Paranormalidade? Você está sendo enganado e nem percebeu – Parte II

EscherImagem: Escher

“É o erro peculiar e perpétuo da compreensão humana ser mais tocado e excitado pelas afirmativas que pelas negativas.” –Francis Bacon

Desvio para a confirmação refere-se a um tipo de pensamento selectivo em que tendemos a notar e ver o que confirma as nossas crenças e a ignorar ou diminuir o que a contradiz. Por exemplo, se acreditamos que durante a lua cheia existe um aumento de acidentes, reparamos nos acidentes que ocorrem na lua cheia, mas não registamos os mesmos dados se não está lua cheia. A tendencia para isto ao longo do tempo reforça a nossa crença numa relação entre lua cheia e acidentes.

Esta tendencia dá mais atenção e peso a dados que suportem os nossos preconceitos e crenças do que aos dados contrários. Se as nossas crenças estão firmemente estabelecidas sobre bases sólidas e experiencias confirmatórias, esta tendencia não é grave. Se nos tornamos cegos a provas que refutam uma hipótese, atravessamos a linha entre o razoável e a mente fechada..

Numerosos estudos demonstraram que as pessoas dão valor excessivo a informação confirmatória, que é positiva ou suporta uma posição (Gilovich, ch. 3). Thomas Gilovich especula que a “mais provavel razão para a excessiva influencia da informação confirmatória é que é mais facil tratá-la cognitivamente.” É mais facil ver como um dado suporta uma posição do que ver como ele conta contra a posição. Considere uma experiencia tipica de PES ou algo como um sonho clarividente: os sucesso não são ambiguos ou os dados são facilmente tratados para contar como sucessos, enquanto os negativos requerem esforço intelectual para os ver como negativos ou para os considerar como significantes. Tem sido demonstrado que a tendencia para dar mais atenção e peso ao positivo e ao confirmatório influencia a memória. Quando procuramos nas nossas memórias por dados relevantes a uma posição, é mais provável que nos lembremos de dados que confirmam essa posição (Gilovich).

Investigadores são muitas vezes culpados de desvio para a confirmação quando desenham as experiências ou apresentam os seus dados de modo que tendem a confirmar as suas hipóteses. Procedem de modo a evitar tratar dados que contradizem a sua hipótese. Por exemplo, os parapsicólogos são célebres por usarem o inicio e fim opcionais nas suas investigações de PES. Muitos cientistas sociais são culpados do mesmo erro, especialmente quando procuram estabelecer relações entre variáveis ambiguas, como a ordem de nascimento de irmãos e as “ideias radicais”, durante periodos históricos definidos arbitrariamente. Se define os pontos de inicio e fim da recolha de dados em relação à teoria da evolução do modo que Frank Sulloway fez em Born to Rebel, chega a correlações significantes entre a ordem de nascimento e a tendencia para aceitar ou rejeitar a teoria da evolução. Contudo, se começar com Anaximandro e parar com St. Agostinho, pode obter diferentes resultados, visto que a ideia foi universalmente rejeitada durante este periodo. Ou se usa como exemplo de “ideia radical” algo como a de Philip Henry Gosse em Creation (Omphalos): an attempt to untie the geological knot (1857), não tem apoio para a sua hipótese. Gosse era mais radical que Darwin na sua tentativa de reconciliar os dados geologicos com o criacionismo, mas Gosse está quase esquecido porque a sua ideia radical de que Deus criou tudo, incluindo fósseis, num dado momento, foi universalmente rejeitada. Gosse tentou reconciliar os dados cientificos, que indicam uma terra muito antiga, com a visão ortodoxa de que Deus criou tudo em 4004 a.C., como calculada pelo Arcebispo Ussher. Quer os primeiros filhos a nascer, quer os outros, não parecem ter sido impressionados por esta ideia radical.

Experimentadores podem evitar ou reduzir o desvio para a confirmação colaborando no desenho das experiencias com colegas que manteem hipóteses contrárias. As pessoas teem de se lembrar constantemente desta tendencia e procurar activamente dados contrários às suas crenças. Visto ser antinatural, parece que as pessoas vulgares estão condenadas ao desvio.

Referências:

Blame it on the moon

Evans, B. Bias in Human Reasoning: Causes and Consequences (Psychology Press, 1990).

Gilovich, Thomas. How We Know What Isn’t’ So: The Fallibility of Human Reason in Everyday Life (New York: The Free Press, 1993)

Gould, Stephen Jay. The Flamingo’s Smile (New York: W.W. Norton & Company, 1987). (contem um ensaio sobre Omphalos)

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