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O que significa sermos livres para tomar decisões, se nosso comportamento não faz senão seguir as leis da natureza?

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Imagem: s/n

“Existe uma questão em particular, em relação a nós mesmos, que muitas vezes nos deixa perplexos: o que significa sermos livres para tomar decisões, se nosso comportamento não faz senão seguir as leis da natureza? Será que não há contradição entre nossa sensação de liberdade e a lógica com a qual já compreendemos que se desenvolvem as coisas do mundo? Será que existe em nós alguma coisa que escapa às regularidades da natureza, e nos permite distorcê-las e desviá-las com nosso pensamento livre?

Não, não há nada em nós que escape aos padrões da natureza. Se algo em nós violasse os padrões da natureza, já o teríamos descoberto há tempos. Não há nada em nós que viole o comportamento natural das coisas. Toda a ciência moderna, da física à química, da biologia à neurociência, não faz senão reforçar essa observação.

A solução do equívoco é outra: quando dizemos que somos livres, e é verdade que podemos sê-lo, isso significa que nossos comportamentos são determinados por aquilo que acontece dentro de nós mesmos, no cérebro, e não são induzidos de fora. Ser livre não significa que nossos comportamentos não sejam determinados pelas leis da natureza. Significa que eles são determinados pelas leis da natureza que agem no nosso cérebro. Nossas decisões livres são livremente determinadas pelos resultados das interações fugazes e riquíssimas entre os bilhões de neurônios do nosso cérebro: são livres quando é a interação desses neurônios que as determina.

 Isso significa que, quando decido, sou “eu” a decidir? Sim, claro, porque seria absurdo perguntar se “eu” posso fazer algo diferente daquilo que o complexo dos meus neurônios decide fazer: as duas coisas, como havia compreendido com maravilhosa lucidez, no século XVII, o filósofo holandês Baruch Spinoza, são a mesma coisa. Não existem “eu” e “os neurônios do meu cérebro”. Trata-se da mesma coisa. Um indivíduo é um processo, complexo, mas estreitamente integrado.

Quando dizemos que o comportamento humano é imprevisível, dizemos a verdade, porque ele é complexo demais para ser previsto, sobretudo por nós mesmos. Nossa intensa sensação de liberdade interior, como Spinoza havia visto de forma perspicaz, vem do fato de que a ideia e as imagens que temos de nós mesmos são extremamente mais toscas e imprecisas do que o detalhe da complexidade daquilo que ocorre dentro de nós. Ficamos espantados conosco. Temos centenas de bilhões de neurônios em nosso cérebro, tantos quantas são as estrelas de uma galáxia, e um número ainda mais astronômico de ligações e combinações em que eles podem se encontrar. De tudo isso, não estamos conscientes. “Nós” somos o processo formado por essa complexidade, não aquele pouco de que estamos conscientes.

Aquele “eu” que decide é o mesmo “eu” que aquela impressionante estrutura que gerencia informação e constrói representações, que é o nosso cérebro, forma — de um modo que, sem dúvida, ainda não nos é totalmente claro, mas que começamos a vislumbrar — a partir do espelhar-se em si mesma, do autorrepresentar-se no mundo, do reconhecer-se como ponto de vista variável colocado no mundo.

Quando temos a sensação de que “sou eu” a decidir, não há nada mais correto: quem mais? Eu, como queria Spinoza, sou o meu corpo e tudo o que acontece no meu cérebro e no meu coração, ambos com sua ilimitada e, para mim mesmo, inextricável complexidade.

 A imagem científica do mundo, que descrevi nestas páginas, não está, portanto, em contradição com o nosso sentir a nós mesmos. Não está em contradição com o nosso pensar em termos morais, psicológicos, com nossas emoções e nosso sentimento. O mundo é complexo, nós o capturamos com linguagens diversas, apropriadas para os diversos processos que o compõem. Todo processo complexo pode ser encarado e compreendido com linguagens diversas em níveis diversos. As diversas linguagens se entrecruzam, se entrelaçam e se enriquecem mutuamente, como os próprios processos. O estudo da nossa psicologia se refina compreendendo a bioquímica do nosso cérebro. O estudo da física teórica se nutre da paixão e das emoções que nos acompanham pela vida.

Nossos valores morais, nossas emoções, nossos amores não são menos verdadeiros pelo fato de fazerem parte da natureza, de serem compartilhados com o mundo animal ou por haverem crescido e terem sido determinados ao longo dos milhões de anos da evolução de nossa espécie. Ao contrário, são mais verdadeiros por isto: são reais. São a complexa realidade de que somos feitos. Nossa realidade são o pranto e o riso, a gratidão e o altruísmo, a fidelidade e as traições, o passado que nos persegue e a serenidade. Nossa realidade é constituída pelas nossas sociedades, pela emoção da música, pelas ricas redes entrelaçadas do nosso saber comum, que construímos juntos. Tudo isso é parte daquela mesma natureza que descrevemos. Somos parte integrante da natureza, somos natureza, em uma de suas inumeráveis e variadíssimas expressões. É isso que nosso conhecimento crescente das coisas do mundo nos ensina.

Tudo o que é especificamente humano não representa nossa separação da natureza, é a nossa natureza. É uma forma que a natureza assumiu aqui em nosso planeta, no jogo infinito de suas combinações, da influência recíproca e da troca de correlações e informação entre suas partes. Quem sabe quantas e quais outras extraordinárias complexidades, em formas que talvez até nem possamos imaginar, existem nos ilimitados espaços do cosmo… Há tanto espaço lá em cima, que é pueril pensar que neste cantinho periférico de uma galáxia das mais banais exista algo especial. A vida na Terra é apenas uma amostra do que pode suceder no universo.

Somos uma espécie curiosa, a única que restou de um grupo de espécies (o “gênero Homo”) formado por pelo menos uma dúzia de espécies curiosas. As outras espécies do grupo já se extinguiram; algumas, como os neandertais, há pouco: não faz nem 30 mil anos. É um grupo de espécies que evoluiu na África, afim aos chimpanzés hierárquicos e litigiosos, e mais ainda aos bonobos, os pequenos chimpanzés pacíficos, alegremente promíscuos e igualitários. Um grupo de espécies que saiu repetidamente da África para explorar novos mundos e que chegou longe, até a Patagônia, até a Lua. Não somos curiosos contra a natureza: somos curiosos por natureza.

Cem mil anos atrás, nossa espécie partiu da África, talvez impelida justamente por essa curiosidade, aprendendo a olhar cada vez mais à frente. Sobrevoando a África à noite, eu me perguntei se um daqueles nossos longínquos antepassados, erguendo-se e pondo-se a caminho rumo aos espaços abertos do Norte, e olhando o céu, poderia ter imaginado um distante neto seu voando naquele céu, interrogando-se sobre a natureza das coisas, ainda impelido pela sua mesma curiosidade.

Penso que nossa espécie não durará muito. Ela não parece ter a resistência das tartarugas, que continuaram existindo semelhantes a si mesmas por centenas de milhões de anos, centenas de vezes mais do que nós temos existido. Pertencemos a um tipo de espécie de vida breve. Nossos primos já estão todos extintos. E nós causamos danos. As mudanças climáticas e ambientais que deflagramos foram brutais, e dificilmente nos pouparão. Para a Terra, será um pequeno clique irrelevante, mas penso que não passaremos incólumes por ele; ainda mais quando a opinião pública e a política preferem ignorar os perigos que estamos correndo e enfiar a cabeça na areia. Talvez sejamos sobre a Terra a única espécie consciente da inevitabilidade de nossa morte individual: temo que em breve nos tornaremos também a espécie que conscientemente verá chegar o próprio fim, ou pelo menos o fim da própria civilização.

Assim como sabemos enfrentar, mais ou menos bem, nossa morte individual, também enfrentaremos a ruína da nossa civilização. Não é muito diferente. E, sem dúvida, não será a primeira civilização a desmoronar. Os maias e os cretenses já passaram. Nascemos e morremos como nascem e morrem as estrelas, tanto individual quanto coletivamente. Essa é nossa realidade. Para nós, justamente por sua natureza efêmera, a vida é preciosa. Porque, como escreve Tito Lucrécio, “nosso apetite de vida é voraz, nossa sede de vida, insaciável” (De rerum natura, III, 1084).

Mas, imersos nessa natureza que nos fez e que nos leva, não somos seres sem casa, suspensos entre dois mundos, partes somente em parte da natureza, com a nostalgia de algo mais. Não: estamos em casa.

A natureza é nossa casa e na natureza estamos em casa. Este mundo estranho, diversificado e assombroso que exploramos, onde o espaço se debulha, o tempo não existe e as coisas podem não estar em lugar algum, não é algo que nos afasta de nós: é somente aquilo que nossa natural curiosidade nos mostra da nossa casa. Da trama da qual somos feitos nós mesmos. Somos feitos da mesma poeira de estrelas de que são feitas as coisas, e quer quando estamos imersos na dor, quer quando rimos e a alegria resplandece, não fazemos mais do que ser aquilo que não podemos deixar de ser: uma parte do nosso mundo.

Por natureza, amamos e somos honestos. E, por natureza, queremos saber mais. E continuamos a aprender. Nossa consciência do mundo continua a crescer. Existem fronteiras, nas quais estamos aprendendo, e onde arde nosso desejo de saber. Elas estão nas profundezas mais diminutas da textura do espaço, na origem do cosmo, na natureza do tempo, na existência dos buracos negros e no funcionamento do nosso próprio pensamento.

À beira daquilo que sabemos, em contato com o oceano do desconhecido, reluzem o mistério e a beleza do mundo. E é de tirar o fôlego.”

Carlo Rovelli, em “Sete breves lições de física”

Kit para detecção de mentiras

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Imagem: gif feito com cena de “Cosmos”, apresentado por Carl Sagan

Créditos deste post ao Crítica na rede

“Na ciência é possível começar com resultados experimentais, dados, observações, medidas e fatos. Inventamos, se isso for possível, uma lista interminável de explicações plausíveis e confrontamos sistematicamente cada uma delas com os fatos. No decurso da sua formação, os cientistas recebem um kit para detecção de disparates, a que recorrem sempre que se confrontam com novas ideias. Se a nova ideia resiste à análise com os instrumentos do kit, recebemo-la de braços abertos, embora com cautela. Se uma pessoa estiver na disposição de não engolir disparates, ainda que seja tranquilizador fazê-lo, há precauções que pode tomar; há um método comprovado pela experiência.

Que contém o kit? Instrumentos para o pensamento cético. O pensamento cético é o meio de construir e compreender um argumento racional e — o que é particularmente importante — de reconhecer um argumento fraudulento ou falacioso.

A questão não é se gostamos da conclusão que resulta de uma série de raciocínios, mas se decorre de uma premissa e se esta é verdadeira.

Alguns dos instrumentos referidos são os seguintes:

· Sempre que possível deve haver uma confirmação independente dos «fatos».

· Encorajar o debate substantivo das provas por parte dos proponentes de todos os pontos de vista.

· Os argumentos apresentados por autoridades na matéria têm pouco peso — as «autoridades» cometeram erros no passado e voltarão a cometê-los no futuro. Talvez uma maneira melhor de dizer isto seja afirmar que em ciência não há autoridades quando muito há «especialistas».

· Pense em mais de uma hipótese. Se há qualquer coisa a explicar, pense em todas as maneiras diferentes de o fazer. Depois pense em testes através dos quais possa refutar sistematicamente cada uma das alternativas. O que subsiste, a hipótese que resiste à refutação nesta selecção darwiniana entre «hipóteses de trabalho múltiplas», tem uma probabilidade muito maior de ser a resposta certa do que se se tivesse simplesmente aceitado a primeira ideia que nos agradou.

· Tente não ficar muito preso a uma hipótese só porque é sua, ela não passa de uma estação de paragem no caminho da procura do conhecimento. Pergunte a si mesmo porque lhe agrada. Compare-a com as alternativas. Veja se consegue encontrar motivos para a rejeitar. Se não consegue, outros conseguirão.

· Quantifique. Se o que está a explicar tem alguma medida, se envolve alguma grandeza numérica, estará muito mais bem equipado para escolher entre as várias hipóteses possíveis. O que é vago e qualitativo está aberto a muitas explicações. Claro que há verdades a ser procuradas nas muitas interpretações qualitativas que somos obrigados a confrontar, mas encontrá-las ainda é mais estimulante.

· Se há uma cadeia de argumentos, todos os seus elos têm de funcionar (incluindo a premissa) — e não apenas a maior parte.

· A navalha de Occam. Esta excelente regra prática incita-nos, quando confrontados com duas hipóteses que explicam dados igualmente bem, a escolher a mais simples.

