Ensaios céticos: os três pontos céticos de Russell

Bertrand Russell at his home in Wales in 1958 Photo: John Pratt/Keystone

Bertrand Russell at his home in Wales in 1958 Photo: John Pratt/Keystone

Como fã do Russell, logo adorei quando vi este post no Negócio Digital. Bertrand Russell foi um filósofo, matemático, escritor britânico e, sobretudo, foi um grande cético. Por exemplo, foi o criador da analogia chamada o Bule de Chá de Russell, cuja função é mostrar que a dificuldade de desmentir uma hipótese não torna esta verdadeira, e que não compete a quem duvida desmenti-la, mas quem acredita nela é que deve provar sua veracidade. Outra versão mais atual da mesma é a religião do Monstro de Espaguete Voador, que já apresentei aqui no blog.

Assim descreve o próprio Russell seu bule:

Se eu sugerisse que entre a Terra e Marte há um bule de chá de porcelana girando em torno do Sol em uma órbita elíptica, ninguém poderia refutar minha asserção, tendo em vista que teria o cuidado de acrescentar que o bule de chá é pequeno demais para ser observado mesmo pelos nossos telescópios mais poderosos. Mas se eu dissesse que, devido à minha asserção não poder ser refutada, seria uma presunção intolerável da razão humana duvidar dela, com razão pensariam que estou falando uma tolice.

No entanto, se a existência de tal bule fosse afirmada em livros antigos, se fosse ensinada a cada domingo como verdade sagrada, se instalassem na mente das crianças na escola, a hesitação em crer em sua existência seria um sinal de excentricidade e quem duvidasse mereceria a atenção de um psiquiatra em um tempo iluminado, ou a do inquisidor em tempos anteriores.

Mas seu ceticismo resumiu-o brilhantemente em três proposições publicadas em Ensaios céticos que, como ele mesmo afirma, se fossem aceitos, acabariam revolucionando por completo a vida humana:

  1.     Que se mostrando de acordo com os especialistas, não é possível afirmar que a posição contrária seja segura.
  2.     Que não existindo dita concordância, as pessoas que não sejam especialistas não podem considerar segura nenhuma posição.
  3.     Que se todos os especialistas sustentam que não há base suficiente para emitir julgamento taxativo, o homem normal fará bem em deixar suspenso seu próprio critério.

Que tal?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: