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O fundamentalismo estéril e a discussão de gênero nas escolas

Imagem: Pablo Picasso,

Imagem: Pablo Picasso, “Mulher ao espelho”

Acompanhei – ainda que indiretamente – o debate que ocorreu na Câmara de Vereadores da cidade onde resido, acerca da “ideologia de gênero”. Infelizmente não pude falar abertamente sobre o tema na audiência pública, mas resumo aqui os comentários principais e minhas dúvidas e colocações sobre eles.

Em grande parte, a negativa dos que se põem contra a inclusão de gênero no PME circula na temática religiosa, tendo como principal ponto argumentativo a passagem bíblica de Levítico 20:13: “O homem que se deitar com outro homem como se fosse uma mulher, ambos cometeram uma abominação, deverão morrer, e seu sangue cairá sobre eles“. É exatamente neste ponto que se assenta o paradoxo: Se o problema é homem com homem e mulher com mulher, o problema é especificamente o gênero ou o sexo? Explico: se é o sexo, uma mulher trans pode namorar com uma mulher cis; o gênero é o mesmo, mas o sexo é oposto, e isto deveria ser aceito pela “oposição” ao PME. Se, ao contrário, o problema é o gênero, um casal formado por uma trans feminina e um homem cis, por exemplo, deveria ser aceito: o sexo é igual, contudo, o gênero é diferente. Nenhum dos casos, o entanto, é minimamente tolerado pela assertiva religiosa presente no debate.

Sob a mesma perspectiva, me parece que a ideia de gênero e sexo são dados (por aqueles que negam a discussão de gênero) como divinos, metafísicos, transcendentais. Neste caso, não adiantaria negar-se ao ensino de gênero, pois gênero e sexo seriam preestabelecidos desde sempre. É daí que parte uma outra perspectiva paradoxal: o argumento da “educação moral” (a educação para a diversidade, segundo argumentam alguns, não seria uma educação moral). Só existe a necessidade de uma educação moral se houver um consenso total sobre a moral? A moral vigente é quase sempre um contrato social modificável e não é, assim, universal.

Se a moral que acredito ser “correta” e “pronta” para ser ensinada é a moral que recebi transgeracionalmente (da minha própria família), qual seria seu fundamento? Religioso? Mas que garantia tenho de que a fé religiosa que professo seja amanhã a fé que professarão meus filhos? Se não há uma religião universal e a própria religião, de tempos em tempos, muda seus preceitos e interpretações, então o fundamento da moral deve ser independente da religião. A vontade de educação é sempre uma vontade voltada para o futuro: precisamos fundamentar a moral de hoje para amanhã, ou seja, para as terras incertas do futuro.

Queremos a liberdade. Também a moral é pautada na liberdade, pois ela supõe que o querer humano tem liberdade para escolher entre bem e mal. Fora da liberdade, absolutamente nenhuma exigência moral teria qualquer sentido. Afinal, quero o que quero porque é lícito ou porque é de minha vontade? E até que ponto o problema da moral não se confunde com o problema da liberdade? Disse Pascal que “cada um é tudo para si mesmo, pois, ele morto, o tudo estará morto para si“. Não podemos, contudo, utilizar a nós mesmos como contrapeso pra tudo, como medida para todas as coisas. Precisa-se de uma crítica sobre o valor desses valores morais, sejam quais forem.

Quando os fundamentalistas afirmam uma “preocupação” com a família, o discurso em primeiro momento nos parece compreensível. Lembra-nos Lucrécio: “a descoberta do fogo e do lar são a origem da civilização, e o nascimento das ideias morais é explicado pela preocupação comum dos adultos em proteger seus lares”. Pelo menos a maioria de nós quer e anseia por proteger nossos lares. O que o dogmatismo não compreende (ou finge não compreender) é que, longe de limitar, ampliamos o conceito de família e queremos defender não apenas uma família tradicionalmente composta, mas todas elas.

Essa ideia equivocada de uma “anarquia moral” na contemporaneidade (“no meu tempo não tinha essas coisas”, “é o fim dos tempos, tá aparecendo cada coisa…”) se deve em grande parte à decadência da noção de divindade como grande fundamento da moral. O que os fundamentalistas julgam como moral, por vezes, é o ato de substituir o juízo da consciência coletiva pelo seu próprio. Se a igreja não aceita os transsexuais, as travestis, interssexuais, pessoas de gênero não binário, a sociedade também não deve aceitar, dizem eles.  Acontece que a sociedade não é uma igreja. E acontece que a realidade consegue ser muito mais diversa e colorida do que a monocromia da superstição.

São alguns destes mesmos homens “casados e seguros de si” que negam publicamente as pessoas trans em público, mas as procuram no privado das casas noturnas. São algumas destas mesmas mulheres “de família” que educam seus filhos para preconceitos estéreis no dia-a-dia (“senta direito, menina!”, “se arruma, que assim nenhum homem vai te querer”, “mulher rodada fica pra titia”, “nada de engordar, viu?”). “Eu gerei, eu que educo!”, dizem eles. O que eles esquecem é que cabe aos pais ensinar, cabe à escola instruir, mas cabe à vida a sabedoria das escolhas. Ninguém deseja retirar dos pais as responsabilidades, deseja retirar deles justamente as irresponsabilidades. Ninguém se mantém preconceituoso pelo resto da vida senão pela vontade obstinada de não questionar. Acaso têm medo que a educação que dão em casa não seja suficientemente boa ou sólida pra manter-se fora dela?

Viva a diversidade!

Mais de 50 dicas de documentários, classificados por tema

Imagem: s/n

Imagem: s/n

Há mais ou menos três anos, fiz uma lista de documentários para assistir e publiquei aqui no blog. Desta vez, republico esta lista devidamente atualizada, para compartilhar todos os documentários que considero aproveitáveis/bons/ ótimos. Refiz a lista, classifiquei e eis que surge:

  • ARTE

Sobre o poder transformador da arte: “Lixo extraordinário”.

Sobre a “arte” no nazismo: “Arquitetura da destruição”.

História da arte, persuasão e outros temas: “Como a arte moldou o mundo”, que é da BBC. Recomendadíssimo.

  • HISTÓRIA

Série “Roma” (HBO) mostra vários aspectos da cultura romana. É, em verdade, uma série ficcional.

Sobre o mito: “O poder do mito”, de Joseph Campbell.

“Racism, a story” é um documentário da BBC sobre racismo.

“Histórias de heróis viajantes” busca a origem dos mitos gregos.

“Libertação 1945″ fala sobre duas diferentes frentes de batalha durante a Segunda Guerra. A parte do genocídio é bizarra.

“Matando Hitler” é o documentário da National Geographic sobre as tentativas de matar o “líder” nazista.

“Arquivos secretos da inquisição” é do History Channel, e mostra os pontos mais obscuros de intervenção da Igreja Católica.

Sobre o mito do Papai Noel: Assisti faz pouco tempo no History Channel “A verdadeira face do Papai Noel”.

Sobre o Brasil: “Raízes do Brasil”, do Sérgio Buarque de Hollanda.

“Do horror à memória” – sobre o centro de detenção clandestina da Argentina que torturou e assassinou cerca de 5 mil pessoas.

Sobre o holocausto: “Rompendo o silêncio”.

“O povo brasileiro” é um documentário baseado na obra de Darcy Ribeiro.

Documentário sobre racismo: “A negação do Brasil”.

Sobre medievalismos: “Por dentro da mente medieval”.

Para quem estuda história das religiões: “História das religiões”. 13 episódios.

“Julgamento em Nuremberg” fala do julgamento de Rudolf Hess, um dos fanáticos entre Adolf Hitler.

  • CIÊNCIA

“IMAX Hubble” – para quem curte as imagens feitas pelo Telescópio Espacial Hubble. É de arrepiar. Apaixonante!

Sobre Einstein e suas teorias: “Einstein muito além da relatividade”.

Sobre C. Darwin: “Darwin, a viagem que abalou o mundo”.

Sobre teoria da evolução: há o documentário “O relojoeiro cego” – baseado no livro de mesmo nome, do Richard Dawkins.

Sobre as missões Apollo: “Na sombra da Lua”.

Space race”: documentário da BBC sobre a história da conquista espacial é imperdível, principalmente as histórias da disputa entre Sergei Korolev (engenheiro chefe do programa soviético) e Wernher von Braun (diretor do Marshall Space Flight Center).

“Janela da alma”– sobre deficiência visual e comportamento. Em um mundo saturado de imagens, o ver e o não-ver.

Também sobre Darwin há o documentário “O gênio de Charles Darwin. Foi escrito e apresentado pelo Richard Dawkins.

“Sobre a evolução “A origem do homem”, do Discovery Channel.

Através do buraco de minhoca“: Consegue explorar bem as coisas novas da astronomia.

Sobre a conquista espacial (do lado americano): “Grandes Missões da NASA”.

“Confinamento solitário” é um documentário do canal National Geographic sobre o que acontece com o indivíduo durante o isolamento.

“Stephen Hawking – Uma breve história do Tempo”, baseado no livro de mesmo nome.

Cosmos” está sempre entre os meus preferidos, tanto na versão original (com Carl Sagan) quanto no recente remake (com Neil Tyson).

Não existe amanhã“: a animação mostra com fatos e números o quanto nos resta de recursos findáveis e quanto tempo demoraríamos para consumi-los até o esgotamento total.

  • OUTROS

“No estranho planeta dos seres audiovisuais” é um documentário de 16 episódios que mostra a nossa relação com o audiovisual.

“Surplus”: critica ao consumismo, o documentário aborda a essência humana, as necessidades sociais e reações às dificuldades corriqueiras da vida em sociedade.

A educação proibida”  trata do questionamento das lógicas da escolarização moderna e uma nova forma de entender a educação, apontando novas experiências educativas que são nada convencionais, apresentando um modelo de aprendizado mais lúdico e com mais experiências se comparado ao atualmente utilizado.

“Estamira” me ganhou desde a primeira vez que assisti. Estamira é uma mulher de 63 anos que sofre de “distúrbios mentais”. Ela vive e trabalha há 20 anos no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, um local que recebe diariamente mais de 8 mil toneladas de lixo da cidade do Rio de Janeiro. Com um discurso filosófico e poético, ela analisa questões de interesse global.

“Notícias de uma guerra particular” é o documentário que deu origem ao “Tropa de elite”.

Para os administradores e curiosos de plantão: “O jeito Google de trabalhar” (National Geographic) mostra os bastidores do Google.

“O Inferno de Dante” (do Discovery Channel) leva os “círculos do inferno de Dante Alighieri” para a interpretação contemporânea.

Sobre os jovens (menores de 18 anos) em conflito com a lei: Documentário “Juízo”.

Esse tem que ser muito analisado, um documentário duro e frio: “Olhos azuis” (Blue eyed), com a Jane Elliot. É sobre preconceito racial.

Sobre o suicídio assistido: “EXIT: O Direito de Morrer”.

Desigualdade econômica do Brasil: “Boca de Lixo”.

Sobre crise populacional: “Quantas pessoas podem viver na Terra?”. É um documentário da BBC.

Sobre o sistema carcerário dos EUA: “Imagens da prisão”.

“Sicko”, do Moore – sobre o sistema norte-americano de convênios médicos. É BIZARRO e indignante.

Sobre o roubo da imagem/identidade das comunidades em SP: “À margem da imagem”.

“Objectified” investiga nossa relação com os objetos produzidos e as pessoas que os projetam.

Sobre a política de drogas no Brasil e no mundo: “Cortina de fumaça”.

“Complexo – Universo Paralelo”: Uma visão sensível de dentro da favela.

Para quem curte Friedrich Nietzsche, há o documentário da BBC: “Nietzsche – All To Human”.

Aos que curtem Kafka, existe um documentário de Modesto Carone sobre Kafka.

Sobre música clássica, havia uma série chamada “the great composers” (BBC).

Sobre Espinosa: “Espinosa – O Apóstolo da Razão“.

“Prisoneiros da grade de ferro”: Um ano antes da desativação do Carandiru, detentos documentam o cotidiano do presídio.

Até mais e obrigada pelos peixes!

Você no Universo, em imagens impactantes

Via BuzzFeed

1. Aqui é a Terra! É onde você vive.

Aqui é a Terra! É onde você vive.

NASA Goddard Space Flight Center Image / Via visibleearth.nasa.gov

2. E aqui é onde você vive em seu bairro, o sistema solar.

E aqui é onde você vive em seu bairro, o sistema solar.