· Pergunte sempre se a hipótese pode ser, pelo menos em princípio, refutada. As proposições impossíveis de verificar e refutar não valem grande coisa. Considere a ideia grandiosa de o nosso universo e tudo o que este contém serem apenas uma partícula elementar — por exemplo um electrão — num cosmos muito maior. Mas, se é possível que nunca venhamos a obter informações exteriores ao nosso universo, será a ideia susceptível de refutação? Temos de ser capazes de verificar a validade das afirmações. Os cépticos inveterados têm de ter oportunidade de seguir o seu raciocínio, de repetir as suas experiências e de ver se estas obtêm sempre o mesmo resultado.”

Carl Sagan, “Um Mundo Infestado de Demónios”, pp. 266 a 268.

Sobre este assunto a Crítica também já publicou dois artigos de Michael Shermer (aqui e aqui), bem como 3 excertos deste livro (Excerto 1, Excerto 2 e Excerto 3)

20 mulheres que mudaram o mundo através da ciência

A publicação é originalmente do Ano Zero
e, portanto, é dele todos os créditos.

A Hydrogene, um blog de ilustrações gráficas no Tumblr, criou representações minimalistas da obra de 20 mulheres que foram e são muito importantes para a ciência.

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A equipe AZ traz essas belas imagens junto com pequenas descrições de quem foram essas grandes mentes femininas da ciência e o que representam para o mundo. Todas as simples e significativas obras de arte abaixo estão disponíveis para venda neste link – também como cases de iPhone e Samsung Galaxy. Se você é fã de alguma dessas cientistas em específico, você também pode comprar cartazes de cada cientista individualmente.

Abaixo, você poderá conhecer, em poucas palavras, o que cada uma fez e representa para a ciência e para a humanidade.

Marie Curie – Ganhadora do Prêmio Nobel em Física e em Química

As conquistas de Marie incluem a teoria da radioatividade (termo que ela mesma cunhou), técnicas para isolar isótopos radioativos e a descoberta de dois elementos, o polônio e o rádio. Sob a direção dela foram conduzidos os primeiros estudos sobre o tratamento de neoplasmas com o uso de isótopos radioativos. A cientista fundou os Institutos Curie em Paris e Warsaw, que até hoje são grandes centros de pesquisa médica. Durante a Primeira Guerra Mundial, fundou os primeiros centros militares no campo da radioatividade.

Jane Goodall – Famosa antropóloga e primatóloga (estudo dos primatas) britânica, é também bastante envolvida com pacifismo

Estudou a vida social e familiar dos chimpanzés (Pan troglodytes) em Gombe, Tanzânia, ao longo de 40 anos. Os seus estudos contribuíram para o avanço dos conhecimentos sobre a aprendizagem social, o raciocínio e a cultura dos chimpanzés selvagens.

Grace Hopper – Analista de Sistema, criadora de uma das primeiras linguagens de programação e do primeiro compilador

Foi ela quem criou a linguagem de programação Flow-Matic, hoje extinta. Esta linguagem serviu como base para a criação do COBOL. Ela também foi uma das primeiras programadoras do Harvard Mark I em 1944. Dentre outras realizações da almirante está a criação do primeiro compilador, de COBOL, sendo a primeira linguagem de programação de computadores a se aproximar da linguagem humana ao invés da linguagem de máquina.

Sally Ride – Primeira mulher Americana no Espaço

Em 18 de junho de 1983, Ride entrou para a história como a primeira americana a subir ao espaço, como integrante da tripulação da Challenger, na missão STS-7, que colocou em órbita dois satélites de comunicação, realizou experimentos farmacêuticos e foram os primeiros tanto a colocar um satélite em sua órbita no espaço, quanto em recolher outro avariado para dentro do ônibus espacial.

Rosalind Franklin – Física (que trabalhou com biologia) Britânica, a responsável pela descoberta da estrutura helicoidal do DNA

Iniciou a aplicação de estudos com difração do raio-X para determinação da estrutura da molécula do DNA. Este trabalho permitiu ao bioquímico norte-americano James Dewey Watson e aos britânicos Maurice Wilkins e Francis Crick confirmar a dupla estrutura helicoidal da molécula do DNA, dando-lhes o Nobel de Fisiologia ou Medicina (1962), sendo ela a grande injustiçada, já que o Nobel não pode ser atribuído postumamente.

