A Revista Nature e a ciência brasileira: como estamos?

Imagem: Google Images

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Brasil aparece como o maior produtor de ciência do continente (disparado!), mas o fator de impacto das pesquisas ainda é baixo (menor do que o da Argentina, Chile, Peru e Colômbia).

Texto de Herton Escobar, diretamente no Estadão (original aqui)

“Estrelas da ciência na América do Sul”. Esse é o título de capa da revista Nature desta semana. E o Brasil é a estrela que mais brilha nessa constelação sul-americana — em vários aspectos, mas não em todos.

Aproveitando o gancho da Copa do Mundo de futebol, que começa amanhã, a revista traz como seu maior destaque um raio X da produção de ciência e tecnologia na América do Sul, com uma série de artigos, análises, gráficos e números, que mostram alguns contrastes e semelhanças muito interessantes entre os países do continente, assim como desafios que são compartilhados por eles.

O editorial da revista, por exemplo, chama atenção para o problema da baixa internacionalização da ciência sul-americana, que se relaciona ainda muito pouco com os grandes centros de produção científica no Hemisfério Norte. Segundo o texto, o Brasil enviou menos de 11 mil alunos de graduação e pós-graduação para os Estados Unidos em 2013, por exemplo — menos do que a Turquia e o Vietnã (países que, juntos, têm metade da população do Brasil).

Outro desafio é trazer de volta aqueles bons cientistas que vão para o exterior e contribuem para a internacionalização do continente, mas acabam não voltando para casa (a famosa “fuga de cérebros”). “Fãs de futebol na América do Sul estão acostumados a ver seus melhores jogadores se transferindo para o exterior. O esforço para reverter esse fluxo, tanto no esporte quanto na ciência, enfrenta grandes desafios. Mas é um esforço que vale a pena”, diz o editorial.

O pacote completo pode ser acessado neste link: http://migre.me/jLTzw

Em termos de produção científica, o papel do Brasil no cenário geral do continente é carregado de contrastes: O País é a maior potência científica da América do Sul em termos absolutos, inquestionavelmente, mas perde para alguns vizinhos em quesitos qualitativos.

Pontos positivos: O Brasil investe muito mais em pesquisa e desenvolvimento (P&D), tem quase dois terços dos cientistas e produz muito mais trabalhos científicos do que qualquer outro país da América do Sul. Pelas contas da revista, investe quase o dobro em ciência e tecnologia por ano do que investiu na Copa do Mundo: US$ 27 bilhões versus US$ 15 bilhões. Golaço!

Pontos negativos: O impacto internacional dessa produção científica ainda é baixo (menor do que o da Colômbia, Chile, Argentina e Peru, por exemplo — que em muitos casos pegam “carona” no impacto de seus colaboradores americanos e europeus); o grau de internacionalização e o número de patentes registradas pelo país nos EUA estão bem abaixo do esperado para o tamanho dessa produção científica; e o número de cientistas do País é proporcionalmente menor do que o da Argentina, quando se leva em conta o tamanho da população empregada de cada país.

Ou seja, temos muito do que nos orgulhar, mas também temos muito o que melhorar.

Em outra parte do especial, três cientistas brasileiros foram convidados para escrever sobre as políticas de ciência e tecnologia do País. O meteorologista Carlos Nobre, pesquisador do INPE e secretário do MCTI, fala sobre com a ciência aplicada ao desenvolvimento de produtos naturais pode ajudar no combate ao desmatamento da Amazônia. O neurocientista Sidarta Ribeiro, da UFRN, fala sobre o sistema Qualis e o problema da “numerologia” na avaliação de programas e pesquisadores. E o médico-pesquisador Jose Eduardo Krieger, da USP, fala sobre o problema da burocracia e os esforços institucionais que estão sendo feitos para combatê-la: http://migre.me/jLUwv

Em um artigo sobre como “transformar evasão de cérebros em circulação de cérebros”, o presidente emérito da Universidade Rockefeller e prêmio Nobel de Medicina em 1981, Torsten Wiesel, cita o pesquisador brasileiro Dario Zamboni, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, como um dos beneficiados pelo Pew Latin American Fellows Program, que voltou para o Brasil e está desenvolvendo pesquisas de ponta em biomedicina. Zamboni também foi destaque recentemente num especial de 40 anos da revista Cell, no qual falou sobre o problema da burocracia na ciência brasileira: http://migre.me/jLV0A

 

 

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