3. Esta é a distância, em escala, entre a Terra e a Lua. Não parece muito distante, não é?

Esta é a distância, em escala, entre a Terra e a Lua. Não parece muito distante, não é?

4. POIS PENSE DE NOVO. Dentro desta distância você pode acomodar todos os planetas de nosso sistema solar, tranquilamente.

POIS PENSE DE NOVO. Dentro desta distância você pode acomodar todos os planetas de nosso sistema solar, tranquilamente.

PerplexingPotato / Via reddit.com

5. Mas vamos falar sobre os planetas. Esta pequena mancha verde é o tamanho da América do Norte em Júpiter.

Mas vamos falar sobre os planetas. Esta pequena mancha verde é o tamanho da América do Norte em Júpiter.

NASA / John Brady / Via astronomycentral.co.uk

6. E aqui é o tamanho da Terra (na verdade, seis Terras) comparado com Saturno:

E aqui é o tamanho da Terra (na verdade, seis Terras) comparado com Saturno:

NASA / John Brady / Via astronomycentral.co.uk

7. E apenas para fins de comparação, aqui temos como os anéis de Saturno ficariam se estivessem ao redor da Terra:

E apenas para fins de comparação, aqui temos como os anéis de Saturno ficariam se estivessem ao redor da Terra:

Ron Miller / Via io9.com

8. Aqui temos um cometa. Acabamos de aterrissar uma sonda em um desses garotões. Aqui vemos como um deles ficaria comparado com Los Angeles:

Aqui temos um cometa. Acabamos de aterrissar uma sonda em um desses garotões. Aqui vemos como um deles ficaria comparado com Los Angeles:

Matt Wang / Via mentalfloss.com

E para comparar com uma cidade brasileira: Los Angeles seria tipo a metade de um Rio de Janeiro.

9. Mas isso não é nada comparado ao nosso Sol. Apenas se lembre:

Mas isso não é nada comparado ao nosso Sol. Apenas se lembre:

10. Aqui é você visto da Lua:

Aqui é você visto da Lua:

NASA

11. Aqui é você visto de Marte:

Aqui é você visto de Marte:

NASA

12. Aqui é você visto por trás dos anéis de Saturno:

Aqui é você visto por trás dos anéis de Saturno:

NASA

13. E aqui é você visto por trás de Netuno, a 4 bilhões de quilômetros de distância.

E aqui é você visto por trás de Netuno, a 4 bilhões de quilômetros de distância.

NASA

Parafraseando Carl Sagan, todos e tudo que você já conheceu existem neste pequeno pontinho.

14. Vamos dar um passo atrás por um momento. Este é o tamanho da Terra comparado com o tamanho do Sol. Assustador, não?

Vamos dar um passo atrás por um momento. Este é o tamanho da Terra comparado com o tamanho do Sol. Assustador, não?

John Brady / Via astronomycentral.co.uk

O Sol sequer cabe nesta imagem.

15. E aqui temos o mesmo Sol visto da superfície de Marte:

E aqui temos o mesmo Sol visto da superfície de Marte:

NASA

16. Mas isso não é nada. Novamente, como Carl ponderou um dia, há mais estrelas no espaço do que grãos de areia em todas as praias da Terra:

Mas isso não é nada. Novamente, como Carl ponderou um dia, há mais estrelas no espaço do que grãos de areia em todas as praias da Terra:

17. O que significa que há algumas muito, muito maiores que nosso pequeno e fracote Sol. Dê uma olhada no quão pequeno e insignificante nosso Sol é:

O que significa que há algumas muito, muito maiores que nosso pequeno e fracote Sol. Dê uma olhada no quão pequeno e insignificante nosso Sol é:

Provavelmente roubam o dinheiro do lanche de nosso Sol.