Rachel Carson – Primeira cientista a pesquisar a fundo os possíveis malefícios do uso de agrotóxicos

Escritora, cientista bióloga e ecologista norte-americana. Através da publicação de Silent Spring (1962), ajudou a lançar a consciência ambiental moderna.

Lise Meitner – Física austríaca que descobriu a fissão nuclear

Em fevereiro de 1939, Meitner publicou a explicação física sobre o processo que denominou de fissão nuclear. Meitner provou que a divisão do átomo de Urânio (em átomos de BárioCriptônio) libera energia e nêutrons, que por sua vez causam fissão em mais átomos liberando neutrões e assim sucessivamente, dando origem a uma série de fissões nucleares com liberação contínua de energia, num processo denominado reação em cadeia. Meitner reconheceu o potencial explosivo desse processo. Imediatamente esses resultados foram confirmados no mundo inteiro. Tal descoberta fez com que outros cientistas se juntassem para convencer Albert Einstein a escrever uma carta ao Presidente Franklin D. Roosevelt, alertando-o quanto aos perigos do Projeto Manhattan. Embora o químico Otto Han tenha recebido, em 1944, o Prêmio Nobel de Química pela pesquisa em fissão nuclear sem creditar devidamente Lise Meitner, muitas pessoas consideram Meitner a “mulher mais importante na ciência do século XX”.

Barbara McClintock – Botânica norte-americana que descobriu a transposição genética

É considerada, ao lado de Gregor Mendel e Thomas Hunt Morgan, uma das três mais importantes figuras da história da genética. Empreendeu uma das mais espetaculares descobertas da genética, os genes saltadores ou transposões. Passaram-se mais de trinta anos entre a sua descoberta, fundamental para a genética, e o recebimento do Prêmio Nobel em 1983.

Elizabeth Blackwell – A primeira mulher a exercer a Medicina nos Estados Unidos

Em 11 janeiro de 1849 se tornou a primeira mulher a receber um doutorado nos Estados Unidos. Em 1868 fundou uma Universidade Médica da Mulher e no ano seguinte foi para a Inglaterra onde ela foi professora de ginecologia até sua aposentadoria em 1907.

Jocelyn Bell Burnell – Astrofísica britânica que descobriu os primeiros pulsares

Como estudante de pós-graduação descobriu os primeiros pulsares quando estudava sob a orientação de Antony Hewish. A descoberta rendeu a Hewish o Nobel de Física de 1974, compartilhado com Martin Ryle, tendo ela sido excluída, apesar de ter feito a observação. Bell Burnell foi presidente da Royal Astronomical Society entre 2002 e 2004, presidente do Institute of Physics entre 2008 e 2010, e presidente interina no começo de 2011.

Dorothy Hodgkin – Determinou a estrutura da vitamina B12

Tendo determinado a estrutura da vitamina B12, o que lhe rendeu o Nobel de Química de 1964, também foi a responsável por desenvolver a cristalografia de raios X, um método usado para determinar a estrutura tridimensional de biomoléculas.

Ada Lovelace – Criadora do primeiro algoritmo a ser processado por máquinas

Desenvolveu os algoritmos que permitiriam à máquina computar os valores de funções matemáticas, além de publicar uma coleção de notas sobre a máquina analítica. Por esse trabalho é considerada a primeira programadora de toda a história.

Shirley Ann Jackson – a primeira mulher afro-americana a se doutorar no MIT

Como pesquisadora de partículas subatômicas durante os anos 1970, Jackson estudou e conduziu pesquisas em uma numerosa quantidade de laboratórios de Física prestigiados na Europa e nos EUA. Interessada no estudo de propriedades eletrônicas e magnéticas de transporte de sistemas de semicondutores, é também a oitava presidente do Rensselaer Polytechnic Institute. Em 1995 foi designada pelo presidente Bill Clinton para servir como presidente da Comissão Reguladora Nuclear dos EUA (NRC), tornando-se a primeira mulher afro-americana a manter essa posição.

Flossie Wong-Staal – Primeira cientista a clonar o HIV e determinar a função de seus genes

Dando o grande passo para provar que o HIV é a causa da AIDS, Flossie elaborou o mapeamento genético do vírus, dando início assim às suas pesquisas pela descoberta de retrovirus. Foi nomeada pela revista Discover como sendo uma das 50 mais extraordinárias cientistas mulheres, além de, em 2007, ter sido nomeada pelo The Daily Telegraph como o 32° dos “Top 100 Gênios Vivos”.

