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Mais de 50 dicas de documentários, classificados por tema

Imagem: s/n

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Há mais ou menos três anos, fiz uma lista de documentários para assistir e publiquei aqui no blog. Desta vez, republico esta lista devidamente atualizada, para compartilhar todos os documentários que considero aproveitáveis/bons/ ótimos. Refiz a lista, classifiquei e eis que surge:

  • ARTE

Sobre o poder transformador da arte: “Lixo extraordinário”.

Sobre a “arte” no nazismo: “Arquitetura da destruição”.

História da arte, persuasão e outros temas: “Como a arte moldou o mundo”, que é da BBC. Recomendadíssimo.

  • HISTÓRIA

Série “Roma” (HBO) mostra vários aspectos da cultura romana. É, em verdade, uma série ficcional.

Sobre o mito: “O poder do mito”, de Joseph Campbell.

“Racism, a story” é um documentário da BBC sobre racismo.

“Histórias de heróis viajantes” busca a origem dos mitos gregos.

“Libertação 1945″ fala sobre duas diferentes frentes de batalha durante a Segunda Guerra. A parte do genocídio é bizarra.

“Matando Hitler” é o documentário da National Geographic sobre as tentativas de matar o “líder” nazista.

“Arquivos secretos da inquisição” é do History Channel, e mostra os pontos mais obscuros de intervenção da Igreja Católica.

Sobre o mito do Papai Noel: Assisti faz pouco tempo no History Channel “A verdadeira face do Papai Noel”.

Sobre o Brasil: “Raízes do Brasil”, do Sérgio Buarque de Hollanda.

“Do horror à memória” – sobre o centro de detenção clandestina da Argentina que torturou e assassinou cerca de 5 mil pessoas.

Sobre o holocausto: “Rompendo o silêncio”.

“O povo brasileiro” é um documentário baseado na obra de Darcy Ribeiro.

Documentário sobre racismo: “A negação do Brasil”.

Sobre medievalismos: “Por dentro da mente medieval”.

Para quem estuda história das religiões: “História das religiões”. 13 episódios.

“Julgamento em Nuremberg” fala do julgamento de Rudolf Hess, um dos fanáticos entre Adolf Hitler.

  • CIÊNCIA

“IMAX Hubble” – para quem curte as imagens feitas pelo Telescópio Espacial Hubble. É de arrepiar. Apaixonante!

Sobre Einstein e suas teorias: “Einstein muito além da relatividade”.

Sobre C. Darwin: “Darwin, a viagem que abalou o mundo”.

Sobre teoria da evolução: há o documentário “O relojoeiro cego” – baseado no livro de mesmo nome, do Richard Dawkins.

Sobre as missões Apollo: “Na sombra da Lua”.

Space race”: documentário da BBC sobre a história da conquista espacial é imperdível, principalmente as histórias da disputa entre Sergei Korolev (engenheiro chefe do programa soviético) e Wernher von Braun (diretor do Marshall Space Flight Center).

“Janela da alma”– sobre deficiência visual e comportamento. Em um mundo saturado de imagens, o ver e o não-ver.

Também sobre Darwin há o documentário “O gênio de Charles Darwin. Foi escrito e apresentado pelo Richard Dawkins.

“Sobre a evolução “A origem do homem”, do Discovery Channel.

Através do buraco de minhoca“: Consegue explorar bem as coisas novas da astronomia.

Sobre a conquista espacial (do lado americano): “Grandes Missões da NASA”.

“Confinamento solitário” é um documentário do canal National Geographic sobre o que acontece com o indivíduo durante o isolamento.

“Stephen Hawking – Uma breve história do Tempo”, baseado no livro de mesmo nome.

Cosmos” está sempre entre os meus preferidos, tanto na versão original (com Carl Sagan) quanto no recente remake (com Neil Tyson).

Não existe amanhã“: a animação mostra com fatos e números o quanto nos resta de recursos findáveis e quanto tempo demoraríamos para consumi-los até o esgotamento total.

  • OUTROS

“No estranho planeta dos seres audiovisuais” é um documentário de 16 episódios que mostra a nossa relação com o audiovisual.

“Surplus”: critica ao consumismo, o documentário aborda a essência humana, as necessidades sociais e reações às dificuldades corriqueiras da vida em sociedade.

A educação proibida”  trata do questionamento das lógicas da escolarização moderna e uma nova forma de entender a educação, apontando novas experiências educativas que são nada convencionais, apresentando um modelo de aprendizado mais lúdico e com mais experiências se comparado ao atualmente utilizado.

“Estamira” me ganhou desde a primeira vez que assisti. Estamira é uma mulher de 63 anos que sofre de “distúrbios mentais”. Ela vive e trabalha há 20 anos no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, um local que recebe diariamente mais de 8 mil toneladas de lixo da cidade do Rio de Janeiro. Com um discurso filosófico e poético, ela analisa questões de interesse global.

“Notícias de uma guerra particular” é o documentário que deu origem ao “Tropa de elite”.

Para os administradores e curiosos de plantão: “O jeito Google de trabalhar” (National Geographic) mostra os bastidores do Google.

“O Inferno de Dante” (do Discovery Channel) leva os “círculos do inferno de Dante Alighieri” para a interpretação contemporânea.

Sobre os jovens (menores de 18 anos) em conflito com a lei: Documentário “Juízo”.

Esse tem que ser muito analisado, um documentário duro e frio: “Olhos azuis” (Blue eyed), com a Jane Elliot. É sobre preconceito racial.

Sobre o suicídio assistido: “EXIT: O Direito de Morrer”.

Desigualdade econômica do Brasil: “Boca de Lixo”.

Sobre crise populacional: “Quantas pessoas podem viver na Terra?”. É um documentário da BBC.

Sobre o sistema carcerário dos EUA: “Imagens da prisão”.

“Sicko”, do Moore – sobre o sistema norte-americano de convênios médicos. É BIZARRO e indignante.

Sobre o roubo da imagem/identidade das comunidades em SP: “À margem da imagem”.

“Objectified” investiga nossa relação com os objetos produzidos e as pessoas que os projetam.

Sobre a política de drogas no Brasil e no mundo: “Cortina de fumaça”.

“Complexo – Universo Paralelo”: Uma visão sensível de dentro da favela.

Para quem curte Friedrich Nietzsche, há o documentário da BBC: “Nietzsche – All To Human”.

Aos que curtem Kafka, existe um documentário de Modesto Carone sobre Kafka.

Sobre música clássica, havia uma série chamada “the great composers” (BBC).

Sobre Espinosa: “Espinosa – O Apóstolo da Razão“.

“Prisoneiros da grade de ferro”: Um ano antes da desativação do Carandiru, detentos documentam o cotidiano do presídio.

Até mais e obrigada pelos peixes!

Genética e teoria da evolução

Via Charlezine

Videoaulas em animação bem curtinhas produzidas pelo canal Stated Clearly e divulgadas noYouTube com o objetivo de esclarecer conceitos científicos da biologia ao público leigo, especialmente no campo da genética e teoria da evolução.

NOTA: Se as legendas em português não aparecerem automaticamente, ative-as no botão abaixo de cada vídeo.

O que é DNA e como ele funciona?

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O que é um gene?

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O que é Evolução?

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O que é seleção natural?

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Como a ciência explica a origem da vida?

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A teoria da evolução realmente importa?

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Quais as evidências para a Evolução?

As dicas de Carl Sagan

Imagem: Carl Sagan em "Cosmos"

Imagem: Carl Sagan em “Cosmos”

Via Hypeness

Carl Sagan é uma das personalidades que quase dispensa apresentação. Astrônomo, cosmólogo, autor, divulgador científico, e apresentador da renomada série Cosmos. A visão dele sobre a ciência e a vida em geral é ao mesmo tempo inspiradora e eletrizante. Veja logo abaixo algumas das ideias de Carl Sagan e o quanto elas podem ser úteis.

Carl Sagan era antes de mais nada um cientista, ele tinha uma visão bastante especializada do mundo. No livro “O Mundo Assombrado Pelos Demônios”, ele delineia o que ele chama de “kit de detecção de besteiras”. Trata-se de uma maneira de testar argumentos e falácias. Veja aqui parte desta excelente ferramenta para o pensamento cético: Este kit não serve apenas para a ciência, mas para tudo, desde debates presidenciais a estatísticas. Quando você questiona os vieses, acaba ficando com um ponto de vista melhor.

  • Sempre que possível, os “fatos” tem que ter confirmação independente;
  • Encoraje o debate das evidências por pessoas com conhecimento de causa, de diferentes pontos de vista;
  • Todos os argumentos de autoridade tem pouco peso – as “autoridades” já cometeram erros no passado e vão cometer novamente no futuro. Talvez a melhor maneira de colocar isto é que em ciência não há autoridades, mas especialistas;
  • Levante mais de uma hipótese. Se há algo a ser explicado, pense em todas as diferentes maneiras que elas podem ser explicadas. A seguir, pense em formas de testar as hipóteses de forma a prová-las falsas. As hipóteses que sobreviverem a esta seleção darwininana terão mais chances de serem verdadeiras que a primeira ideia que te ocorreu;
  • Tente não se apegar a uma hipótese apenas por que ela é sua. Ela é apenas uma estação no caminho da busca pelo conhecimento. Pergunte-se por que você gosta da ideia. Compare ela de forma justa com as alternativas. Veja se você encontra razões para rejeitá-la, se você não conseguir, outros conseguirão.

carl-sagan-youre-awesomeEste também é um bom conjunto de ferramentas se você estiver discutindo alguma coisa no trabalho, dando uma apresentação na escola, ou apenas tendo uma discussão animada na janta. Quanto melhor você for na detecção de besteiras, melhores seus argumentos vão ficando com o passar do tempo.

Quando você quer que alguma coisa seja verdadeira, é fácil enganar a si mesmo e acreditar nela mesmo se não for possível provar. A filha de Carl Sagan conta o que ele disse ao falar sobre o que acontece depois da morte:

“Ele me disse, bem delicadamente, que pode ser perigoso acreditar em coisas só por que queremos que elas sejam verdade. Você pode ser enganado se você não questionar a si mesmo e a outros, especialmente pessoas em posição de autoridade. Ele me contou que qualquer coisa que seja verdadeiramente real pode suportar o escrutínio.”

Claro, a tua própria crença no pós-morte não precisa ser afetada. O ponto aqui é se manter constantemente sob análise. Estamos constantemente nos enganando e gostando de certas coisas, achando que somos o que há de melhor ou algo do tipo. Nós nos convencemos disso por que queremos muito que algo seja verdadeiro, e isto nos bloqueia, impede que descubramos novas coisas.

É fácil se preocupar com os próprios problemas e esquecer o resto do mundo. Mas o famoso discurso Pale Blue Dot (“Pálido Ponto Azul”) de Carl Sagan nos lembra que, não importa o quanto achamos importantes nossos problemas, eles não são nada no grande esquema das coisas:

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“Nossas posturas, nossa imaginária auto-importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, são confrontadas por este ponto de luz pálida. Em nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há qualquer indício que alguma ajuda virá para nos salvar de nós mesmos.”

Ele tinha ainda muito mais a dizer em seus livros e na série Cosmos, mas falou algo parecido para sua filha:

“Você está viva neste segundo. Esta é uma coisa maravilhosa” ele me disse. Quando você considera as quase infinitas encruzilhadas na estrada que levam a uma única pessoa ter nascido, você deve ser grato que você é você neste exato instante. Pense no enorme número de universos potenciais onde, por exemplo, seus tata-tataravós nunca se conheceram e você nunca veio a existir. Mais ainda, você tem o prazer de viver em um planeta onde você evoluiu para respirar o ar, beber a água, e amar o calor da estrela mais próxima. Você está conectada às gerações anteriores pelo DNA, e mais atrás ainda, ao universo, por que cada célula em seu corpo foi prepara no coração das estrelas. Nós somos poeira de estrelas, meu pai dizia, e ele me fazia sentir desta forma.