18. Aqui temos outra imagem. A maior estrela, VY Canis Majoris, é 1.000.000.000 de vezes maior do que nosso Sol:

26 imagens que lhe farão reavaliar sua existência inteira

………

19. Mas nada disso se compara ao tamanho da galáxia. Na verdade, se você encolher o Sol até ele ficar do tamanho de uma célula branca do sangue e encolher a Via Láctea utilizando a mesma escala, a Via Láctea teria o tamanho dos Estados Unidos:

Mas nada disso se compara ao tamanho da galáxia. Na verdade, se você encolher o Sol até ele ficar do tamanho de uma célula branca do sangue e encolher a Via Láctea utilizando a mesma escala, a Via Láctea teria o tamanho dos Estados Unidos:

20. Isso porque a Via Láctea é imensa. Aqui é onde você vive nela.

Isso porque a Via Láctea é imensa. Aqui é onde você vive nela.

21. Mas isso é tudo o que você vai ver:

Mas isso é tudo o que você vai ver:

(Esta não é uma imagem da Via Láctea, mas você captou a ideia)

22. Mas até nossa galáxia chega a ser minúscula se comparada com algumas outras. Aqui temos a Via Láctea comparada com a IC 1011, a 350 milhões de anos-luz da Terra:

Mas até nossa galáxia chega a ser minúscula se comparada com algumas outras. Aqui temos a Via Láctea comparada com a IC 1011, a 350 milhões de anos-luz da Terra:

Apenas IMAGINE tudo o que poderia estar lá dentro.

23. Mas vamos pensar grande. SOMENTE nesta fotografia tirada pelo telescópio Hubble, há milhares e milhares de galáxias, cada uma contendo milhões de estrelas e cada uma com seus próprios planetas.

Mas vamos pensar grande. SOMENTE nesta fotografia tirada pelo telescópio Hubble, há milhares e milhares de galáxias, cada uma contendo milhões de estrelas e cada uma com seus próprios planetas.

24. Aqui temos uma das galáxias retratadas, UDF 423. Essa galáxia está a 10 BILHÕES de ano-luz. Quando você olha para essa imagem, está olhando para bilhões de anos no passado.

Aqui temos uma das galáxias retratadas, UDF 423. Essa galáxia está a 10 BILHÕES de ano-luz. Quando você olha para essa imagem, está olhando para bilhões de anos no passado.

Acredita-se que algumas das outras galáxias se formaram apenas algumas centenas de milhões de anos APÓS o Big Bang.

25. E lembre-se — esta é uma imagem de uma parte muito, muito pequena do universo. É apenas uma fração insignificante do céu noturno.

E lembre-se — esta é uma imagem de uma parte muito, muito pequena do universo. É apenas uma fração insignificante do céu noturno.

26. E, sabe, podemos presumir com segurança que há alguns buracos negros lá fora. Aqui temos o tamanho de um buraco negro comparado com a órbita da Terra, apenas para lhe assustar:

E, sabe, podemos presumir com segurança que há alguns buracos negros lá fora. Aqui temos o tamanho de um buraco negro comparado com a órbita da Terra, apenas para lhe assustar:

D. Benningfield/K. Gebhardt/StarDate / Via mcdonaldobservatory.org

Então, quando você estiver chateado porque cancelaram a sua série favorita ou porque começaram a tocar músicas de Natal muito cedo — apenas lembre…

Essa é sua casa.

Essa é sua casa.

By Andrew Z. Colvin (Own work) [CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

Isso é o que acontece quado você afasta a imagem de sua casa para o seu sistema solar.

Isso é o que acontece quado você afasta a imagem de sua casa para o seu sistema solar.

E isso é o que acontece quando você afasta a imagem mais um pouco…

E isso é o que acontece quando você afasta a imagem mais um pouco...

By Andrew Z. Colvin (Own work) [CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

E mais um pouco…

E mais um pouco...

By Andrew Z. Colvin (Own work) [CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

Continue…

Continue...

By Andrew Z. Colvin (Own work) [CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

Afaste-se só mais um pouco…

Afaste-se só mais um pouco...

By Andrew Z. Colvin (Own work) [CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

Quase lá…

Quase lá...

By Andrew Z. Colvin (Own work) [CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

E aqui estamos. Aqui está tudo que é observável no universo e aqui está o seu lugar nele. Apenas uma minúscula formiga em um jarro gigantesco.

E aqui estamos. Aqui está tudo que é observável no universo e aqui está o seu lugar nele. Apenas uma minúscula formiga em um jarro gigantesco.