Kalpana Chawla – Astronauta indiana morta em missão espacial

Foi uma astronauta norte-americana nascida na Índia, integrante da tripulação da naveColumbia que se desintegrou na reentrada na atmosfera ao fim da missão STS-107, em fevereiro de 2003, matando todos os tripulantes. Seu irmão, Sanjay Chawla, fez a seguinte declaração: “Para mim, minha irmã não morreu. Ela é imortal. Não são imortais as estrelas? Ela é uma estrela permanente no céu, o lugar a que ela pertence”.

Alice Ball – Química afro-americana que desenvolveu a vacina contra a lepra

Além de conduzir estudos que tornaram possível o desenvolvimento da vacina contra a lepra, ela também foi a primeira mulher afro-americana a concluir uma pós-graduação na Universidade de Havaí com grau de mestre.

Maryam Mirzakhani – Primeira mulher e primeira iraniana a ser honrada com a medalha Fields

Sendo a primeira mulher e iraniana a receber o mais prestigiado prêmio em Matemática, buscou compreender a simetria de superfícies curvas. Também provou que geodésicas complexas e seus fechos em espaços modulares são surpreendentemente regulares, em vez de irregulares ou fractais, como antes se pensava. Suas contribuições foram relevantes para a dinâmica e a geometria das superfícies de Riemann e seus espaços de módulos.

Chien-Shiung Wu – Física sino-estadunidense que conduziu o Wu Experiment

Dando importantes contribuições para o campo da Física Nuclear, Wu trabalhou no Projeto Manhattan, mas é mais conhecida por conduzir o experimento Wu, que contradizia a lei hipotética de conservação da paridade. Esta descoberta resultou em seus colegas Tsung-Dao Lee e Chen-Ning Yang ganharem o Prêmio Nobel em Física de 1957, o que também rendeu a Wu o primeiro Prêmio Wolf em Física em 1978. Sua especialização em física experimental evocou comparações com Marie Curie. Seus apelidos incluem “a primeira-dama da Física”, “a Madame Curie chinês”, e “a Rainha da Pesquisa Nuclear”.

Hedy Lamarr – Inventora austríaca que deu a base para a telefonia celular

Além de inventora radicada nos EUA, Lamarr também era atriz. A sua mais significativa contribuição tecnológica deu-se durante a Segunda Guerra Mundial, tendo sido a sua co-invenção, juntamente com o compositor George Antheil, de um sistema de comunicações para as Forças Armadas dos Estados Unidos que serviu de base para a atual telefonia celular.

Valentina Tereshkova – Primeira mulher a ir ao espaço

Oriunda de família proletária, essa cosmonauta foi transformada em heroína nacional após o sucesso de sua missão, e condecorada por líderes soviéticos, russos e estrangeiros de várias gerações. Nos anos seguintes se tornou proeminente na sociedade e na política do país, primeiro na União Soviética e depois na Rússia. Até os dias atuais, é a única mulher a ter feito um voo solo ao espaço.

(Grande) lista de documentários que você vai amar assistir

Há mais ou menos três anos, fiz uma lista de documentários para assistir e publiquei aqui no blog. Todo ano eu a republico, devidamente atualizada, para compartilhar todos os documentários que considero aproveitáveis/bons/ ótimos. A lista está classificada por temas e, caso você tenha uma indicação/sugestão, basta deixar nos comentários.

  • ARTE

Sobre o poder transformador da arte: “Lixo extraordinário”.

Sobre a “arte” no nazismo: “Arquitetura da destruição”.

História da arte, persuasão e outros temas: “Como a arte moldou o mundo”, que é da BBC. Recomendadíssimo.

Dear Mr. Watterson: Este documentário explora o surgimento e a fama das histórias em quadrinhos com os personagens Calvin & Hobbes, criadas por Bill Watterson. O filme enfoca o impacto que o desenho teve na vida de muitas pessoas, mostrando o processo criativo do cartunista e peso econômico e cultural dos personagens.

Jorodowkiys dune: Um documentário sobre os bastidores de um projeto cancelado: a adaptação cinematográfica do romance de ficção científica “Duna” por Alejandro Jodorowsky em 1970. Dirigido por Franck Pivatch.

