Uma leitura necessária: percepção

Joshua Bell.</p> <p>Photo by Chris LeeImagem: Joshua, em concerto

Joshua David Bell é um virtuoso violinista dos Estados Unidos. Numa iniciativa do jornal Washington Post, Joshua Bell tocou durante 45 minutos na estação de metro no centro de Washington. Pensei várias vezes que tal acontecimento não fosse verídico, mas é. A história? Esta:

Um homem sentou-se em uma estação de metro em Washington DC e começou a tocar violino; era uma fria manhã de Janeiro. Ele tocou 6 peças de Bach por aproximadamente 45 minutos. Durante esse tempo, considerando que era horário de pico, calcula-se que 1100 pessoas passaram pela estação, a maioria a caminho pro trabalho.

Três minutos se passaram, e um homem de meia-idade percebeu que um músico estava tocando. Ele diminuiu o passo, parou por alguns segundos, e então apressou-se a seus compromissos.

Um minuto depois, o violinista recebeu sua primeira gorjeta de 1 dólar: uma mulher arremessou o dinheiro na caixa e continou a andar.

Alguns minutos depois, alguém encostou-se na parede para ouvi-lo, mas o homem olhou para seu relógio e voltou a andar. Obviamente ele estava atrasado para o trabalho.

O qual prestou mais atenção foi um garoto de 3 anos de idade. Sua mãe que o trazia, o apressou, mas o garoto parou pra olhar o violinista. Por fim, a mãe o empurrou fortemente, e a criança continuou a andar, virando sua cabeça a toda hora. Essa ação se repetiu por muitas outras crianças. Todos os pais, sem exceções, os forçaram a seguir andando.

Nos 45 minutos que o músico tocou, apenas 6 pessoas pararam e ficaram lá por um tempo. Aproximadamente 20 o deram dinheiro, mas continuaram a andar normalmente. Ele recebeu $32. Quando ele acabou de tocar, ninguém percebeu. Ninguém aplaudiu, tampouco houve algum reconhecimento.

Ninguém sabia disso, mas o violinista era Joshua Bell, um dos mais talentosos músicos do mundo. Ele acabara de tocar umas das peças mais difíceis já compostas, em um violino que valia $3,5 milhões de dólares.

Dois dias antes dele tocar no metrô, Joshua bell esgotou os ingressos em um teatro de Boston onde cada poltrona era aproximadamente $100.

Esta é uma história real. Joshua Bell tocou incógnito na estação de metrô, que foi organizado pelo Washington Post como parte de um experimento social sobre percepção, gosto, e prioridade das pessoas. O cabeçalho era: no ambiente comum em uma hora inapropriada: Nós percebemos a beleza? Paramos para apreciá-la? Reconhecemos talento em um contexto inesperado?

Uma das possíveis conclusões desse experimento poderia ser:

Se nós não temos tempo para parar e ouvir um dos melhores músicos do mundo tocando algumas das melhores músicas já compostas quantas outras coisas mais não estamos perdendo?

Para saber mais sobre Joshua Bell (também há o registro do Washington Post): aqui

A notícia em português: aqui

O vídeo do ocorrido:

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3 pensamentos sobre “Uma leitura necessária: percepção

  1. […] Uma leitura necessária: percepção « A vida, o Universo e tudo mais. […]

  2. Fred Hls janeiro 6, 2013 às 4:56 pm Reply

    Acho que o experimento dá margem à várias interpretações :

    Uma é a de que muitas pessoas precisam de um contexto específico
    pra darem atenção a eventos como esse … provavelmente apreciariam
    a apresentação se esta fosse realziada num teatro específico para esse
    fim, pagando ingresso e tudo o mais.
    Outro é o de que o círculo de musica erudita é restrito à camada
    de maior poder aquisitivo da população, e mesmo dessa uma
    pequena parte possui conhecimento sobre os ícones do momento,
    entre compositores e instrumentistas.
    Mais um é o de que o grau de educação musical dessa população
    é extremamente rudimentar, tornando essa consumidora de meios artísticos
    de linguagem mais simples e de mais fácil acesso, e pra essa população
    tanto faz um violinista medíocre ou um violinista virtuosi, pois o grau de apreciação
    será da ordem do gostei, não gostei, sem uma percepção mais detalhada
    da execução da obra, indiferente aos milhares de detalhes que diferenciam
    um instrumentista de outro, e sendo assim, não teria o porque de chamar a atenção
    de uma pessoa apressada para ir ao trabalho …
    Uma outra é de que grande parte da população precisa ser ” direcionada ”
    ou convencida de alguma forma de que aquele evento possui algum
    ” status ” , alguma importância que valha a troca do seu tempo ao prestar atenção ao
    que decorre, algo como ” isso é chique “, ou ” isso é coisa de gente rica “, rs,
    aquilo lá apareceu na televisão, então deve ser bom, vamos
    lá … da mesma maneira que acontece com caviar, champanhe francês, entr outros produtos …

    Um detalhe importante é que tanto nos Estados Unidos quanto na França, há permissão
    para músicos realizarem apresentações por gorjetas nas estações de metrô, portanto, ter um violinista se apresentando nesse ambiente não vem a ser exatamente uma novidade,
    é um evento diário que se mistura à paisagem.
    Já no metrô de São Paulo, geralmente não se permite esse tipo de apresentação, portanto, não é um evendo rotineiro. Pois bem, quando há essa permissão, em situações esporádicas e para eventos organizados, há um grande aglomerado de pessoas em torno dos músicos, grupos compostos de pessoas de várias idades e de nível cultural e social diverso, portando, há interesse sim por grande parte da população, que para e aprecia a apresentação, mesmo no horário de rush …

    Poderia ser uma questão cultural da nossa em relação à desses outros países ?
    Talvez … ou talvez a velha regra de oferta e procura, e de que quanto mais escasso
    ou raro um produto, mais valor ele pode ter …

    Quando bandas de rock conhecidas realizam apresentações na rua,
    geralmente estas ficam lotadas de pessoas em muito pouco tempo …

    Se fosse um músico de um gênero popular de musica, com alta difusão nos meios
    de comunicação, será que a resposta das pessoas seria a mesma ?

    Achei um ótmo post, muito bem escrito, adoro o blog !!!

  3. Ludvig Berzin Neto janeiro 7, 2013 às 11:21 am Reply

    Belo texto.

    A idéia de estarmos sempre atrasados reflete bem isso acima.

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