By Andrew Z. Colvin (Own work) [CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

Curso “Justice” (Justiça), de Michael Sandel – completo e legendado

Este curso foi certamente um dos que mais me apaixonou. O filósofo Michael Sandel traz à tona a complexidade do conceito de justiça, ilustrando-a com exemplos históricos e dilemas morais. Vale MUITO à pena assistir. Eu garanto.

Todos os episódios estão completos e legendados.  Você confere os vídeos na própria playlist (a sequência dos episódios junto ao resumo de cada um está listada logo abaixo):

  • 1. O lado moral do assassinato – O que você faria se tivesse de escolher entre matar uma pessoa para salvar as vidas de outras cinco e não fazer nada, mesmo que soubesse que cinco pessoas morreriam diante de seus olhos? Qual seria a coisa certa a fazer? O Professor Michael Sandel usa essa situação hipotética para iniciar o seu curso de filosofia moral.
  • 2. O processo sobre canibalismo – Nesta segunda aula do curso “Justice, qual a coisa certa a fazer?” o professor Michael Sandel apresenta os princípios do filósofo utilitarista Jeremy Bentham a partir de um famoso caso legal do século XIX envolvendo quatro náufragos. Depois de 19 dias à deriva no mar, o capitão decide matar o taifeiro, o mais fraco deles, para que os outros se alimentassem de sua carne e de seu sangue para sobreviver.
  • 3. Colocando um preço na vida – O professor Michael Sandel apresenta alguns casos contemporâneos nos quais a análise de custo-benefício foi usada para colocar um valor monetário na vida humana. Os casos levantam várias objeções à lógica do utilitarismo de procurar o bem maior para o maior número de pessoas. É possível somar e comparar todos os valores usando o dinheiro como medida?
  • 4. Como medir o prazer – O professor Michael Sandel apresenta John Stuart Mill, filósofo utilitarista que defende que “buscar o bem maior para o maior número de pessoas” é compatível com a proteção dos direitos individuais e que o utilitarismo pode abrir espaço para se fazer a distinção entre prazeres mais e menos elevados. O professor Sandel testa esta teoria exibindo videoclipes de três diferentes formas de entretenimento: Hamlet, de Shakespeare, o reality show Hipertensão e Os Simpsons.
  • 5. Liberdade de escolha – Com referências bem-humoradas a Bill Gates e Michael Jordan, o professor Michael Sandel apresenta a noção liberal de que a redistribuição de renda através de impostos – taxar os ricos para dar aos pobres – é equivalente aos trabalhos forçados.
  • 6. Quem é meu dono? – Quem é meu Dono? discute o sistema tributário distributivo. Se você vive numa sociedade que adota o sistema de tributação progressiva, é obrigado a pagar os impostos? É correto tirar dos ricos para dar aos pobres?
  • 7. Obediência – Se todos temos direitos inalienáveis à vida, liberdade e propriedade, como pode o governo impor leis fiscais aprovadas pelos representantes da maioria? Isso não equivale tomar a propriedade das pessoas sem o seu consentimento? A resposta do filósofo John Locke é que, quando escolhemos viver em sociedade, nós damos nosso consentimento tácito de obediência às leis de imposto aprovadas por maioria no parlamento.
  • 8. Barriga de aluguel – Michael Sandel examina o princípio do livre-mercado em relação aos direitos reprodutivos. O professor começa com uma discussão bem-humorada sobre o negócio de doação de óvulos e espermatozoides. Ele descreve, então, o caso de “Baby M” — uma famosa disputa legal que levantou a perturbadora questão “Quem é dono de um bebê?”. Os estudantes debatem a natureza do consentimento informado, a moralidade de vender uma vida humana e o significado dos direitos maternais.
  • 9. Mercenários – Durante a Guerra Civil Americana, os convocados tinham a opção de contratar substitutos para lutar em seu lugar. Muitos estudantes acharam injusta a política de permitir que os ricos evitassem arriscar a vida no serviço militar pagando cidadãos menos privilegiados para lutar no lugar deles. Isto levou a um debate sobre a guerra e alistamento. O sistema atual de alistamento voluntário nos Estados Unidos está sujeito ao mesmo tipo de condenação?