  • HISTÓRIA

Série “Roma” (HBO) mostra vários aspectos da cultura romana. É, em verdade, uma série ficcional.

Vikings: Excelente apresentação dos principais estilos artísticos e do cotidiano material dos nórdicos durante a Era Viking.

Connections: Este é antigo, mas é fascinante, Conexões, com James Burke. Como chegamos até aqui, e todas as conexões não aparentes de nosso mundo, e através da história. Fascinante!

Sobre o mito: “O poder do mito”, de Joseph Campbell.

“Racism, a story” é um documentário da BBC sobre racismo.

“Histórias de heróis viajantes” busca a origem dos mitos gregos.

“Libertação 1945″ fala sobre duas diferentes frentes de batalha durante a Segunda Guerra. A parte do genocídio é bizarra.

“Matando Hitler” é o documentário da National Geographic sobre as tentativas de matar o “líder” nazista.

“Arquivos secretos da inquisição” é do History Channel, e mostra os pontos mais obscuros de intervenção da Igreja Católica.

Sobre o mito do Papai Noel: Assisti faz pouco tempo no History Channel “A verdadeira face do Papai Noel”.

Sobre o Brasil: “Raízes do Brasil”, do Sérgio Buarque de Hollanda.

“Do horror à memória” – sobre o centro de detenção clandestina da Argentina que torturou e assassinou cerca de 5 mil pessoas.

Sobre o holocausto: “Rompendo o silêncio”.

“O povo brasileiro” é um documentário baseado na obra de Darcy Ribeiro.

Documentário sobre racismo: “A negação do Brasil”.

Sobre medievalismos: “Por dentro da mente medieval”.

Para quem estuda história das religiões: “História das religiões”. 13 episódios.

“Julgamento em Nuremberg” fala do julgamento de Rudolf Hess, um dos fanáticos entre Adolf Hitler.

  • CIÊNCIA

“IMAX Hubble” – para quem curte as imagens feitas pelo Telescópio Espacial Hubble. É de arrepiar. Apaixonante!

Árvore da vida: O Documentário sobre Charles Darwin e sua teoria revolucionária da evolução pela seleção natural, produzido pela BBC para marcar o bicentenário do nascimento de Darwin.

No jardim de Darwin:  Filmada nos jardins e estufas da casa de Darwin, na Inglaterra, a série redescobre a ciência botando a mão na massa. Os episódios são ilustrados com lindas imagens em alta definição e gráficos surpreendentes.

Sobre Einstein e suas teorias: “Einstein muito além da relatividade”.

Sobre teoria da evolução: há o documentário “O relojoeiro cego” – baseado no livro de mesmo nome, do Richard Dawkins.

Sobre as missões Apollo: “Na sombra da Lua”.

Space race”: documentário da BBC sobre a história da conquista espacial é imperdível, principalmente as histórias da disputa entre Sergei Korolev (engenheiro chefe do programa soviético) e Wernher von Braun (diretor do Marshall Space Flight Center).

“Janela da alma”– sobre deficiência visual e comportamento. Em um mundo saturado de imagens, o ver e o não-ver.

Também sobre Darwin há o documentário “O gênio de Charles Darwin. Foi escrito e apresentado pelo Richard Dawkins.

“Sobre a evolução “A origem do homem”, do Discovery Channel.

Através do buraco de minhoca“: Consegue explorar bem as coisas novas da astronomia.

Sobre a conquista espacial (do lado americano): “Grandes Missões da NASA”.

“Confinamento solitário” é um documentário do canal National Geographic sobre o que acontece com o indivíduo durante o isolamento.

“Stephen Hawking – Uma breve história do Tempo”, baseado no livro de mesmo nome.

Cosmos” está sempre entre os meus preferidos, tanto na versão original (com Carl Sagan) quanto no recente remake (com Neil Tyson).

Não existe amanhã“: a animação mostra com fatos e números o quanto nos resta de recursos findáveis e quanto tempo demoraríamos para consumi-los até o esgotamento total.

  • OUTROS

“No estranho planeta dos seres audiovisuais” é um documentário de 16 episódios que mostra a nossa relação com o audiovisual.

