesus Cristo e a Maternidade Divina de Maria. Surtos de violência entre cristãos e pagãos passaram a ser frequentes, muito frequentes.

Em março de 415, ao retornar de um museu, Hipátia foi atacada por uma turba de cristãos enfurecidos. Além de ser arrastada do museu até uma igreja, foi cruelmente torturada até a morte. Após a morte, o corpo foi lançado a uma fogueira.

Em 2009, foi lançado Agora (traduzido como Alexandria), filme espanhol dirigido por  Alejandro Amenábar – que conta como reconstituição de época, bela e fiel a história desta grande mulher. Segue o link do trailer. Vale assistir.

 

Observação:

Algo que tem me preocupado na internet são as citações atribuídas e que não são verídicas. Algumas citações circulam por aí como se fossem de autoria de Hipátia, mas devo ressaltar que não são. A autoria é de Elbert Hubbard, escritor estadunidense que, no seu livro Little Journeys To The Homes Of Great Teachers, as “colocou na boca” da filósofa neoplatônica. Uma vez que não existem cópias dos escritos de Hipátia, não podemos com segurança atribuir-lhe qualquer citação. Exemplos:

“Compreender as coisas que nos rodeiam é a melhor preparação para compreender o que há mais além”
“Todas as formas religiosas dogmáticas são falaciosas e não devem ser aceitas por auto-respeito pessoal.”
“Reserve o seu direito a pensar, mesmo pensar errado é melhor do que não pensar.”
“Ensinar superstições como verdades é uma das coisas mais terríveis.”
“Governar acorrentando a mente através do medo de punição em outro mundo é tão baixo quanto usar a força.”

Todas elas são de Elbert Hubbard, e não de Hipátia.

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Um pensamento sobre “Hipátia: uma mulher de coragem

  1. Karlos Junior março 14, 2012 às 10:37 am Reply

    Uma grande mulher para seu tempo. Nunca vi nenhuma dessas citações atribuídas à Hipátia. Boa dica para não sair defendendo o que não é verdade nas interwebs. 🙂

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