  • 10. Pense na sua intenção – Nesta palestra, o professor Michael Sandel apresenta o filósofo Immanuel Kant, que rejeita o utilitarismo. Ele argumenta que cada um de nós tem determinados deveres e direitos fundamentais que têm prioridade em relação à maximização da utilidade. Quando agimos por dever, fazendo algo simplesmente porque é certo, é que nossas ações têm valor moral. Kant dá o exemplo de um comerciante que deixa de dar o troco errado a um freguês só porque o seu negócio pode ser afetado se os outros fregueses descobrirem. Para Kant, a ação do comerciante não tem valor moral, porque ele fez a coisa certa pela razão errada.
  • 11. O princípio supremo da moralidade – O filósofo Immanuel Kant diz que o que dá valor moral às nossas ações é a capacidade de passar por cima de interesse pessoal e inclinação e agir por dever. O professor Sandel conta a história real de um garoto de 13 anos que venceu um concurso de soletração mas, depois, admitiu para os juízes que, na verdade, havia errado a última palavra. Usando este e outros casos, Michael Sandel explica o teste de Kant para determinar se uma ação é moralmente correta: identificar o princípio expresso em nossa ação e então se perguntar se esse princípio poderia se tornar uma lei universal que todos os seres humanos poderiam seguir.
  • 12. Uma lição sobre a mentira – Immanuel Kant acreditava que mentir, mesmo uma mentira inócua, é uma violação da própria dignidade. O professor Sandel convida os estudantes a testar a teoria de Kant com um caso hipotético: se um amigo se esconde na sua casa e uma pessoa querendo matá-lo bate à sua porta e pergunta pelo seu amigo, seria errado mentir? Isto leva a um vídeo de um dos mais famosos e recentes exemplos de como esquivar-se da verdade: o presidente dos EUA, Bill Clinton, falando de seu relacionamento com Monica Lewinsky.
  • 13. Negócio é negócio – Aula do curso Justice, do professor Michael Sandel, de Harvard. Ele apresenta o filósofo John Rawls, que defende que um conjunto justo de princípios seria aquele com princípios com os quais todos concordaríamos se tivéssemos de escolher regras para nossa sociedade e ninguém tivesse qualquer poder injusto de barganha.
  • 14. O que é um bom começo? –  O filósofo John Rawls defende que mesmo a meritocracia — um sistema distributivo que recompensa o esforço — não avança o suficiente em igualar as oportunidades porque aqueles que são naturalmente talentosos vão sempre estar à frente. Além disso, diz Rawls, os naturalmente talentosos não podem reivindicar muito crédito, porque o sucesso deles frequentemente depende de fatores tão arbitrários como, por exemplo, a ordem de nascimento. O professor Sandel demonstra a afirmação de Rawls ao pedir aos alunos que os primogênitos levantem as mãos.
  • 15. O que merecemos? – O professor Sandel discute a justiça das diferenças de ganho na sociedade moderna. Ele compara o salário de 200 mil dólares anuais da ex-juíza da Suprema Corte Sandra Day O’Connor com o salário de 25 milhões de dólares ao ano do televisivo Juiz Judy. Sandel pergunta: é justo? Para o filósofo John Rawls, a resposta é não. John Rawls, que morreu em 2002, aos 81 anos, é um dos mais conhecidos filósofos americanos do século XX e reputado o principal teórico da atual democracia liberal.
  • 16. Discutindo ações afirmativas – O professor Michael Sandel conta um caso judicial de 1996 em que uma mulher branca, Cheryl Hopwood, que não conseguiu vaga numa escola de Direito do Texas mesmo com notas mais altas do que as de alguns concorrentes que foram admitidos em virtude de cotas. Ela entrou na justiça com o argumento de que o programa de ações afirmativas da escola violava os seus direitos. Os estudantes discutem os prós e os contras da ação afirmativa. Será que devemos tentar corrigir as desigualdades das oportunidades escolares levando em conta a raça? Devemos procurar a compensação para injustiças históricas como escravidão e segregação? É válida a defesa da promoção da diversidade? Pode isto valer mais que o argumento de que os esforços e conquistas da estudante devem ter peso maior do que fatores que estão fora do controle dela e que são, portanto, arbitrários? Quando a missão declarada de uma universidade é aumentar a diversidade, negar a admissão de uma pessoa branca é uma violação de direitos?