Marjoe: Conta a história de um evangelista, Marjoe Gortner, que depois de enganar milhares de fiéis por anos, tem uma crise de consciência e resolve mostrar para as câmeras suas técnicas de charlatanismo. O filme causou tanta revolta na época que nunca mais foi exibido, apesar de ter levado o Oscar. O negativo por pouco não foi perdido e o filme só foi lançado em DVD há pouco tempo.

Cabra Marcado para Morrer: Dois grandes filmes em um. Depois que os militares interrompem as filmagens de um documentário sobre lideranças camponesas, em 1964, Coutinho volta ao local, 18 anos depois, para retomar a história. Fascinante.

Basquete Blues” (“Hoop Dreams“, 1994): de Steve James, um dos marcos da revolução das câmeras digitais, ao acompanhar por quase meia década a luta de dois jovens afro-americanos de Chicago por uma carreira no basquete

Surplus: critica ao consumismo, o documentário aborda a essência humana, as necessidades sociais e reações às dificuldades corriqueiras da vida em sociedade.

A educação proibida”  trata do questionamento das lógicas da escolarização moderna e uma nova forma de entender a educação, apontando novas experiências educativas que são nada convencionais, apresentando um modelo de aprendizado mais lúdico e com mais experiências se comparado ao atualmente utilizado.

“Estamira” me ganhou desde a primeira vez que assisti. Estamira é uma mulher de 63 anos que sofre de “distúrbios mentais”. Ela vive e trabalha há 20 anos no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, um local que recebe diariamente mais de 8 mil toneladas de lixo da cidade do Rio de Janeiro. Com um discurso filosófico e poético, ela analisa questões de interesse global.

“Notícias de uma guerra particular” é o documentário que deu origem ao “Tropa de elite”.

Para os administradores e curiosos de plantão: “O jeito Google de trabalhar” (National Geographic) mostra os bastidores do Google.

“O Inferno de Dante” (do Discovery Channel) leva os “círculos do inferno de Dante Alighieri” para a interpretação contemporânea.

Sobre os jovens (menores de 18 anos) em conflito com a lei: Documentário “Juízo”.

Esse tem que ser muito analisado, um documentário duro e frio: “Olhos azuis” (Blue eyed), com a Jane Elliot. É sobre preconceito racial.

Sobre o suicídio assistido: “EXIT: O Direito de Morrer”.

Desigualdade econômica do Brasil: “Boca de Lixo”.

Sobre crise populacional: “Quantas pessoas podem viver na Terra?”. É um documentário da BBC.

Sobre o sistema carcerário dos EUA: “Imagens da prisão”.

“Sicko”, do Moore – sobre o sistema norte-americano de convênios médicos. É BIZARRO e indignante.

Sobre o roubo da imagem/identidade das comunidades em SP: “À margem da imagem”.

“Objectified” investiga nossa relação com os objetos produzidos e as pessoas que os projetam.

Sobre a política de drogas no Brasil e no mundo: “Cortina de fumaça”.

“Complexo – Universo Paralelo”: Uma visão sensível de dentro da favela.

Para quem curte Friedrich Nietzsche, há o documentário da BBC: “Nietzsche – All To Human”.

Aos que curtem Kafka, existe um documentário de Modesto Carone sobre Kafka.

Sobre música clássica, havia uma série chamada “the great composers” (BBC).

Sobre Espinosa: “Espinosa – O Apóstolo da Razão“.

“Prisoneiros da grade de ferro”: Um ano antes da desativação do Carandiru, detentos documentam o cotidiano do presídio.

A educação proibida: Este documentário propõe o questionamento das lógicas da escolarização moderna e uma nova forma de entender a educação, apontando novas experiências educativas que são nada convencionais, apresentando um modelo de aprendizado mais lúdico e com mais experiências se comparado ao atualmente utilizado.

CitizenFour: Vencedor do Oscar de Melhor Documentário, Citizenfour conta a história de Edward Snowden, enquanto discute a questão da espionagem.

E se você faz boas leituras em inglês, ESTA OUTRA LISTA pode ajudá-lo bastante.

Aproveite!

Infográfico de (alguns) grandes nomes da ciência

Este infográfico mostra alguns dos grandes nomes da ciência em forma de um “metrô”: cada cor de linha representa uma área da ciência, cada ponto uma teoria e cada ponto múltiplo um autor polímata (dedicado a muitas áreas). Vale a pena conferir. 😀

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A imagem está em espanhol, mas é de fácil compreensão.