Alucinações coletivas existem?

EscherImagem: Escher

“Onde a crença em milagres existe, as provas serão sempre
para confirmar a sua existência. No caso de estátuas
que se movem, a crença produz a alucinação
e a alucinação confirma a crença.” D.H. Rawcliffe

Na nossa mente, a área de consciência recebe continuadamente fluxos de sinais externos (provenientes dos 5 sentidos) e internos (provenientes da memória e outros circuitos neurais). A tarefa principal da consciência é construir a todo o tempo um modelo do mundo que faça sentido. As alucinações acontecem quando um elemento interno dispara um padrão de atividade equivalente ao que é normalmente gerado quando órgãos dos sentidos respondem a um evento publicamente observável. Na verdade existe uma certa competição entre esses fluxos de sinais internos e externos, e quando por alguma razão o fluxo de sinais externos enfraquece ou se deteriora o fluxo interno se sobrepõe ao externo. Isso explica porque as alucinações são disparadas por privação sensorial, sobrecarga sensorial (especialmente estímulos intensos repetitivos), insônia prolongada, jejum prolongado, desidratação, fadiga, febre alta, delírio, privação de oxigênio, hiperventilação, isolamento social, estados hipnagógicos e hipnopômpicos, ingestão de drogas psicodélicas, hipnose, etc.

Sim, existem.

Você já deve ter visto reportagens sobre estátuas que choram, pareidolia (em geral, imagens de santos nas nuvens ou em utensílios domésticos), fantasmas. Pois são alucinações coletivas sensoriais, induzidas pelo poder da sugestão.

Essas alucinações ocorrem geralmente em situações fortemente emocionais, especialmente se houver a expectativa de se presenciar algo excêntrico. Se você tem a expectativa de visualizar um milagre, por exemplo, a espera e o ambiente “ajudam” você a visualizar.

Mas as testemunhas concordam nos seus relatos, Lisi. Como pode isso? Simples: as testemunhas concordam nos seus relatos porque têm os mesmos preconceitos e expectativas. Disse Rawcliffe: “relatos distintos convergem para a harmonia quando o tempo passa e o relato vai sendo recontado. Os que nada visualizam de extraordinário e que o admitem são postos de lado por não terem fé. Outros, sem duvida, não veem nada mas “em vez de admitirem que falharam… imitam o relato dos outros, e subsequentemente acreditam que de facto observaram o que inicialmente fingiram que observaram”.

Lembro também que existe algo chamado aceitação do errado por conformidade ao grupo, que já postei aqui – e você pode conferir com um clique.

Links:
Nickell, Joe. Looking For A Miracle: Weeping Icons, Relics, Stigmata, Visions and Healing Cures (Prometheus Books: Buffalo, N.Y., 1993).
Parish, Edmund. Hallucinations and illusions; a study of the fallacies of perception (New York: C. Scribner’s Sons, 1897).
Rawcliffe, Donovan Hilton. Occult and Supernatural Phenomenal(New York: Dover Publications, 1988).
Slade, Peter D. , Richard P. Bentall. Sensory Deception: A Scientific Analysis of Hallucination (Johns Hopkins University Press, 1988).

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