  • 17. Qual o propósito? – Nesta palestra do curso Justice, o professor Michael Sandel apresenta a teoria da Justiça de Aristóteles, que é diversa e discordante das ideias já mostradas, de John Rawls e de Immanuel Kant. Aristóteles acreditava que a Justiça é uma questão de garantir os direitos de cada um. Quando se trata de distribuição, o filósofo grego afirma que deve se levar em conta a meta, o fim, o propósito do que está sendo distribuído. Por exemplo: as melhores flautas devem ser dadas aos melhores flautistas. E os cargos políticos mais importantes devem ser ocupados pelos cidadãos com maior espírito cívico e melhor capacidade de julgamento. Para Aristóteles, Justiça é uma questão de combinar as virtudes de uma pessoa com um papel apropriado a elas.
  • 18. O bom cidadão – Aristóteles acreditava que o propósito da política é o de promover e cultivar a virtude dos cidadãos. O “telos” ou meta do estado e da comunidade é uma vida melhor. E os cidadãos que mais contribuem para o bem da comunidade são os que devem ser mais recompensados. Mas como saber o que é melhor para uma comunidade? A teoria da Justiça de Aristóteles gera na classe de Michael Sandel um debate sobre golfe. O professor Sandel conta o caso de Casey Martin, um golfista com dificuldades congênitas de locomoção, que processou a Associação de Golfistas Profissionais por ter negado o seu pedido de usar um carrinho de golfe no torneio da associação. O caso leva a um debate sobre o propósito do golfe e se a capacidade de um jogador de “percorrer o circuito” é essencial para o jogo.
  • 19. Liberdade de escolha x Aceitação social – Como Aristóteles trata da questão dos direitos individuais e da liberdade de escolha? Se o nosso lugar na sociedade é determinado pelo papel que melhor cumprimos, será que isso não elimina a escolha pessoal? E se eu tenho maiores aptidões para um tipo de trabalho mas quero fazer outro? Nesta palestra, o professor Sandel apresenta uma das mais notórias objeções à visão de Aristóteles sobre a liberdade — sua defesa da escravidão com um papel de adequação social para determinados seres humanos. Os estudantes discutem outras objeções às teorias de Aristóteles e debatem se a filosofia dele restringe excessivamente a liberdade dos indivíduos.
  • 20. Reivindicações da comunidade – . O Comunitarismo é uma corrente ideológica que enfatiza a responsabilidade do indivíduo com a comunidade e a importância social da unidade familiar. Fontes de filosofia política consideram-no uma reação às ideias de John Rawls em Uma Teoria da Justiça – que já foram discutidas em Justice. Para os comunitaristas, temos outros deveres além dos universais – obrigações relativas à comunidade, de solidariedade e de lealdade, que não são objeto de escolha. Algumas delas são herdadas da família, da cidade, do país. Na palestra de hoje, Reivindicações da Comunidade, o professor Michael Sandel discute as formulações dos comunitaristas sobre os deveres com a família e a comunidade em confronto com nossas obrigações universais com a Humanidade. O que acontece se elas entram em conflito?
  • 21. Onde reside a nossa lealdade – O professor de filosofia política Michael Sandel pergunta se devemos fazer mais pelos cidadãos do nosso país do que pelos cidadãos de outros países. E ele questiona a universalidade dos direitos humanos diante da necessidade de sermos patriotas, de termos uma identidade definida pelo lugar onde vivemos.
  • 22. Casamento do mesmo sexo – Esta palestra de MIchael Sandel trata de casamentos de pessoas do mesmo sexo – um tema polêmico em todo mundo e que provocou muita confusão no Congresso Nacional aqui no Brasil. O professor Sandel argumenta que precisamos lidar com o fato de que as pessoas têm idéias diferentes sobre o que é bom. Os alunos então passam a um interessante e acalorado debate sobre a legalização de casamentos de pessoas do mesmo sexo, sobre a questão moral que envolve a homossexualidade e a finalidade do casamento.
  • 23. A boa vida – Na última aula do curso, o professor Sandel retoma as discussões sobre as questões do casamento entre pessoas do mesmo sexo e do aborto. Na sua fala final ele opina sobre como a justiça, a moral e as religiões devem ser compreendidas para que uma sociedade democrática possa conviver em harmonia.