Argumentação: a ferramenta do discurso

Imagem: DeviantArt Free

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Este post foi baseado no livro “Argumentação:
a ferramenta do filosofar”, de Juvenal Savian Filho.

Sempre que tomamos posição sobre um tema, tentamos mostrar como nossas conclusões são verdadeiras ou, dito de outra forma, buscamos explicitar os motivos pelos quais pensamos o que pensamos. Acontece de forma igual com cientistas, filósofos, artistas em geral: eles esperam ser acreditados. É claro que não chamamos a ciência de simples opinião: embora algumas vezes elas sejam interpretações diferentes de um fato único, têm como objetivo de corresponder à realidade do mundo.

Quando expomos nossas opiniões, procuramos convencer. Diz corretamente Juvenal Savian Filho que o procedimento de convencer é comum tanto à mera opinião quanto à ciência. Exceto, naturalmente, se tentarmos convencer alguém pela força. Se, do contrário, procuramos motivos para justificar aquilo que pensamos e expomos, adotamos uma postura muito semelhante com o conhecimento dito objetivo. O aspecto em comum é a ação de convencimento, partindo de dados já adquiridos e chegando a conclusões bem justificadas. Esse procedimento tem um nome famoso: argumentação.

A argumentação do conhecimento e até mesmo da ciência, que possui certo grau de certeza e não consiste tão somente em uma opinião bem defendida, é chamada especificamente de demonstração – mas elas também não podem ser consideradas definitivas (válidas para todo o sempre).

Esta atitude evita o nosso fechamento em um mundo autorreferente e egoísta, como diz Juvenal. Faz-nos buscar uma comunicação sincera com os outros. Ao perguntarmos a nós mesmos se o nosso interlocutor tem razão, interessamo-nos pelos argumentos fornecidos o diálogo ou constatamos a ausência de bons argumentos.

Para analisar os argumentos, precisamos saber ouvir: nossa primeira atitude deveria ser a de perceber o modo como argumentações são construídas. É por isso que o autor (o supracitado Juvenal Savian Filho) publicou em seu livro (“Argumentação: a ferramenta do filosofar“)  citou a lista, mais ou menos conceitual entre os filósofos,das cinco maneiras de raciocinar:

  1. Partimos de experiências parecidas e repetidas, e elaboramos uma conclusão geral. Ou seja, categorizamos através de repetidas experiências. A este tipo chamamos INDUÇÃO.
    EX: Sabemos que toda água ferve a 100ºc.
  2. Outras vezes, partimos de certos dados já conhecidos e tiramos as consequências que estão implícitas neles. EX: “Todos os seres humanos são mortais”: João é humano. “Logo, ele é mortal”. Incluímos dados particulares num princípio geral. A esse tipo chamamos DEDUÇÃO.
  3. Um terceiro tipo é quando, guiando-nos pela sensibilidade para com certos sinais aparentemente não relacionados, chegamos a conclusões que fazem sentido. EX: como age um detetive. A esse tipo chamamos ABDUÇÃO.
  4. Podemos ainda estabelecer comparações explicativas entre situações distintas e raciocinar, então, por analogia. Ex: a rigor, “saúde” e “doença” são termos atribuídos a seres humanos, mas, como alimentos causam a saúde no ser humano, dizemos, por analogia, que eles também são “saudáveis”. A este tipo chamamos ANALOGIA.
  5. Algumas vezes, ainda, quando não somos conhecedores de determinado assunto, confiamos na palavra de quem o conhece. Deve ser, no entanto, uma autoridade nesse assunto (de nada vale utilizar o argumento de um sociólogo para falar de física quântica, por exemplo). A esse tipo chamamos de ARGUMENTO DE AUTORIDADE.

Para finalizar, deixo um pequeno esquema para se visualizar o quão bom são os seus argumentos: quanto mais acima da pirâmide eles estão, mais válidos são.

hierarquia-argumentos-mini

Para que um argumento seja sólido, é preferível que tenha introdução (do que se trata), desenvolvimento (evidências) e conclusão (resultado). Com este básico sobre argumentação, espero que você consiga reconhecer alguns tipos argumentativos e procure prestar mais atenção na argumentação de seus interlocutores.😉

4 pensamentos sobre “Argumentação: a ferramenta do discurso

  1. RODOLFO EMILIANO (@RodolfoEmiliano) outubro 16, 2015 às 12:01 am Reply

    Importante saber argumentar. Vejo discussões em que os interlocutores fogem totalmente do ponto central, na maioria das vezes sem ter consciência plena dessa fuga.

  2. mario jorge dos santos outubro 16, 2015 às 12:30 am Reply

    O momento que vivemos hoje é de fundamental importância um pensamento sobre “Argumentação” pois existem muitos confundindo o orientação logica pondo em risco milhares de vidas inocentes, fazendo sofrer outros tantos, dai que vejo quão importante é esta ferramenta.

  3. Rodolfo Goulart Muller outubro 16, 2015 às 2:27 pm Reply

    Argumentos de autoridade deve ser evitados a todo o custo, já que não refutam o argumento do adversário e, às vezes, podem ser usados para chegar a conclusões absurdas (ex.: Senhor X é um físico quântico que acredita que a consciência determina o estado atual da matéria, logo pseudociência Y, W e Z são verdadeiras.) Talvez esse argumento seja melhor colocado ao usar estatísticas em relação à comunidade científica. (ex.: 89% da comunidade científica acha que o aquecimento global é causado, pelo menos em parte, pelo homem)

  4. edivval outubro 16, 2015 às 4:07 pm Reply

    Excelente!

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