No fim das contas, trata-se de perspectiva. E não é preciso ir às distâncias que Carl Sagan foi, mas lembrar que a visão de cada um é um pouco diferente. Quando você está enfrentando negativismo, resolvendo problemas, ou lidando com memórias dolorosas, tentar uma outra perspectiva sempre vale a pena.

carl-sagan-orwwÉ fácil se limitar a apenas um campo do conhecimento e gastar todo o tempo pensando nele. Mas até onde sabemos, manter projetos paralelos valem a pena, e a diversificação de habilidades é uma grande forma de garantir que você sempre terá um emprego.

Carl Sagan sabia dise e ao mesmo tempo que pensava no Cosmos, dedicava parte do seu tempo pesquisando outras coisas. Esta lista de leitura que está na Biblioteca do Congresso mostra quanto tempo ele gastava lendo coisas fora do seu campo. Algumas das suas seleções de leitura:

  • “O Imoralista” por André Gide
  • “Julius Caesar” por Shakespeare
  • “A República” por Platão
  • “The History of Western Philosophy” (“A História da Filosofia Ocidental”) por W. T. Jones
  • “Education for Freedom” (“Educação para a Liberdade”) por Robert Maynard

Existem vários outros títulos naquela lista que você não esperaria encontrar, como histórias de Aldous Huxley, Ray Bradbury, e outros. O ponto é, Carl Sagan sabia que diversificar seu conhecimento do mundo além de apenas ciência era essencial para o pensamento criativo. E os resultados são claros, Carl Sagan se tornou não apenas um grande cientista, mas um contador de histórias fantástico e um grande comunicador.

Como reconhecer uma teoria da conspiração?

Imagem: tumblr

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Via J, diretamente do El País

As teorias da conspiração, também chamadas de “conspiracionismo”, são explicações pouco prováveis a respeito de eventos de impacto. Por exemplo, a CIA assassinou John Fitzgerald Kennedy, a chegada à Lua foi uma montagem, filmada pelo cineasta Stanley Kubrick, e muitas das pessoas mais influentes do planeta são na verdade répteis extraterrestres vindos da constelação de Draco. É o caso de Bill Clinton e de Madonna. Isso é algo em que acreditam 12 milhões de norte-americanos.

É claro que existem conspirações reais. Por exemplo, Richard Nixon e sua equipe conspiraram para esconder o arrombamento da sede do Partido Democrata, no complexo de escritórios Watergate, e o 11 de Setembro foi resultado de uma conspiração da al-Qaeda.Isso significa que não podem ser descartadas logo de cara todas as teorias divulgadas, mas é preciso desconfiar das que têm traços como os indicados por Michael Shermer em The Believing Brain.

1. É melhor não acreditar se os acontecimentos puderem ser explicados de modo mais fácil por outros motivos ou até pelo acaso. Por exemplo, muitos dizem que o objetivo do míssil que abateu o voo da Malaysian Airlines sobre a Ucrânia em julho era assassinar Glenn Thomas, um dos passageiros do avião. Segundo os “conspiracionistas”, Thomas revelaria planos para usar o vírus do ebola como arma biológica.

Além de muitas outras considerações sobre essa história, há formas muitos mais fáceis de matar alguém do que derrubar um avião com um míssil. E sem precisar fazer com que isso pareça um acidente.

2. As teorias da conspiração só mostram planos perfeitos, com tudo encaixado, com participantes coordenados como num filme de roubo de cassino, esquecendo que a realidade é mais confusa e que todos cometem erros.

