Teoria das Janelas Partidas

644347_654628631248430_1152130160_nImagem: Luigi Christopher Veggetti Kanku

Experimento social revela o quanto a deterioração do ambiente influencia na criminalidade.

Há alguns anos, a Universidade de Stanford (EUA), realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor, abandonadas na via pública. Uma no Bronx, zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia. Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram.Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

Mas a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os pesquisadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto. O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso? Evidentemente, não é devido à pobreza, é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

2654139_janelasUm vidro partido numa viatura abandonada transmite uma idéia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação. Faz quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras. Induz ao “vale-tudo”. Cada novo ataque que a viatura so fre reafirma e multiplica essa idéia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Baseados nessa experiência, foi desenvolvida a ‘Teoria das Janelas Partidas’, que conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem ‘pequenas faltas’ (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar com o sinal vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e delitos cada vez mais graves.Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pesso as forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas, estes mesmos espaços são progressivamente ocupados pelos delinquentes.

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: lixo jogado no chão das estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de ‘Tolerância Zero’. A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às norm as de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão ‘Tolerância Zero’ soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinqüente, pois aos dos abusos de autoridade da polícia deve-se também aplicar-se a tolerância zero.

Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito.Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja em nosso bairro, na rua onde vivemos.

A tolerância zero colocou Nova York na lista das cidades seguras.

Essa teoria pode também explicar o que acontece no Brasil, onde as áreas mais esquecidas e mal-cuidadas pelo governo são onde mais se cometem pequenos delitos e são menos civilizadas do que outras mais bem-cuidadas.

Via Clínica Alamedas.

 

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Um pensamento sobre “Teoria das Janelas Partidas

  1. Fabio novembro 23, 2013 às 2:19 am Reply

    oi, eu frequento o blog a algum tempo, mas nunca comentei, mas neste caso me sinto na obrigação de comentar.

    A teoria das janelas quebradas e doutrina da tolerância zero tem sido amplamente difundidas no Brasil e defendidas por setores conservadores da sociedade como se fossem a solução para nossos problemas e isso não é verdade, esta teoria tem que ser analisada de forma muito criteriosa e profunda.

    Pra começar a necessário que se saiba que nem todo experimento de sucesso nos EUA se aplica ao Brasil em virtude de inúmeros fatores que sequer preciso mencionar, além do mais embora NY seja segura, dentro do próprio EUA a tolerância zero já foi adotada em outras cidades sem que tenha se obtido o mesmo sucesso, aliás dentre os países ricos os EUA tem um dos piores indicadores de violência, embora seja o país com a maior população carcerária do mundo, o que só corrobora com a idéia de que punir mais não é a melhor solução.

    A Tolerância zero foi adotada em NY junto com uma série de medidas sociais não repressivas, tais como a revitalização de parques públicos e o incentivo a sociedade para que ela ocupe os espaços públicos e desta forma constranja pessoas eventualmente mal intencionadas, é a vigilância social, neste aspecto esta doutrina foi mto bem realizada, e pode ser aplicada no Brasil.

    A face perversa da Tolerância Zero é que ela defende que todo crime deve ser rigorosamente punido, ainda que seja leve, já que assim se transmitirá a sociedade a noção de ordem, isso é um absurdo sob diversos aspectos, primeiro por que viola os direitos humanos, ninguém tem o direito de usar um ser humano como ferramenta para promoção de uma idéia, segundo por que isso gera uma inflação legislativa, ou seja, passam a haver mtas leis penais e quase tudo passa a ser excessivamente punido permitindo que cidadãos que pudessem contibuir com a sociedade sejam estigmatizados por terem cometido pequenos delitos e desta forma acabem sendo mais facilmente cooptados por atividades criminosas.

    Enfim, a função do estado é erradicar a violência e não substituir a violência pela estatal, a tolerância zero não é a solução para nossos problemas.

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