Vamos falar sobre sexo

pandora

Imagem: Caixa de Pandora

“Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?”
(Fernando Pessoa)

Uma moça teve um vídeo íntimo compartilhado na internet. “Que horror”, todos dizem. Mas todos querem assistir. Quem nunca viu essa cena?

Pois é. Os brasileiros parecem ter fetiche pela mulher “sem rosto”.

Amam a nudez, cultivam os mais diversos fetiches, mas não suportam quando a mulher é cotidiana. Quando ela existe para além das telas de celulares e computadores. Quando ela tem uma vida próxima da sua: mesmo bairro, mesmo círculo de amigos. A mulher que ele deseja nos sonhos (especialmente se for próxima, como colega de trabalho ou professora na faculdade) se transforma então automaticamente na “vadia” que, por fazer sexo e também ter fetiches, é “imoral”, indigna de ser levada a sério em qualquer relacionamento. Namorar com ela? Jamais. Apaixonar-se? Nunca. 

Quando falamos em sexo, esquecemos a naturalidade de todos os outros assuntos que permeiam nossas vidas pessoais: somos apavorados conosco mesmos. Temos medo, nojo e nos sentimos no direito de infernizar a vida de outrem porque eles, de alguma forma, externalizam nosso tesão.

O mundo está repleto daqueles que defendem a “correta moral”, santos do pau oco que estão sempre prontos a condenar o próximo por aquilo que eles mesmos cometem em suas vidas particulares. O homem que não admite que a esposa seja uma “puta na cama” e procura uma prostituta para saciar seus desejos mais sórdidos. Aquele que assiste vídeos pornôs e se masturba vendo a mulher desejada, mas considera impensável realizar suas fantasias com a mulher que dorme ao seu lado. O cara que, sentindo desejo por uma travesti, a ofende publicamente para tentar defender-se daquilo que ele mesmo sente. Ou mesmo a mulher que “faz a caveira” de outra porque aquela transa da forma que esta gostaria.

Essa curiosidade quase mórbida pela vida sexual do outro mostra como somos imaturos com a própria sexualidade, propagando e condenando publicamente aquilo que fazemos às escondidas. Os mimimis em excesso não expressam nenhum tipo de perfeição de caráter, apenas nossa hipocrisia particular com tudo que envolve intimidade. Condenar a liberdade sexual do outro e reafirmar nossa “repulsa” não justifica nem diminui nossos próprios desregramentos. Desregramentos? Sexualidade simplesmente é.

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