E quanto mais complexa e ampla a conspiração proposta, mais fácil que seja falsa, porque se um plano depende de elementos demais é mais provável que algum deles falhe e as coisas deem errado. Assim, quanto mais gente participar, mais fácil será que alguém cometa um equívoco ou dê com a língua nos dentes. Há o exemplo do Watergate, com o Garganta Profunda: basta um falar.

3. Uma das características dos “conspiracionistas” é que são capazes de explicar os acontecimentos mais confusos da forma mais simples. Ainda que a cadeia de engrenagens seja quilométrica, todas se encaixam perfeitamente, e no final há sempre um agente responsável por todo o mal: uma sociedade secreta, a CIA, o governo, as multinacionais ou, logicamente, os répteis.

Esta forma de pensar nos devolve parte da sensação de controle perdida, por exemplo, frente às catástrofes: é mais fácil acreditar que tudo aconteça por alguma razão e que haja gente muito poderosa nas sombras que simplesmente pensar que às vezes são cometidos erros. Essa é outra característica: não existem atos inocentes ou neutros, todos são atos maquiavélicos que dependem de um grande plano.

4. Estas teorias normalmente são apresentadas como ideias únicas, difíceis e secretas. As outras pessoas não as entendem ou não querem entendê-las, porque se contentam com a “versão oficial” e seus bodes expiatórios.

5. O ponto de partida são pequenos elementos que poderiam ser corretos, para justificar eventos maiores. Exemplo apontado pelo próprio Shermer: os negacionistas do holocausto usam o fato de que não havia orifícios na câmara de gás de Birkenau para justificar a ideia de que não morreram seis milhões de judeus. Os buracos existem, mas mesmo que não existissem, isso apenas demonstraria a forma de pensar dos “conspiracionistas”: um falto isolado lhes serve para negar um capítulo inteiro da história, ignorando tudo o que existe entre os dois eventos.

Outro exemplo: Paul McCartney está morto, porque se for tocada ao contrário, a canção Revolution 9 soa como “turn me on, dead man”. Ah sim, e porque está descalço na capa de Abbey Road. É secundário o fato de que haja um senhor vivo chamado Paul McCartney. Por isso é tão irritante discutir com eles: para um “conspiracionista” basta pôr em dúvida um fato para negar o que chamam de “versão oficial”. Eles podem se limitar a levantar questões, mas os demais precisam ter todas as respostas a todas as perguntas que eles fizerem.

Eles estão entre nós

6. Misturam-se fatos e especulações, sem distinção entre eles e com a expectativa que o acusado demonstre sua inocência face a essas especulações. Exemplo ocorreu quando se disse que Barack Obama tinha nascido no Quênia. Exigiram que ele mostrasse sua certidão de nascimento, coisa que ele não fez, mas teria dado no mesmo, porque disseram que a certidão era falsa, que ele tinha matado sua avó para esconder a verdade e que havia vetado o acesso à documentação real. Mother Jones reúne quase 50 casos de teorias da conspiração sobre Obama, incluindo que ele é filho de Malcom-X, que se casou com uma paquistanesa, que é muçulmano, que é o anticristo e que quando adolescente participou de um plano da CIA para ser teletransportado para Marte, onde se reuniu com dois viajantes do tempo. Ah, sim, e que é um réptil.

6. Suspeita-se de todas as agências governamentais, empresas ou grupos que possam ter relação com o fato de que se fala. São “eles”, quer dizer, os que na verdade governam o mundo de uma pequena sala em que há um enorme mapa-múndi. Exemplo: quando Luis del Pino escreveu que o 1-M, atentados de 11 de março de 2004 em Madri, foi “um golpe de Estado idealizado, organizado e executado a partir do mais sinistro esgoto do Estado”, com o objetivo de “levar a um modelo confederativo do Estado”. Tudo isso trazendo provas como o desconhecimento da “marca da dinamite usada” (ver o item 5).

7. Os defensores das teorias da conspiração não levam em conta as provas que as neguem. Por exemplo, a revista Skeptic publicou uma contestação ponto a ponto das teorias “conspiracionistas” sobre o 11 de Setembro. Algo que não fez os “conspiracionistas” se calarem. Coisa parecida ocorreu com as teorias de Luis del Pino e as refutações encontradas, também ponto por ponto, em Desiertos Lejanos.

