Hey! Por que você pensa que é melhor que todo mundo?

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a aula de anatomia do Dr. Tulp, pintada em 1632, é um dos mais famosos quadros de Rembrandt.

 

O LuisaoCS (créditos) escreveu este post e eu tive que replicá-lo por aqui. De onde tiramos a idéia de que somos melhores que os outros?

A chamada “ilusão de percepção assimétrica” é um preconceito cognitivo que explica por que as pessoas percebem que seu conhecimento dos outros supera o conhecimento que as outras pessoas têm de si mesmas. Quando, por exemplo, lemos um livro porque temos curiosidade intelectual ou algo parecido, e vemos a alguém em frente a nós que está lendo o mesmo livro, muitas vezes pensamos que o mais seguro é que só esteja lendo porque o filme está a ponto de se estrear. Esse tipo de pensamentos é influenciado por esta “ilusão de percepção” que nos faz achar que as outras pessoas são transparentes e que podemos lê-las perfeitamente.

O preconceito parece ser devido a convicção (que todos temos em diferentes graus) de que os comportamentos observados são mais reveladores nos outros, e que os pensamentos e sentimentos são mais reveladores em nós mesmos. O problema é que esta ilusão com frequência vem acompanhada de julgamentos depreciativos, de pensar que nós temos sempre melhores intenções, somos mais inteligentes e fazemos as coisas melhor que os demais.

As pessoas, como sabemos, tem habilidades mistas. Uma pessoa pode ser mais inteligente do que a outra, mas é torpe. Outros sobressaem em sua dedicação ao trabalho pesado, mas falta-lhes inspiração. Mas para você não. Você é bom em tudo… ou ao menos isso é o que dizemos a nós mesmos, graças à ilusão de superioridade.

Um grupo de estudos, realizados por Pronin, Kruger, Stravitsky & Ross, sugeriu que, devido a uma espécie de delírio geral de grandeza, as pessoas tendem a pensar que conhecem muito melhor uma determinada pessoa do que essa mesma pessoa se conheça a si mesma e que tudo o que fazem é por uma razão banal.

O estudo aponta a várias manifestações diferentes da ilusão de percepção assimétrica. No primeiro estudo, os pesquisadores entrevistaram algumas pessoas perguntando-lhes como qualificavam si mesmas como motoristas de automóvel. Ao redor de 93% das pessoas consideraram-se “acima da média”. É impossível que 93% deles sejam condutores de primeira, isso significaria que os 7% restante sejam os piores motoristas do mundo, e estejam provavelmente mortos agora.

Em outra pesquisa perguntaram a professores de universidade que tão bons eram para desempenhar seu trabalho. 94% deles modestamente contestou: “acima da média”.

É verdade que nem todos nós achamos que somos os melhores em nossa disciplina, mas, sem importar o que façamos, geralmente pensamos que somos um pouco melhores nisso que a maioria das outras pessoas. Tudo isso se deve ao fato de que vivemos neste ciclo particular da ilusão de percepção assimétrica. Não podemos admitir que somos descuidados ou frouxos, ou que temos limitações intelectuais para entender certas coisas. Só sabemos que isso é o que acontece a outras pessoas, e o sabemos porque nossas mentes são superiores. Mas como bem diz o termo, é só uma ilusão. Talvez ao conceitualizar este tipo de comportamento nada mude, mas ao menos podemos tentar recordar o sintoma para encontrar modéstia em nossos julgamentos, e recordar que cada um dos outros tem sua própria ilusão de percepção assimétrica conosco também.

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2 pensamentos sobre “Hey! Por que você pensa que é melhor que todo mundo?

  1. Valmira Gonçalves Fernandes setembro 29, 2014 às 11:23 pm Reply

    Não penso que sou melhor do que ninguém. Mesmo que quisesse, não teria como medir e com que parâmetros medir – o melhor e o pior. Penso, logo insisto, que sou uma pessoa comum, como qualquer outra. Única, penso que sou. Somos oito bilhões de humanos, mas igual a mim, nenhum deles. Para querer que isso fosse verdade, a outra Valmira teria que ter vivido a minha vida. Ninguém viveu. O “Eu”, essa falsidade levada a sério, nem existe. Não sou eu quem diz. É Buda. O que existe é falso. Somos todos UM. “Eu” é feito de introjetos, como dizem os psicanalistas, mas ninguém sabe quando e como foram introjetados os iniciais. Conclusão: Não existe ninguém melhor e nem pior do que o Outro. Somos apenas diferentes. Como Pessoa, um projeto em andamento. Estamos todos sendo construídos. Complicado assim. Ou, simples assim, dependendo de quem pensa.

  2. Francisco Sulo fevereiro 22, 2015 às 11:57 am Reply

    O orgulho é o maior dos males humanos – ou o pior dos pecados, diria C.S.Lewis. Em suma, o pecado original.

    E ele opera no nível coletivo autojustificador dos egos individuais, ao ditar o ‘politicamente correto’, por exemplo. Não é em grande medida o que ocorre com a comunidade científica, que apesar de assumir a efemeridade da verdade exalta esta ao status de conhecimento objetivo em prejuízo de todas as outras percepções, intuições, conjecturas, sobretudo as de ordem religiosa? Também ocorre nas comunidades religiosas através de formas que seria redundância expor mais uma vez.

    Enfim, nós, humanos.

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