É preciso lembrar que o viés de confirmação faz com que se preste atenção apenas aos dados que reforçam essas causas e não aos que as negam ou reforçam outras.

8. Este último argumento parece reversível. Quer dizer, um “conspiracionista” convencido de que Obama seja um réptil poderia me acusar de não considerar suas provas. Está certo. A teoria dos répteis não me convence. Tenho um viés contra os répteis. Mas esse empenho em me fazer acreditar em lagartos nos leva a outra característica ligada à anterior: as teorias da conspiração nunca morrem, apenas se transformam.

Meu exemplo favorito é o de Rachel North, cuja história pode ser lida em The Psycopath Test, de Jon Ronson. North estava num dos vagões do metrô de Londres que sofreram os ataques de 7 de julho de 2005. A partir da mesma noite ela começou a falar da experiência em seu blog, até se deparar com um grupo que usava seus textos para tentar demonstrar que não havia existido nenhuma bomba, e sim um pico de tensão que havia provocado o acidente: o Governo tinha ocultado essa tragédia jogando a culpa no terrorismo.

North discutiu com eles pela internet: ela tinha estado no trem. Sabia que se tratava de um atentado. Não ia permitir que deturpassem seus textos.

Conseguiu apenas que dissessem que ela não existia. Por quê? Porque atualizava em demasia seu blog para ser uma só pessoa. “Pensavam que era uma equipe encarregada de criar a personagem de Rachel North e mantê-la como uma ferramenta para o que chamavam de ops-psi, operações psicológicas para controlar a população britânica”, segundo North disse a Ronson.Além do mais, não conseguiu que mudassem de opinião nem quando foi a uma reunião desse grupo num pub. Está bem, Rachel North é uma pessoa, podemos ver isso. Mas não signifia que não haja cinco agentes do Governo por trás, teclando o conteúdo de seu blog.

9. O autor da teoria termina sua exposição com um parágrafo em que diz algo como“talvez nunca cheguemos a saber a verdade”.

É possível que os répteis nos governem com a ajuda do fórum Bildelberg e sejam responsáveis pelo assassinato do verdadeiro Paul McCartney. Não sei. Não tenho todas as informações. E talvez nunca cheguemos a saber a verdade. Mas como esta teoria reúne muitos dos pontos anteriormente mencionados, é mais razoável acreditar na versão oficial, que nos oferece um mundo que controlamos menos e no qual somos todos bastante desajeitados. Quer dizer, um mundo mais humano. E talvez mais chato, tenho que reconhecer, dada a ausência de planos perfeitos, de extraterrestres e de funcionários que fazem seu trabalho extremamente bem.

Qual é o sentido da vida? Neil deGrasse Tyson responde a um menino de 6 anos

por Luciana Galastri, via Revista Galileu

O astrofísico Neil deGrasse Tyson fazia uma palestra no Wilbur Theatre, de Boston, quando Jack, de 6 anos, perguntou a ele qual era o sentido da vida.

No vídeo abaixo (em inglês) vemos que Tyson fica surpreso com a pergunta, mas ao mesmo tempo elogia o pequeno: “quando adulto você terá os pensamentos mais profundos”, diz ao menino.

Acho que as pessoas fazem essa pergunta achando que o significado é algo palpável que possa ser encontrado (…) e não consideram a possibilidade de que o significado da vida é algo que você pode criar”, explica. “Para mim o significado da vida é aprender algo diferente hoje, algo que eu não sabia ontem. E isso me deixa mais próximo de conhecer o que pode se conhecer no Universo, só um pouco mais perto, independente do quão distante está o conhecimento total. Se eu não aprendo nada, o dia foi desperdiçado. E por isso não entendo quem entra em férias da escola e diz ‘é verão e eu não preciso pensar mais’“.

Confira o vídeo:

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